Bíblia
3 João
A mais breve carta do Novo Testamento, bilhete de "o Ancião" a Gaio, elogiando sua hospitalidade e repreendendo a soberba de Diótrefes.

- Testamento
- Novo Testamento
- Gênero literário
- Epístola católica
- Autor tradicional
- Tradicionalmente atribuída ao apóstolo João ("o Ancião")
- Composição
- final do século I d.C.
Tamanho do texto
A Terceira Carta de João é o mais curto de todos os livros do Novo Testamento: Orígenes, no século III, dizia que a segunda e a terceira cartas de João, somadas, "não contêm cem linhas" (registrado por Eusébio, História Eclesiástica VI, 25, 10). É uma carta pessoal, dirigida por aquele que se apresenta apenas como "o Ancião" (ho presbyteros) a um certo Gaio, a quem elogia por acolher missionários itinerantes e recomenda um grupo de cristãos chefiado por Demétrio. O motivo mais agudo do escrito é a repreensão a Diótrefes, que recusa acolher esses missionários, "gosta de exercer a primazia" na comunidade (v. 9) e chega a expulsar da igreja quem o faz.
O cenário é o das comunidades joaninas na Ásia Menor, provavelmente em Éfeso, na virada do século I para o II, quando tais comunidades sofriam divisões internas entre correntes fiéis à tradição do autor e grupos que ele chama de "anticristos", associados a tendências docetas ou gnósticas. A questão de fundo de 2 e 3 João é a mesma — como tratar os mestres itinerantes —, tratada por ângulos complementares: 2 João adverte a "senhora eleita" a não dar hospitalidade a quem nega que Jesus veio na carne, enquanto 3 João louva Gaio por acolher os mestres verdadeiros e reprova Diótrefes por recusá-los. O trecho final, "a paz esteja contigo; os amigos te saúdam. Saúda os amigos, um por um" (v. 15), é fórmula típica da correspondência da época, com o "paz" adotado pelos cristãos a partir do uso judaico.
A aceitação de 3 João no cânon foi lenta e disputada. Não há menção a ela na literatura cristã antiga até meados do século III; por sua brevidade extrema, escritores antigos duvidaram de sua autenticidade até o início do século V, quando passou a ser recebida junto com as outras duas cartas de João. Eusébio de Cesareia a inclui entre os livros "disputados" — "aqueles que se chamam a Segunda e a Terceira de João, quer pertençam ao evangelista, quer a outro de mesmo nome" (HE III, 25, 2) —, e o Cânon Muratoriano menciona apenas duas cartas de João, provavelmente as duas primeiras. Orígenes e Jerônimo conheciam a terceira, mas Jerônimo observava que muitos a atribuíam ao "Ancião", persona distinta do apóstolo.
É da menção, feita por Papias de Hierápolis e citada por Eusébio, a um "Presbítero João" distinto do apóstolo em Éfeso (HE III, 39), que nasce a principal controvérsia sobre a autoria: 3 João foi quase certamente escrita pelo mesmo autor de 2 João e, muito provavelmente, também de 1 João, mas a identidade desse autor é incerta — pode ser o próprio João Evangelista ou o chamado João Presbítero. Como observa C. H. Dodd, se tentarmos identificar o autor anônimo dessas cartas com uma figura conhecida, "temos pouco além de conjecturas". A datação é igualmente discutida: a tradição situa a carta no fim do primeiro século (c. 90), enquanto alguns estudiosos, como John A. T. Robinson, a recuam para c. 60-65.
Continue sua leitura

Se a Bíblia fala em "irmãos de Jesus", como a Igreja sustenta que Maria permaneceu sempre virgem?
Apologética
O hebraico e o aramaico não tinham palavra própria para "primo" — "irmão" designava também parentes próximos, sentido que passou ao grego dos Evangelhos, como confirma a identidade dos "irmãos" como filhos de Maria de Clópas e o atestado de Hegésipo no século II.

É verdade que a Igreja proibiu o povo de ler a Bíblia na Idade Média?
Apologética
Foram os monges medievais quem copiaram e preservaram manuscritos bíblicos por séculos; as restrições pontuais a traduções não autorizadas (Toulouse 1229, Oxford 1408) nunca equivaleram a uma proibição geral da Escritura.

Por que a Bíblia Católica tem sete livros a mais que a Bíblia usada pela maioria dos protestantes?
Apologética
Os sete livros deuterocanônicos estavam na Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento usada pelos primeiros cristãos, foram reafirmados por concílios do século IV e por Florença (1442), e confirmados solenemente pelo Concílio de Trento em 1546.

Primeira parte: A Sagrada Escritura
Catecismo
A inspiração e a verdade da Bíblia, o cânon dos livros sagrados e os princípios católicos de interpretação da Escritura.
