Devoções
Os Cinco Primeiros Sábados
Devoção mariana ligada às aparições de Fátima: confissão, comunhão, terço e meditação em reparação, no primeiro sábado de cinco meses seguidos.

- Origem
- Relato das aparições de Nossa Senhora de Fátima (1917) e de Pontevedra (1925)
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Distinta, embora relacionada, das Primeiras Sextas-Feiras ao Sagrado Coração, a devoção dos «Cinco Primeiros Sábados» tem origem no relato das aparições de Fátima: no primeiro sábado de cinco meses consecutivos, o fiel confessa-se, comunga, reza um terço e medita por quinze minutos os mistérios do Rosário, acompanhando esses atos com a intenção específica de reparação pelas ofensas ao Imaculado Coração de Maria.
A raiz do pedido está na aparição de 13 de julho de 1917, quando, segundo o relato da vidente Lúcia dos Santos, Nossa Senhora anunciou que Deus desejava estabelecer no mundo a devoção ao seu Imaculado Coração como caminho de paz. Mas a forma concreta e o número exato — cinco sábados, com os quatro atos específicos de confissão, comunhão, terço e meditação — só viriam anos depois, numa aparição posterior, já sem a presença dos outros dois pastorinhos, Francisco e Jacinta, falecidos em 1919 e 1920.
Essa aparição ocorreu em 10 de dezembro de 1925, no convento das Irmãs Doroteias em Pontevedra, na Espanha, onde Lúcia, então com dezoito anos e única sobrevivente dos três videntes, vivia como postulante. Segundo seu relato, Nossa Senhora apareceu-lhe com o Menino Jesus nos braços, envolto numa nuvem luminosa; numa das mãos, mostrava a Lúcia um coração cercado de espinhos. Foi o próprio Menino Jesus quem primeiro se dirigiu a ela, dizendo: «Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe, que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar». Em seguida, Nossa Senhora explicou o pedido concreto: a quantos, durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessassem, comungassem, rezassem um terço e lhe fizessem companhia por quinze minutos meditando os mistérios do Rosário, com o fim de lhe dar reparação, prometia assistir na hora da morte com as graças necessárias à salvação.
Uma segunda aparição, em 15 de fevereiro de 1926, esclareceu dúvidas práticas sobre como cumprir a devoção. Lúcia, então já noviça, relatou ter visto uma criança que lhe pareceu reconhecer; ao iniciar conversa, a criança revelou-se o próprio Menino Jesus, que a repreendeu por não ter feito mais para propagar a devoção dos cinco primeiros sábados. Diante da objeção de Lúcia — de que havia almas que, por falta de confessor disponível naquele dia exato, teriam dificuldade em cumprir a exigência —, Jesus esclareceu que a confissão poderia ser feita em outro dia próximo ao sábado, desde que a comunhão fosse recebida em estado de graça e com a intenção reparadora, flexibilização que permanece até hoje como norma prática da devoção.
A devoção dos Cinco Primeiros Sábados funciona, assim, como o complemento devocional prático ao pedido mais amplo de consagração do mundo — e, especialmente, da Rússia — ao Imaculado Coração de Maria, feito já na aparição de julho de 1917 e tratado com mais detalhe na entrada sobre a devoção ao Imaculado Coração neste acervo. Difundida sobretudo a partir de meados do século XX, quando as aparições de Fátima ganharam reconhecimento e divulgação mundial — reforçada pelas beatificações de Francisco e Jacinta Marto em 2000 e por sua canonização em 2017, no centenário das aparições —, a prática continua viva hoje em santuários marianos e paróquias de devoção fatimense em todo o mundo.
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