Anjos e Demônios
Potestades
Coro angélico que encerra a segunda tríade celeste, associado na tradição à defesa da ordem cósmica e à contenção das potências do mal.

- Tipo
- Coro angélico
Tamanho do texto
As Potestades (em grego dynameis ou exousiai, conforme o texto, em latim potestates) integram a lista de seres celestes mencionados por São Paulo (Cl 1,16; Ef 1,21; também 1Pd 3,22) e completam, junto com as Dominações e as Virtudes, a segunda tríade da hierarquia angélica sistematizada por Pseudo-Dionísio Areopagita — a tríade encarregada, segundo essa tradição, do governo e da manutenção da ordem no universo criado. Na ordenação dionisiana, descrita no capítulo VIII da Hierarquia Celeste, as Potestades ocupam o terceiro e mais baixo grau dessa segunda hierarquia, depois das Dominações e das Virtudes.
A reflexão teológica posterior, em particular a de Santo Tomás de Aquino (Suma Teológica I, q. 108), associou às Potestades de modo especial a tarefa de conter e repelir a ação das potências do mal, funcionando como uma fronteira espiritual que restringe o alcance do poder demoníaco sobre a criação e sobre a história humana. São Gregório Magno descreve com precisão essa função nas Homilias sobre os Evangelhos (Hom. 34, 8-9): num trecho em que enumera os nove coros, distingue que «se chamam Virtudes aqueles espíritos por meio dos quais se operam com mais frequência os prodígios e milagres, e Potestades aqueles que, entre os de sua ordem, receberam maior poder para manter submetidos os poderes adversos». Essa leitura dialoga com as passagens paulinas sobre o combate «contra os principados e potestades, contra os dominadores destas trevas» (Ef 6,12), texto em que os mesmos nomes designam os anjos fiéis e, por analogia, as hostes caídas.
O termo «potestades» (dynameis) tem ainda um uso bíblico mais amplo que convém distinguir: em Daniel 3,39 (na versão grega) e em outros textos, «potestades» pode designar os anjos em geral, e alguns autores observam que é frequentemente a tradução da Septuaginta para o hebraico sabaoth («exércitos»). Assim, nem toda menção de «potestades» na Escritura se refere ao coro específico, o que explica parte da variação entre as fontes e a dificuldade de fixar com exatidão o ofício próprio de cada ordem.
Sobre a colocação deste coro há divergência entre os doutores: Pseudo-Dionísio o põe no último grau da segunda hierarquia, enquanto Santo Tomás nota que a distribuição de São Gregório difere em alguns pontos (q. 108, a. 6), pois Gregório descreve os coros sobretudo por seus ministérios e não por uma ordenação essencial fixa. Essa divergência confirma que, faltando uma definição dogmática, há liberdade de opinião sobre o ofício próprio de cada uma das nove ordens. Como os demais coros da hierarquia angélica não citados nominalmente na liturgia, as Potestades não possuem festa litúrgica própria: a Igreja celebra os anjos coletivamente na memória dos Santos Anjos da Guarda (2 de outubro, introduzida no calendário romano, segundo as fontes litúrgicas correntes, em 1615) e na festa dos Arcanjos (29 de setembro). A menção das Potestades, associada a Efésios 6, integra assim o esforço da tradição de exprimir, com linguagem simbólica, a multiplicidade e a função ordenadora dos espíritos celestes a serviço do plano de Deus — e a piedade católica leu nesse coro um auxílio contra as forças espirituais adversas.
Continue sua leitura

Os Nove Coros Angélicos
Anjos e Demônios
A hierarquia celeste sistematizada pela tradição em nove ordens de espíritos puros, de Serafins a Anjos, distribuídas em três tríades.

Serafins
Anjos e Demônios
O coro angélico mais elevado, descrito por Isaías cantando eternamente a santidade de Deus diante do trono celeste — hino que a liturgia da Missa incorpora no Sanctus.

Tronos
Anjos e Demônios
Terceiro coro da primeira (mais elevada) hierarquia angélica; mencionados por São Paulo entre os seres criados em Cristo e associados à contemplação da majestade e do juízo de Deus, sobretudo na síntese de Pseudo-Dionísio e de São Tomás de Aquino.

Dominações
Anjos e Demônios
Coro angélico que abre a segunda tríade celeste, associado ao governo e à distribuição ordenada das tarefas aos espíritos inferiores.
