Bíblia
2 João
Breve carta do "Presbítero" que exorta a permanecer na verdade e no amor do Evangelho e adverte contra os enganadores que negavam a vinda de Cristo na carne.

- Testamento
- Novo Testamento
- Gênero literário
- Epístola católica
- Autor tradicional
- Tradicionalmente atribuída ao apóstolo João ("o Ancião")
- Composição
- final do século I d.C.
Tamanho do texto
A Segunda Carta de João é uma das obras mais breves do Novo Testamento, com apenas treze versículos, e integra o conjunto das três epístolas joaninas. O autor apresenta-se apenas como "o Presbítero" (em grego presbýteros, "ancião"), e a tradição cristã o identifica com o apóstolo João. O texto é dirigido "à Senhora eleita e a seus filhos" — expressão sobre a qual os estudiosos divergem: alguns a leem como uma mulher real, líder de uma igreja doméstica; outros, como uma personificação de uma comunidade cristã. Entre as hipóteses menos prováveis está a de que se trate da própria Virgem Maria, já que, se o autor é João, a carta teria sido escrita cerca de 90-100 d.C., quando ela provavelmente já havia falecido.
Quanto à autoria, a igreja antiga conheceu uma questão delicada: Pápias de Hierápolis, citado por Eusébio de Cesareia em sua História Eclesiástica, distinguia dois personagens chamados João — João, o Apóstolo, e João, o Presbítero —, o que alimentou a discussão sobre qual deles seria o autor. As semelhanças de vocabulário e de temas com o Evangelho e a Primeira Carta de João sustentam, para a maioria dos estudiosos, uma autoria comum dentro da tradição joanina. A canonicidade da carta foi discutida na Antiguidade: Eusébio a inclui entre os livros "antilegomena" (contestados), ela está ausente do antigo cânon siríaco (Peshitta) e recebeu opinião negativa de Teodoro de Mopsuéstia; fora do mundo siríaco, porém, o livro teve ampla aceitação e acabou recebido no cânon.
O conteúdo articula os grandes temas joaninos da verdade e do amor (vv. 1-6) e desemboca numa advertência contra os falsos mestres: "Muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo" (v. 7). O alvo é a heresia que a tradição chama de docetismo — do grego dokeîn, "parecer" —, doutrina segundo a qual Cristo teria apenas a aparência de homem e não um corpo humano real, tendência ligada também ao cerintismo, que ensinava a separação entre o homem Jesus e o Cristo divino descido no batismo. Negando a verdadeira encarnação, tais doutrinas punham em risco a fé na cruz e na ressurreição.
Por isso a carta encerra uma instrução severa e muito debatida: "Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas" (v. 10). O preceito visa negar hospitalidade e apoio público a esses mestres, para não se tornar cúmplice de sua obra, e não proibir simplesmente o diálogo ou a discussão. A Segunda Carta de João está intimamente ligada à Terceira, que trata da hospitalidade devida aos missionários legítimos, formando com ela e com a Primeira Carta um pequeno corpus que defende a fé apostólica contra as distorções que ameaçavam as comunidades cristãs no fim do primeiro século.
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Se a Bíblia fala em "irmãos de Jesus", como a Igreja sustenta que Maria permaneceu sempre virgem?
Apologética
O hebraico e o aramaico não tinham palavra própria para "primo" — "irmão" designava também parentes próximos, sentido que passou ao grego dos Evangelhos, como confirma a identidade dos "irmãos" como filhos de Maria de Clópas e o atestado de Hegésipo no século II.

É verdade que a Igreja proibiu o povo de ler a Bíblia na Idade Média?
Apologética
Foram os monges medievais quem copiaram e preservaram manuscritos bíblicos por séculos; as restrições pontuais a traduções não autorizadas (Toulouse 1229, Oxford 1408) nunca equivaleram a uma proibição geral da Escritura.

Por que a Bíblia Católica tem sete livros a mais que a Bíblia usada pela maioria dos protestantes?
Apologética
Os sete livros deuterocanônicos estavam na Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento usada pelos primeiros cristãos, foram reafirmados por concílios do século IV e por Florença (1442), e confirmados solenemente pelo Concílio de Trento em 1546.

Primeira parte: A Sagrada Escritura
Catecismo
A inspiração e a verdade da Bíblia, o cânon dos livros sagrados e os princípios católicos de interpretação da Escritura.
