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Anjos e Demônios

Virtudes Celestiais

Coro angélico da segunda tríade celeste, associado, na angelologia de Pseudo-Dionísio e de São Tomás, à execução dos milagres e ao governo dos corpos celestes, e entendido como sustentáculo da coragem e da perseverança dos fiéis.

Virtudes Celestiais
Andrewrabbott, Wikimedia Commons, 2015 (CC BY-SA 4.0)
Tipo
Coro angélico

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As Virtudes (gr. dynameis, "potências" ou "forças"; lat. virtutes) figuram entre os seres angélicos mencionados por São Paulo, que fala de Cristo entronizado "acima de todo principado, potestade, virtude e dominação" (Ef 1,21; cf. também Cl 1,16 e 1Pd 3,22). O termo grego designa menos uma "virtude moral" que um poder ou energia operante: são as forças pelas quais Deus age no mundo criado. Na sistematização do Pseudo-Dionísio Areopagita, ocupam a posição central da segunda tríade, entre Dominações e Potestades, e são tratadas no capítulo VIII do "Sobre a Hierarquia Celeste" (De Coelesti Hierarchia), no qual o autor passa em revista os três coros da hierarquia intermédia. Segundo esse capítulo, enquanto as Dominações (kyriotetes) exprimem a reta ordenação do senhorio e as Potestades (exousiai) a harmonia e a ordem que reprime os poderes adversários, as Virtudes (dynameis) são descritas como a força viril e a coragem ordenadora que sustenta a criação.

No esquema dionisiano, toda a hierarquia celeste opera por três movimentos — purificação (katharsis), iluminação (photismos) e perfeição (teleiosis) —, de modo que cada grau recebe a luz divina do grau superior e a transmite ao inferior. A segunda tríade, "próxima" ao mundo e chamada a governar a ordem do universo criado, recebe da primeira (Serafins, Querubins e Tronos) a moção que distribui às hierarquias inferiores. É por isso que a arte e a devoção antigas por vezes representaram as Virtudes como "espíritos do movimento".

Santo Tomás de Aquino, ao adotar integralmente a ordenação dionisiana dos nove coros (Suma Teológica, I, q. 108), discute na questão 110, artigo 4, se os anjos podem fazer milagres e distingue com cuidado os papéis: cita São Gregório Magno, para quem "chamam-se virtudes os espíritos pelos quais mais frequentemente se fazem presságios e os milagres", mas ressalva — contra a interpretação literal — que os anjos não operam milagres por poder próprio, pois o milagre excede a natureza criada; servem de instrumentos pelos quais Deus realiza os prodígios que quer operar. Segundo essa leitura, cabe às Virtudes o governo dos corpos celestes e a presidência sobre as realidades naturais, entendidas como ministério subordinado à causalidade divina.

Essa vinculação a sinais e prodígios foi associada, em textos de devoção, a episódios como a Ascensão de Cristo, quando "dois homens vestidos de branco" (tradicionalmente identificados como anjos) anunciam aos apóstolos o retorno do Senhor (At 1,10-11). A tradição também recorda o fortalecimento dos crentes diante das provações como um dos efeitos do ministério das Virtudes, entendidas como sustentáculo da perseverança no bem.

Assim como os demais coros de nomes não atribuídos individualmente na Escritura, as Virtudes não têm culto litúrgico próprio. Sua menção pertence sobretudo ao patrimônio da angelologia especulativa medieval — obra respeitável e de grande influência, mas não elevada pela Igreja a artigo de fé definido. O culto católico dirige-se aos anjos enquanto tais (como na festa dos Santos Arcanjos, a 29 de setembro, e dos Anjos Custódios), sem celebração litúrgica particular de cada coro; nas representações artísticas, as Virtudes figuram por vezes nos conjuntos dos nove coros, como no vitral da igreja de St Michael and All Angels, em Somerton (Inglaterra), que as dispõe na segunda fileira, ao lado das Potestades e dos Principados.

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Fontes

  • Efésios 1,21; Colossenses 1,16; 1Pedro 3,22; Atos 1,10-11
  • Pseudo-Dionísio Areopagita, De Coelesti Hierarchia, cap. VIII (sobre as Dominações, Virtudes e Potestades)
  • Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, I, q. 108 (ordem dos coros angélicos) e I, q. 110, a. 4 (se os anjos podem fazer milagres; citação de São Gregório Magno)
  • Dallas Baptist University (Dr. Philip Irving Mitchell), 'The Celestial Hierarchy of Pseudo-Dionysius' (sumário dos cap. VI-IX)
  • Wikimedia Commons, File:Virtues, St Michael and All Angels', Somerton.jpg

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