Calendário Litúrgico
Advento
Tempo de quatro semanas que abre o ano litúrgico, preparando o Natal com dupla ênfase: a vinda histórica e a vinda final de Cristo.

- Cor litúrgica
- Roxo (rosa na Gaudete, terceiro domingo)
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O Advento (do latim adventus, "vinda, chegada") abre o ano litúrgico e compreende os quatro domingos que antecedem o Natal, começando pelo domingo mais próximo da festa de Santo André (30 de novembro). A palavra tinha uso profano no Império Romano, designando a visita oficial de um personagem importante (o adventus augusti, atestado em moedas) e a "vinda" da divindade ao templo; a Vulgata a adotou como termo clássico para a vinda de Cristo à terra e, depois, para sua vinda gloriosa no fim dos tempos (a parusia).
O Advento tem duplo sentido. Nas primeiras semanas, orienta o olhar para a segunda vinda de Cristo no fim dos tempos; a partir de 17 de dezembro, volta-se mais diretamente para a preparação imediata do Natal, a primeira vinda na história. O tempo divide-se, portanto, em duas partes: até 16 de dezembro, com ênfase escatológica; de 17 a 24 de dezembro, quando as leituras se concentram nas profecias messiânicas de Isaías e aparecem as antigas Antífonas do Ó. A liturgia romana suprime nesse tempo alguns elementos festivos (o Glória, o órgão e as flores), mas, diferentemente da Quaresma, não é tempo de penitência austera.
A origem do período remonta ao século V: São Perpétuo, bispo de Tours, teria estabelecido um jejum de três dias antes do Natal, e dessa época data também a "Quaresma de São Martinho", jejum de quarenta dias iniciado no dia seguinte à festa de São Martinho (11 de novembro), por isso chamada "Quaresma de São Martinho". São Gregório Magno (590-604) foi o primeiro papa a redigir um ofício para o Advento, e o Sacramentário Gregoriano é o mais antigo a prover missas próprias para os domingos desse tempo. No século IX, a duração do Advento foi reduzida a quatro semanas, como se lê numa carta do papa São Nicolau I (858-867) aos búlgaros; no século XII, o jejum já havia sido substituído por simples abstinência.
O terceiro domingo é chamado Gaudete ("Alegrai-vos"), nome tirado do introito da Missa, que começa com as palavras de São Paulo: "Gaudete in Domino semper: iterum dico, gaudete" — "Alegrai-vos sempre no Senhor; repito, alegrai-vos" (Fl 4,4). Nesse domingo é permitido usar paramentos de cor rosa (como no Laetare, quarto domingo da Quaresma), como sinal de alegria no meio de um tempo de expectativa. A cor litúrgica habitual do Advento é o roxo.
Como devoção popular, a coroa do Advento — o anel de ramos verdes com quatro velas — nasceu apenas em 1839, no ambiente protestante alemão: foi criada pelo teólogo luterano Johann Hinrich Wichern (1808-1881) na Rauhes Haus, em Hamburgo, instituição por ele fundada para acolher crianças pobres. A coroa, com velas acesas uma a cada domingo, representa a luz crescente que culmina na Luz do Mundo, Cristo.
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Tempo Comum
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O período mais longo do ano litúrgico, dividido em duas partes e em 33 ou 34 semanas, no qual se celebra o mistério de Cristo em sua plenitude, sobretudo aos domingos.

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