Primeira Comunhão · Tema 8
A Hóstia e o Cálice
O pão de trigo e o vinho de uva são a matéria essencial do sacramento, transformados no Corpo e Sangue de Cristo; a Igreja Latina usa pão ázimo, e os ritos orientais, pão fermentado.
- Parágrafos
- CIC 1412
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O Catecismo define a matéria do sacramento no n. 1412: "os sinais essenciais do sacramento eucarístico são o pão de trigo e o vinho de uva", sobre os quais é invocada a bênção do Espírito Santo e se pronunciam as palavras da consagração ditas por Jesus na Última Ceia. Não se exige, portanto, o pão ázimo como condição de validade: a Igreja reconhece como válida a consagração tanto do pão ázimo quanto do fermentado. Trata-se de uma questão de disciplina litúrgica, não de essência do sacramento. O próprio Catecismo observa (n. 1413) que pela consagração opera-se a transubstanciação: sob as espécies do pão e do vinho, Cristo, vivo e glorioso, está presente de modo verdadeiro, real e substancial.
A palavra "hóstia" vem do latim hostia, que designava a vítima ou oferta imolada em sacrifício. Aplicada à Eucaristia, evoca a entrega de Cristo como vítima inocente na cruz, renovada sacramentalmente. Antes da consagração, o pão ázimo é tecnicamente chamado de partícula; só depois de consagrado se fala propriamente em hóstia. O outro elemento é o vinho da videira, puro e não deteriorado.
O uso do pão ázimo no Ocidente tem raízes na Ceia pascal judaica, em que não se permitia fermento. Tornou-se prática generalizada no rito latino a partir do século IX e foi depois fixado como obrigação disciplinar. Já as Igrejas de tradição oriental mantiveram o uso do pão fermentado (a prosphora). Essa diferença de costume — junto com o Filioque, a questão da primazia romana e a observância dos sábados — alimentou a chamada controvérsia dos ázimos, que precedeu o Cisma do Oriente. Em torno de 1053, o arcebispo Leão de Ócrida dirigiu ao bispo João de Trani uma carta criticando os latinos justamente pelo uso do pão sem fermento; o patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário, apoiou as acusações, e o legado papal, cardeal Humberto de Silva Cândida, respondeu em nome do Papa São Leão IX. Em 1054, a excomunhão recíproca entre Humberto e Cerulário marcou a ruptura. Trata-se, portanto, de um detalhe material cujo peso histórico e ecumênico foi enorme.
Nas estações romanas da antiguidade, os fiéis traziam pão e vinho para a oferta; a partir do século IX, o clero passou a preparar as hóstias à parte, com cuidado especial, e o costume das ofertas populares foi desaparecendo. Desde então o pão eucarístico costuma trazer sinais gravados que o distinguem do pão comum. A preparação das partículas e a proveniência do vinho passaram, assim, a ser objeto de atenção disciplinar da Igreja, para que o mistério se apoie em matéria digna — pão e vinho simples, escolhidos por Cristo, que se tornam veículo do maior dos sacramentos.
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