Personagens Bíblicos
Jacó (Israel)
Patriarca que, após lutar com um anjo, recebe o nome "Israel" e se torna pai das doze tribos.

- Tipo
- Patriarca
- Testamento
- Antigo Testamento
- Referência bíblica
- Gênesis 25-35
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Filho mais novo de Isaac e Rebeca, Jacó nasce agarrado ao calcanhar do irmão gêmeo Esaú — daí seu nome, tradicionalmente associado a «aquele que segura o calcanhar» ou «suplantador» (Gn 25,26). Ainda jovem, compra de Esaú o direito de primogenitura por um prato de lentilhas, e mais tarde, orientado pela mãe, disfarça-se de Esaú para obter do pai cego, Isaac, a bênção solene destinada ao primogênito (Gn 25,29-34; 27,1-40). Descoberto o engano, foge da ira fraterna para Harã, na casa do tio Labão, e no caminho tem em Betel a célebre visão de uma escada que liga a terra ao céu, com anjos subindo e descendo e o próprio Deus no alto, renovando-lhe a promessa feita a Abraão e Isaac (Gn 28,10-22) — episódio que dá nome ao lugar («Betel», «casa de Deus») e que a tradição cristã associa, a partir de João 1,51, à figura de Cristo como o verdadeiro elo entre o céu e a terra.
Em Harã, Jacó trabalha catorze anos por suas duas esposas, Lia e Raquel, filhas de Labão, que o engana na noite de núpcias substituindo a noiva prometida pela irmã mais velha — golpe que espelha, quase como justiça poética, o próprio engano que Jacó infligira a Esaú. Do casamento com Lia, Raquel e as servas destas, Bila e Zilpa, nascem os doze filhos e a filha Diná que dariam origem às doze tribos de Israel. Após vinte anos de serviço, Jacó parte secretamente com família, rebanhos e bens de volta a Canaã, reconciliando-se pelo caminho com Labão, que o persegue, e preparando-se com apreensão para reencontrar Esaú.
Na véspera desse reencontro, na margem do rio Jaboc, ocorre o episódio mais enigmático de sua vida: sozinho, Jacó luta a noite inteira com um «homem» que o texto deixa deliberadamente ambíguo — interpretado pela tradição como um anjo ou teofania do próprio Deus —, e, apesar de ferido no quadril, recusa-se a soltá-lo sem receber uma bênção. Recebe então o novo nome «Israel», explicado no próprio texto como «aquele que lutou com Deus e com os homens e venceu» (Gn 32,23-33), nome que passaria a designar não só o patriarca, mas todo o povo de sua descendência. O reencontro com Esaú, temido como vingança, resolve-se em abraço e lágrimas (Gn 33).
Os anos finais da vida de Jacó em Canaã são marcados por tragédias familiares — o estupro de Diná e a vingança sangrenta de seus irmãos em Siquém (Gn 34), a morte de Raquel ao dar à luz Benjamim, e sobretudo a rivalidade entre os filhos que leva à venda de José, seu predileto, como escravo para o Egito. É esse mesmo José quem, anos depois, já governador egípcio, providencia a vinda de todo o clã para a região de Gósen durante a grande fome, onde Jacó passa os últimos dezessete anos de vida. Antes de morrer, aos 147 anos, pronuncia sobre cada um dos doze filhos um oráculo profético (Gn 49) que antecipa o destino de suas respectivas tribos — reservando a Judá a promessa de um cetro que não se apartaria «até que venha aquele a quem pertence», texto lido pela tradição messiânica judaica e cristã como anúncio distante do Messias. É sepultado, por desejo próprio, na caverna de Macpela, junto aos demais patriarcas (Gn 49,29-33; 50,1-14).
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