Heresias e Cismas
Velho-Catolicismo
Cisma de grupos que recusaram a definição da infalibilidade papal proclamada pelo Concílio Vaticano I.

- Tipo
- Cisma
- Século
- XIX
- Condenação
- Ruptura formalizada após 1870, sem processo de excomunhão coletiva formal
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O Concílio Vaticano I (1869-1870), convocado pelo papa Pio IX, definiu solenemente na constituição dogmática "Pastor Aeternus", promulgada em 18 de julho de 1870, que o papa goza de primado de jurisdição sobre toda a Igreja e de infalibilidade — assistência sobrenatural do Espírito Santo que o preserva de erro — quando define, no exercício de seu ofício supremo de pastor e doutor de todos os cristãos, uma doutrina de fé ou de moral a ser sustentada por toda a Igreja (isto é, quando fala "ex cathedra"). A definição, aprovada por ampla maioria dos bispos presentes, encontrou forte resistência teológica prévia de uma minoria organizada, sobretudo de língua alemã, que a via como inovação sem base suficiente na tradição dos primeiros séculos e como ameaça à autoridade dos bispos locais e dos concílios.
O principal e mais influente opositor foi Ignaz von Döllinger, renomado historiador da Igreja e professor em Munique, que já antes do concílio publicara sob pseudônimo textos críticos à então provável definição, argumentando que ela carecia de fundamento bíblico e histórico sólido e representava uma ruptura com a eclesiologia tradicional de comunhão entre bispos. Ao recusar-se a aceitar a definição depois de promulgada, Döllinger foi excomungado pelo arcebispo de Munique em abril de 1871 — episódio que, mais do que encerrar a controvérsia, deu início a um movimento organizado de resistência.
Grupos de bispos, padres, teólogos e leigos que recusaram o dogma de 1870, concentrados sobretudo na Alemanha, na Áustria-Hungria, na Suíça e nos Países Baixos (onde já existia desde o século XVIII uma pequena Igreja cismática, a de Utrecht, com raízes em disputas jansenistas anteriores), organizaram-se em congressos sucessivos a partir de 1871 e romperam formalmente com Roma, adotando o nome de "Velho-Católicos" para sinalizar fidelidade à fé e à disciplina da Igreja anterior ao Vaticano I. O bispo alemão Joseph Hubert Reinkens foi consagrado em 1873 pelo bispo jansenista de Utrecht, garantindo à nova comunhão sucessão apostólica reconhecida por seus próprios critérios.
As Igrejas Velho-Católicas, reunidas desde 1889 na chamada União de Utrecht, mantêm estrutura episcopal, os sete sacramentos e boa parte da liturgia e da doutrina tradicionais, rejeitando especificamente o primado universal de jurisdição e a infalibilidade papal tal como definidos em 1870, além de admitirem, ao longo do século XX, mudanças disciplinares mais liberais — como o fim do celibato clerical obrigatório e, em algumas províncias, a ordenação de mulheres — que as afastaram ainda mais da Igreja Católica Romana. Hoje constituem uma pequena mas ativa família de igrejas, presentes principalmente na Europa central, e mantêm desde 1931 plena comunhão com a Comunhão Anglicana pela Declaração de Bonn.
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Vigésimo concílio ecumênico (1869-1870): definiu o dogma da infalibilidade papal na constituição «Pastor Aeternus» e foi suspenso pela ocupação de Roma.

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Vaticano I: Constituição «Dei Filius»
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O Concílio Vaticano I
História da Igreja
Concílio ecumênico de 1869-1870 que definiu o dogma da infalibilidade papal, interrompido pela invasão de Roma antes de concluir sua agenda.
