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Calendário Litúrgico

Tríduo Pascal

Os três dias centrais do ano litúrgico: da Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa, à Vigília Pascal, celebrando a Paixão, morte e ressurreição de Cristo.

Tríduo Pascal
Cor litúrgica
Branco (vermelho na Sexta-feira Santa)

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O Tríduo Pascal — o "cume de todo o ano litúrgico" — compreende os três dias mais solenes do calendário cristão e celebra, como um único mistério, a Paixão, a morte e a Ressurreição do Senhor. As Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário (nn. 18-21) definem-no com precisão técnica: começa com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde da Quinta-feira Santa, tem o seu centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição. Por isso a centralidade do Tríduo é análoga, no ano, à centralidade que o domingo tem na semana.

Cada um dos três dias tem fisionomia litúrgica própria. Na Quinta-feira Santa, a Missa da Ceia do Senhor comemora a instituição da Eucaristia e do sacerdócio ministerial, e inclui o rito do Lava-pés; ao final, as espécies consagradas são levadas em procissão para um lugar de reserva (a "capela da reposição"), de onde se prolonga a adoração até a noite. Sexta-feira Santa é o único dia do ano em que não se celebra a Missa: a liturgia própria é a Celebração da Paixão do Senhor — com a Liturgia da Palavra, a solene oração universal, a Adoração da Cruz e a comunhão com hóstias consagradas na véspera —, que se realiza à tarde, com indicação tradicional das três horas da tarde. O Sábado Santo é dia de silêncio, de "sepultura" do Senhor: a Igreja espera junto do túmulo, sem celebração eucarística própria, até a Vigília.

A Vigília Pascal, celebrada na noite do Sábado Santo, é chamada pela tradição litúrgica a "mãe de todas as vigílias santas": nela a Igreja, mantendo vigília, aguarda a Ressurreição e a celebra nos sacramentos. A norma é explícita em exigir que toda a celebração ocorra de fato à noite, começando depois do cair da noite e terminando antes do amanhecer do domingo. A Vigília articula-se em quatro partes — a Liturgia da Luz (bênção do fogo novo e do círio pascal), a Liturgia da Palavra, a Liturgia Batismal e a Liturgia Eucarística —, sendo o momento privilegiado da administração do Batismo e da renovação das promessas batismais. É também o único dia em que se pode conservar a comunhão não apenas dos sacerdotes.

A forma atual do Tríduo é, em boa medida, fruto de uma reforma relativamente recente. Durante a Idade Média, os horários originais haviam-se deslocado: a Missa da Ceia do Senhor e a Celebração da Paixão passaram a ser realizadas pela manhã, e a Vigília Pascal chegou a ser antecipada para a manhã do Sábado Santo, o que esvaziava o seu simbolismo noturno. O Papa Pio XII iniciou a restauração em 1951, devolvendo a Vigília à noite em caráter experimental, e a concluiu com o decreto Maxima Redemptionis, de 19 de novembro de 1955, que reorganizou toda a Semana Santa e tornou permanentes os horários restaurados. A reforma não foi recebida sem resistência: alguns prelados, como o cardeal Francis Spellman, de Nova York, chegaram a considerar pedir dispensa do novo rito da Vigília, mas acabaram por acatar. O Concílio Vaticano II confirmou e aprofundou essa estrutura, que passou ao Missal de Paulo VI (1970).

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