Heresias e Cismas
Cisma Anglicano
Ruptura da Igreja da Inglaterra com Roma sob Henrique VIII, motivada inicialmente por razões dinásticas e depois consolidada teologicamente.

- Tipo
- Cisma
- Século
- XVI
- Condenação
- Excomunhão de Henrique VIII pelo papa Paulo III (1538)
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Henrique VIII, rei da Inglaterra desde 1509, casara-se naquele mesmo ano com Catarina de Aragão, viúva de seu irmão mais velho e filha dos reis católicos da Espanha, união que produziu uma única filha sobrevivente, Maria. Preocupado com a falta de um herdeiro homem e já apaixonado por Ana Bolena, Henrique solicitou em 1527 ao papa Clemente VII a anulação do casamento, sob o argumento canônico de que a união com a viúva do irmão seria inválida desde o início. O papa, então sob forte pressão política do imperador Carlos V — sobrinho de Catarina, cujas tropas haviam saqueado Roma pouco antes —, evitou decidir e arrastou o processo por anos, recusando-se finalmente a conceder a anulação.
Exasperado com o impasse, Henrique passou a agir unilateralmente: fez seu novo arcebispo de Canterbury, Thomas Cranmer, declarar nulo o casamento com Catarina em 1533, e obteve do Parlamento, em novembro de 1534, a aprovação do Ato de Supremacia, que o declarava "Único e Supremo Chefe da Igreja da Inglaterra na terra", rompendo formalmente a jurisdição papal sobre a Igreja inglesa. A lei previa pena de morte para quem recusasse jurar fidelidade ao novo arranjo — sorte que recaiu sobre figuras de grande prestígio moral, como o bispo João Fisher e o ex-chanceler Thomas More, ambos decapitados em 1535 por se negarem a reconhecer a supremacia régia sobre a Igreja, e posteriormente canonizados pela Igreja Católica. Em 1538, o papa Paulo III formalizou a excomunhão de Henrique VIII.
Do ponto de vista doutrinal, a ruptura inicial de Henrique foi mais jurisdicional do que teológica: ele preservou a missa em latim, o celibato clerical e a maior parte da liturgia e da doutrina sacramental católicas, perseguindo tanto católicos fiéis a Roma quanto protestantes de tendência mais radical. Foi sob seu filho Eduardo VI, ainda criança, que a Igreja da Inglaterra assumiu contornos doutrinais mais próximos do protestantismo continental, com a introdução do Livro de Oração Comum de Cranmer; um curto retorno ao catolicismo romano ocorreu sob a rainha Maria I ("Bloody Mary"), que perseguiu duramente os protestantes entre 1553 e 1558.
Foi sob Isabel I, a partir de 1558, que se consolidou o chamado "Acordo Elisabetano", uma via média ("via media") entre catolicismo e protestantismo que definiu de modo mais estável a identidade anglicana: os Trinta e Nove Artigos de fé (1571) incorporaram elementos teológicos da Reforma continental — como a ênfase na justificação pela fé —, enquanto se preservava a estrutura episcopal, boa parte da tradição litúrgica e um forte senso de continuidade histórica com a Igreja pré-reforma. Essa ambiguidade deliberada entre catolicismo e protestantismo permanece uma marca distintiva da Comunhão Anglicana até os dias de hoje.
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Thomas Wolsey
Cardeais
Cardeal inglês (criado por Leão X em 1515) e lorde chanceler de Henrique VIII, o homem mais poderoso da Inglaterra depois do rei até cair em desgraça por não conseguir a anulação do casamento real.

São Tomás More
Santos
Chanceler da Inglaterra no século XVI, autor de "Utopia", executado por Henrique VIII por se recusar a reconhecer o rei como chefe da Igreja na Inglaterra.

São João Fisher
Santos
Bispo de Rochester no século XVI, único bispo inglês a se recusar a reconhecer Henrique VIII como chefe da Igreja na Inglaterra, executado em 1535.

Reginald Pole
Cardeais
Cardeal inglês de sangue real, exilado por opor-se ao rompimento de Henrique VIII com Roma; voltou como legado papal para reconciliar a Inglaterra de Maria I com a Igreja Católica, sendo o último arcebispo católico de Canterbury.
