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Heresias e Cismas

Reforma Protestante

Movimento liderado por Martinho Lutero que rompeu a unidade cristã ocidental, defendendo a salvação só pela fé e a Escritura como única autoridade.

Reforma Protestante
Wikimedia Commons, Public domain
Tipo
Cisma
Século
XVI
Condenação
Bula Exsurge Domine (1520) e Concílio de Trento (1545-1563)

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Martinho Lutero, monge agostiniano e professor de teologia moral na Universidade de Wittenberg, ficou profundamente incomodado com a atuação do frei dominicano Johann Tetzel, que percorria a região vizinha vendendo indulgências para custear, entre outras finalidades, a construção da Basílica de São Pedro em Roma — prática que Lutero via como mercantilização escandalosa do perdão dos pecados. Em 31 de outubro de 1517, redigiu 95 teses propondo um debate acadêmico sobre o tema, tradicionalmente descritas como afixadas na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg (episódio que a historiografia recente considera provável, mas não documentalmente comprovado). Reproduzidas rapidamente graças à imprensa de tipos móveis, as teses se espalharam por toda a Alemanha e a Europa em poucas semanas, transformando uma disputa universitária local em fenômeno de massa.

Ao ser pressionado a se retratar, Lutero radicalizou progressivamente suas posições em obras de 1520 como "À Nobreza Cristã da Nação Alemã" e "Do Cativeiro Babilônico da Igreja", sistematizando os princípios que se tornariam os pilares da Reforma: "sola fide" (a justificação do pecador vem só pela fé, sem mérito das obras humanas), "sola scriptura" (a Bíblia é a única autoridade normativa de fé, dispensando o magistério vivo da Igreja) e o sacerdócio universal dos batizados, que esvaziava a distinção sacramental entre clero e leigos. O papa Leão X respondeu com a bula "Exsurge Domine" (1520), ameaçando-o de excomunhão caso não se retratasse; Lutero queimou publicamente o documento papal em Wittenberg, sendo formalmente excomungado no ano seguinte.

Convocado à Dieta de Worms em 1521, sob salvo-conduto do imperador Carlos V, Lutero recusou-se a retratar-se diante da assembleia imperial, alegando estar vinculado apenas à sua consciência e à autoridade das Escrituras — episódio que resultou no Edito de Worms, declarando-o um fora da lei do império. Protegido pelo príncipe-eleitor Frederico, o Sábio, da Saxônia, que o escondeu no Castelo de Wartburg, Lutero traduziu ali o Novo Testamento para o alemão, obra de enorme impacto na formação da língua alemã moderna e na difusão popular das ideias reformadas.

A fragmentação, uma vez iniciada, não se deteve em Lutero: já nas décadas seguintes surgiram outras correntes reformadas, como o calvinismo na Suíça e na França e, por vias distintas, o anglicanismo na Inglaterra, dividindo a cristandade ocidental em múltiplas confissões concorrentes. A Igreja Católica respondeu de modo sistemático com o Concílio de Trento (1545-1563), que se estendeu por quase vinte anos sob quatro papas diferentes e reafirmou a doutrina católica sobre a justificação (fé e obras, não fé somente), a autoridade da Tradição ao lado da Escritura, a validade dos sete sacramentos e a estrutura hierárquica da Igreja, além de promover reformas disciplinares profundas no clero — processo conhecido como Reforma ou Contrarreforma Católica. As guerras de religião que se seguiram na Europa, incluindo a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), fizeram da divisão religiosa também uma questão de sangue e política de estado por mais de um século.

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Fontes

  • https://pt.wikipedia.org/wiki/95_Teses
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Dieta_de_Worms
  • https://www.historiadomundo.com.br/idade-moderna/reforma-protestante.htm

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