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Bíblia

1 João

Tratado espiritual mais que carta, insiste que amar a Deus e amar o próximo são inseparáveis, pois "Deus é amor" — e enfrenta os que negavam a encarnação.

1 João
Testamento
Novo Testamento
Gênero literário
Epístola católica
Autor tradicional
Tradicionalmente atribuída ao apóstolo João
Composição
final do século I d.C.

Tamanho do texto

Embora numerada entre as epístolas, a Primeira Carta de João não tem saudação nem conclusão epistolar típicas: é mais propriamente um tratado, sermão ou panfleto de cinco capítulos e 105 versículos, que gira em torno de temas recorrentes em vez de seguir um fio linear — a crítica costuma comparar sua estrutura à de uma sinfonia, em que os motivos reaparecem. Seu propósito declarado é o de oferecer "critérios" pelos quais uma comunidade possa reconhecer quem está verdadeiramente em comunhão com Deus.

O texto se situa nas comunidades joaninas do fim do século I, muito provavelmente em Éfeso e arredores, num momento em que elas se dividiam em facções rivais que reivindicavam a herança da tradição do evangelista. O autor escreve contra adversários internos, que ele chama de "anticristos" e que tinham saído da comunidade ("saíram de nós, mas não eram dos nossos", 2,19). Esses oponentes parecem negar ou atenuar a realidade da encarnação — tendência associada ao docetismo e a correntes gnósticas ou "cerintianas" —, e por isso João insiste, já no prólogo, na experiência sensível do Verbo: "o que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram" (1,1). É sobretudo dessas controvérsias cristológicas e do sinal decisivo do amor fraterno que a carta extrai sua força: "quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor" (4,8); "nisto conhecemos o amor: ele deu a sua vida por nós" (3,16).

O testemunho textual de 1 João é antigo. O Papiro 9 (P. Oxy. 402), do século III — hoje na Houghton Library de Harvard —, preserva parte de 1 Jo 4,11-12 e 4,14-17; o Papiro 74 (século VII) contém trechos das três cartas de João; e o Codex Sinaiticus (século IV) transmite o escrito integralmente. É justamente em 1 João que se encontra uma das controvérsias textuais mais célebres da história bíblica, o chamado Comma Johanneum (1 Jo 5,7-8): a cláusula "o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e estes três são um", que serve de prova trinitária no Textus Receptus e na Vulgata clementina, mas falta em praticamente todos os manuscritos gregos antigos, surgindo no latim.

A questão teve desdobramentos especificamente católicos. Em 13 de janeiro de 1897, o Santo Ofício decretou que não se podia negar com segurança a autenticidade do versículo como estava na Vulgata — decisão aprovada por Leão XIII, mas sem a forma específica da autoridade papal. Trinta anos depois, em 2 de junho de 1927, sob Pio XI, o mesmo Santo Ofício reverteu o decreto, permitindo que os estudiosos católicos disputassem o Comma depois de examinar as provas. A Nova Vulgata, publicada em 1979 após o Concílio Vaticano II, não inclui a cláusula. A carta termina com uma advertência característica — "filhinhos, guardai-vos dos ídolos" (5,21) —, que resume sua preocupação central: preservar a fé pura da comunidade contra tudo o que usurpe o lugar de Deus.

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Fontes

  • Bíblia de Jerusalém
  • Catecismo da Igreja Católica, nn. 101-141 (a Sagrada Escritura)
  • Decreto do Santo Ofício de 13 de janeiro de 1897 e declaração de 2 de junho de 1927 sobre o Comma Johanneum (Enchiridion symbolorum, DS 3681)
  • Nova Vulgata (1979), que não inclui o Comma Johanneum
  • Wikipedia, "Johannine Comma" (história textual de 1 Jo 5,7-8)
  • The Gospel Coalition, "Introduction to 1 John" (estrutura e gênero literário)

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