Calendário Litúrgico
Datas Móveis do Calendário Litúrgico
Por que a Páscoa e as festas que dela dependem — Cinzas, Ascensão, Pentecostes e Corpus Christi — mudam de data a cada ano, e como o Computus eclesiástico as calcula.

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Ao contrário do Natal, fixado em 25 de dezembro, a data da Páscoa varia a cada ano porque segue um cálculo lunissolar. A regra fundamental remonta ao Primeiro Concílio Ecumênico de Niceia (325), que decidiu que a Páscoa seria celebrada no domingo seguinte à primeira lua cheia depois do equinócio de primavera do hemisfério norte, rompendo deliberadamente com a data da Páscoa judaica (o 14 de Nisan, que pode cair em qualquer dia da semana). A Comissão Teológica Internacional, num documento de 2025 pelos 1700 anos de Niceia, lembra que, no Concílio, a Igreja "optou decisivamente por se separar da data da Páscoa judaica", para que a festa cristã fosse celebrada "no primeiro domingo após a lua cheia que se segue ou coincide com o equinócio da primavera".
Para uso eclesiástico, o equinócio não é observado astronomicamente, mas fixado por convenção em 21 de março; a primeira lua cheia a partir dessa data é chamada "lua cheia pascal". Se essa lua cheia cair num domingo, a Páscoa é transferida para o domingo seguinte. Desse modo, a Páscoa nunca ocorre antes de 22 de março nem depois de 25 de abril — um intervalo de 35 dias. O sistema matemático que prevê essas datas ao longo dos anos é o Computus, que se apoia em instrumentos como o Número Áureo (a posição do ano no ciclo lunar de 19 anos) e a Epacta (a idade da Lua no início do ano). A regra do equinócio fixo em 21 de março e sua formalização consolidaram-se sobretudo nos séculos seguintes, com o trabalho de Dionísio, o Exíguo, e não como fórmula completa já em Niceia.
Como todas as festas do ciclo pascal são contadas a partir da Páscoa, elas também se movem. A Quarta-feira de Cinzas, início da Quaresma, cai 46 dias antes da Páscoa; o Domingo de Ramos, sete dias antes; a Sexta-feira Santa, dois dias antes. A Ascensão do Senhor é celebrada 40 dias depois da Páscoa (em algumas regiões, transferida para o domingo seguinte, o 43º dia); Pentecostes, 50 dias depois; e a solenidade de Corpus Christi, 60 dias depois, sempre numa quinta-feira.
A diferença entre o calendário juliano e o gregoriano faz ainda com que católicos e cristãos ortodoxos celebrem a Páscoa em datas distintas na maioria dos anos, ainda que a fórmula de fundo seja a mesma. A busca de uma data comum, capaz de reunir todas as confissões cristãs num mesmo domingo pascal, permanece um dos temas ecumênicos levantados por ocasião do aniversário de Niceia.
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