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Calendário Litúrgico

Quaresma

Quarenta dias de penitência, jejum e oração, da Quarta-feira de Cinzas à Missa da Ceia do Senhor, em preparação para a Páscoa.

Quaresma
Cor litúrgica
Roxo (rosa no quarto domingo, Laetare)

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A Quaresma é o tempo litúrgico de preparação para a Páscoa que, no Rito Romano, se estende da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa, quando tem início o Tríduo Pascal. O nome deriva do latim quadragesima ("quadragésima" ou "quarenta dias"), referindo-se ao período de quarenta dias que evoca tanto os quarenta dias de Jesus no deserto (Mt 4,1-11) quanto os quarenta anos de Israel no deserto. A liturgia quaresmal marca esse caminho de conversão com maior austeridade: na Missa, o "Glória" é omitido (exceto em solenidades e festas) e o "Aleluia" cede lugar ao versículo antes do Evangelho, sinais do caráter penitencial do tempo.

O Concílio Vaticano II reafirmou o sentido duplo da Quaresma na constituição Sacrosanctum Concilium (nn. 109-110): ela é, ao mesmo tempo, o tempo da preparação dos catecúmenos para o Batismo e o tempo em que os fiéis são chamados a recordar o próprio Batismo e a fazer penitência. O mesmo documento pede que se conserve e santifique o "jejum pascal", celebrado sobretudo na Sexta-feira Santa e, se possível, prolongado até o Sábado Santo, "para que se chegue às alegrias do Domingo da Ressurreição com o espírito elevado e límpido".

A contagem dos "quarenta dias" comporta uma sutileza frequentemente mal compreendida: entre a Quarta-feira de Cinzas e o Sábado Santo contam-se 46 dias; como os domingos — vistos como "pequenas Páscoas", nos quais a Igreja nunca obrigou ao jejum — não entram na conta, sobram exatamente os quarenta dias de jejum. O fiel católico costuma, por isso, dizer que a Quaresma tem quarenta dias "sem contar os domingos".

As obrigações concretas de jejum e abstinência foram reorganizadas pelo Papa Paulo VI na constituição apostólica Paenitemini, de 17 de fevereiro de 1966. A partir dela, os dias de penitência vinculantes em toda a Igreja passaram a ser a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira da Paixão (jejum e abstinência), além de todas as sextas-feiras do ano que não caiam em dia de solenidade (abstinência de carne). A lei do jejum permite uma única refeição completa ao dia, com pequenas colações à manhã e à tarde segundo o costume local. O jejum, porém, só obriga a partir dos 18 até os 59 anos completos; a abstinência, a partir dos 14 anos.

Ao longo da Quaresma destacam-se ainda marcas litúrgicas próprias: o quarto domingo (Laetare) pode usar paramentos rosa como pausa de alegria antecipada, e, conforme o costume, as cruzes e imagens podem ser veladas a partir do Sábado anterior ao quinto domingo, permanecendo as cruzes cobertas até o fim da Celebração da Paixão na Sexta-feira Santa. A imagem que acompanha esta entrada é o detalhe central de O Combate entre o Carnaval e a Quaresma, de Pieter Bruegel o Velho (1559), um panorama satírico que põe frente a frente a figura do Carnaval e a "Dona Quaresma", personificação austera do tempo penitencial.

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Fontes

  • Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, nn. 109-110
  • Paulo VI, Constituição Apostólica Paenitemini, 17 de fevereiro de 1966
  • Missal Romano, Instrução Geral e rubricas do Tempo da Quaresma
  • Catecismo da Igreja Católica, n. 540
  • Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário

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