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Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
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Personagens Bíblicos

Abraão

O primeiro patriarca, pai da fé para judeus, cristãos e muçulmanos, chamado por Deus a deixar sua terra e receber a promessa de uma grande descendência.

Abraão
Tipo
Patriarca
Testamento
Antigo Testamento
Referência bíblica
Gênesis 12-25

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Originário de Ur dos Caldeus, na Baixa Mesopotâmia, Abrão migra com seu pai Taré até Harã, no norte, de onde recebe o chamado que a tradição judaico-cristã considera o ato fundador da história da salvação: «Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei» (Gn 12,1). Com essa ordem vem uma promessa tripla — uma grande descendência, uma terra e a bênção que, através dele, alcançaria «todas as famílias da terra» (Gn 12,2-3). Já idoso e sem filhos com Sara, Abrão obedece, atravessa Canaã, desce ao Egito em tempo de fome e regressa mais rico, separando-se amigavelmente do sobrinho Ló, que escolhe a região de Sodoma.

Ao longo de Gênesis 12-25, sua vida é marcada por episódios que a tradição lê como sucessivas provas de fé: o resgate armado de Ló capturado por reis inimigos, seguido do encontro enigmático com Melquisedeque, «rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo», que lhe oferece pão e vinho e o abençoa — episódio que o Novo Testamento (Hb 7) e a liturgia eucarística católica leem como prefiguração do sacerdócio de Cristo; a aliança selada em visão noturna, quando Deus promete a Abrão uma descendência «numerosa como as estrelas do céu» (Gn 15,5-6), e o texto acrescenta o versículo central de toda a teologia paulina da justificação: «ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado como justiça»; e, mais tarde, a instituição da circuncisão como «sinal da aliança» na carne de todo varão de sua descendência (Gn 17), momento em que Deus muda seu nome de Abrão («pai excelso») para Abraão («pai de multidões»), e o de Sarai para Sara.

Da impaciência do casal diante da esterilidade nasce o episódio de Agar, serva egípcia de Sara, de quem Abraão tem Ismael — reconhecido pela tradição islâmica como ancestral dos árabes e do próprio profeta Maomé, o que faz de Abraão patriarca comum às três religiões abraâmicas. Só depois, já com cem anos, Abraão vê nascer de Sara o filho da promessa, Isaac. O ápice narrativo e teológico de sua vida, porém, é a chamada Akedah («ligadura»): Deus ordena que sacrifique o próprio Isaac no monte Moriá, e Abraão obedece até o último instante, quando um anjo detém sua mão e um cordeiro é providenciado para o holocausto em lugar do filho (Gn 22). São Paulo (Rm 4) e a Carta aos Hebreus (Hb 11,17-19) veem nesse episódio o modelo supremo da fé que se apoia inteiramente em Deus «mesmo contra toda esperança», e os Padres da Igreja associaram o filho único carregando a lenha do próprio sacrifício à figura de Cristo carregando a cruz.

Abraão morre aos 175 anos e é sepultado por Isaac e Ismael na caverna de Macpela, comprada de Efron, o hitita — o único pedaço de terra que possuiria em vida na terra prometida (Gn 23; 25,7-10). É invocado no Cânon Romano da Missa como pai dos que creem, chamado «nosso pai na fé» pela liturgia católica, e Jesus refere-se a si mesmo como anterior a ele («antes que Abraão existisse, Eu Sou», Jo 8,58) — afirmação que os evangelistas registram como motivo de escândalo para seus ouvintes judeus. Sua figura permanece, até hoje, o ponto de encontro simbólico entre judeus, cristãos e muçulmanos, todos reivindicando-se «filhos de Abraão» pela fé ou pela carne.

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