Santuários
Santuário de Fátima
Um dos maiores santuários marianos do mundo, erguido no local das aparições de 1917 em Portugal.

- Local
- Fátima
- País
- Portugal
- Ano
- 1917 (aparições); Capelinha das Aparições de 1919; basílica menor em 1954
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Em 13 de maio de 1917, três crianças que pastoreavam ovelhas na Cova da Iria, perto de Fátima — Lúcia de Jesus dos Santos, de 10 anos, e seus primos Francisco e Jacinta Marto, de 9 e 7 — afirmaram ter visto uma «Senhora mais brilhante que o sol», que segurava um terço branco. A aparição repetiu-se, segundo o relato dos pastorinhos, no dia 13 de cada mês entre maio e outubro daquele ano — com exceção de agosto, quando as crianças, detidas pelo administrador local do concelho, então hostil ao fenômeno, só puderam ver a Senhora em 19 de agosto, num local diferente.
As mensagens atribuídas à aparição insistiam na oração diária do terço pela paz e pelo fim da Primeira Guerra Mundial, na penitência e na conversão dos pecadores, e incluíam o que ficou conhecido como os «três segredos de Fátima»: uma visão do inferno, uma profecia associada à Segunda Guerra Mundial e à difusão dos erros da Rússia, e um terceiro segredo, de conteúdo mais enigmático, só tornado público pela Santa Sé em 2000 e interpretado por João Paulo II como relacionado ao atentado que sofreu em 1981. Em outubro, a Senhora identificou-se como «Nossa Senhora do Rosário».
O episódio mais célebre ocorreu em 13 de outubro de 1917, o chamado «Milagre do Sol»: diante de uma multidão estimada entre 30 mil e 100 mil pessoas — que incluía céticos, jornalistas e curiosos atraídos pela promessa anunciada de antemão de um sinal visível —, testemunhas relataram ver o sol girar, tremular e mudar de cor no céu, fenômeno registrado até pela imprensa não confessional da época.
O destino dos três pastorinhos marcou profundamente a devoção posterior: Francisco morreu em 1919 e Jacinta em 1920, ambos vítimas da pandemia de gripe espanhola ainda crianças; Lúcia tornou-se freira carmelita, vivendo sob o nome de Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado até sua morte em 2005, aos 97 anos. Francisco e Jacinta foram canonizados por Francisco em 2017, no centenário das aparições, tornando-se os santos não mártires mais jovens da história da Igreja; o processo de canonização de Lúcia está em andamento.
Uma pequena capela, a Capelinha das Aparições, foi erguida em 1919 exatamente sobre o local das visões; em torno dela cresceu ao longo das décadas seguintes a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, elevada a basílica menor pelo papa Pio XII em 1954, e mais tarde a moderna e ampla Basílica da Santíssima Trindade, inaugurada para o nonagésimo aniversário das aparições, em 2007. Lúcia, Francisco e Jacinta estão hoje sepultados na Basílica do Rosário. O santuário recebeu visitas de vários papas — Paulo VI em 1967, João Paulo II por três vezes (a de 1982 marcada por seu agradecimento pessoal a Nossa Senhora por ter sobrevivido ao atentado do ano anterior, cuja bala foi engastada na coroa da imagem), Bento XVI em 2010 e Francisco em 2017 — e recebe hoje milhões de peregrinos todos os anos, sobretudo nos aniversários mensais de 13 de maio e 13 de outubro.
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