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Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
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Bíblia

2 Pedro

Advertência contra falsos mestres e céticos que zombavam da demora da volta de Cristo, afirmando que "para o Senhor um dia é como mil anos" e que a paciência divina visa à conversão.

2 Pedro
Testamento
Novo Testamento
Gênero literário
Epístola católica
Autor tradicional
Tradicionalmente atribuída ao apóstolo Pedro (autoria muito discutida)
Composição
provavelmente início do século II (a mais tardia do NT, na crítica)

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A Segunda Epístola de Pedro é apresentada como o segundo escrito do apóstolo Pedro (2 Pd 3,1) e ocupa o penúltimo lugar entre as epístolas católicas (universais) do Novo Testamento. Combate falsos mestres infiltrados na comunidade, que negavam a vinda do Senhor e zombavam da demora da promessa, e responde a essas objeções com uma série de argumentos: a certeza da palavra profética, a lembrança de que Deus já julgou o mundo pelo dilúvio e destruiu Sodoma e Gomorra, e o princípio de que "para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia" (2 Pd 3,8, eco do Salmo 90,4). A aparente demora não é negligência, mas longanimidade: Deus "não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento" (2 Pd 3,9).

A epístola tem estreita relação literária com a Epístola de Judas: a descrição dos falsos mestres e o uso de exemplos do Antigo Testamento se assemelham de perto, e a maioria dos críticos pensa que um dos dois textos depende do outro. Um ponto notável é a referência às cartas de Paulo, equiparadas às "demais Escrituras" (2 Pd 3,15-16), um dos indícios que os críticos invocam para datar a obra mais tarde, já que pressupõe um corpus paulino reunido e reconhecido como autoridade.

A autoria é, entre todos os livros do Novo Testamento, a mais discutida. A tradição atribui a carta a Pedro; muitos estudiosos modernos, porém, consideram-na pseudepígrafe, redigida por um discípulo já no início do século II, com base em diferenças de estilo em relação à Primeira Pedro, no uso de Judas e na referência a Paulo. Reflexo dessas dúvidas é o próprio processo de recepção: no século III, Orígenes a aceitou, mas reconheceu que muitos a punham em dúvida, e sua entrada no cânon só se firmou com os concílios de Laodiceia (c. 372) e de Cartago (397). A inclusão definitiva entre os livros inspirados repousa, na doutrina católica, na autoridade da Igreja e não na solução das questões de autoria humana.

O testemunho material mais antigo é o Papiro 72 (Papirus Bodmer VIII, séculos III–IV), que reúne, num mesmo códice, a Primeira e a Segunda Epístola de Pedro e a Epístola de Judas, e se conserva na Biblioteca Apostólica Vaticana. Esse papiro, tanto quanto a menção de Orígenes, atesta que a carta circulava nos ambientes eclesiásticos antigos apesar das hesitações sobre sua canonicidade.

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