Ir para o conteúdo
Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
Acender uma vela

Personagens Bíblicos

Isaac

Filho de Abraão e Sara, poupado do sacrifício por intervenção divina, pai de Esaú e Jacó.

Isaac
Tipo
Patriarca
Testamento
Antigo Testamento
Referência bíblica
Gênesis 22; 25-27

Tamanho do texto

Segundo patriarca de Israel, Isaac é o filho único que Deus prometera a Abraão e Sara quando ambos já estavam «avançados em dias», nascido em Berseba depois de vinte e cinco anos de espera desde a primeira promessa (Gn 15). Seu nome, Yitzchak («ele ri»), guarda a memória do riso incrédulo de seus pais ao ouvirem o anúncio de seu nascimento e transforma-se, com o cumprimento da promessa, em riso de alegria: «Deus me deu motivo de rir; todo aquele que o souber há de rir comigo», diz Sara (Gn 21,6).

Ainda menino ou jovem, é o protagonista, ao lado do pai, do episódio mais dramático de sua vida: levado ao Monte Moriá para ser oferecido em holocausto por ordem divina, carrega ele mesmo a lenha do próprio sacrifício e pergunta ingenuamente onde está o cordeiro — pergunta respondida apenas no último instante, quando um anjo detém a mão de Abraão e um carneiro preso pelos chifres num arbusto é oferecido em seu lugar (Gn 22,1-19). A tradição cristã, já a partir dos primeiros Padres, viu nesse episódio (a Akedah, «ligadura», na tradição judaica) uma antecipação figurativa da Paixão: o filho único e amado que carrega a lenha da própria morte, poupado por um cordeiro substituto, prefigurando o «Cordeiro de Deus» que de fato seria imolado no Calvário.

Adulto, Isaac não escolhe pessoalmente sua esposa: Abraão envia seu servo de confiança à Mesopotâmia, e este, guiado por um sinal pedido em oração junto a um poço, reconhece em Rebeca, sobrinha-neta de Abraão, a destinada — narrativa longa e detalhada (Gn 24) que os comentadores apontam como um dos relatos mais completos da Bíblia sobre a providência divina agindo por meio de circunstâncias aparentemente comuns. Depois de vinte anos de esterilidade do casal, nascem os gêmeos Esaú e Jacó, que já lutam no ventre materno, anunciando a rivalidade que marcaria toda sua descendência (Gn 25,19-26). Isaac repete, com Rebeca, o mesmo estratagema do pai diante de um governante estrangeiro — apresentando-a como irmã por medo (Gn 26,6-11) —, e prospera como agricultor e criador de rebanhos na região de Gerar, reabrindo os poços que os filisteus haviam entupido após a morte de Abraão, gesto lido como fidelidade à herança paterna.

Já velho e cego, Isaac é enganado por Rebeca e Jacó, que se disfarça de Esaú para receber a bênção paterna destinada ao primogênito (Gn 27) — bênção que, uma vez dada, era juridicamente irrevogável, e que a narrativa apresenta com ambiguidade moral, sem esconder o engano, mas reconhecendo nele o instrumento por meio do qual se cumpre o plano de Deus anunciado antes do nascimento dos gêmeos. Isaac morre aos 180 anos, «velho e farto de dias», e é sepultado por Esaú e Jacó, reconciliados, na caverna de Macpela, junto a seus pais (Gn 35,27-29). É a figura de transição discreta entre os dois grandes patriarcas Abraão e Jacó, e sua vida — marcada mais pela obediência silenciosa e pela continuidade da aliança do que por grandes empreendimentos próprios — foi lida pela tradição patrística, por seu temperamento pacífico e por sua quase-imolação, como «tipo» de Cristo, o Príncipe da Paz.

Continue sua leitura

← Todas as entradas de Personagens Bíblicos