Santuários
Basílica de Nossa Senhora do Rosário (Convento de São Domingos, Buenos Aires)
Antiga igreja e convento dominicano no centro histórico de Buenos Aires, marcada pela defesa da cidade contra as invasões inglesas e pelo túmulo do general Manuel Belgrano.
- Local
- Buenos Aires
- País
- Argentina
- Ano
- construção iniciada em 1751; igreja consagrada em 1783
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Os dominicanos instalaram-se no início do século XVIII no quarteirão do centro de Buenos Aires onde hoje se ergue seu templo e convento; a construção do edifício atual começou em 1751 sob projeto do arquiteto Antonio Masella, foi continuada a partir de 1762 por Francisco Álvarez e, desde 1774, por Manuel Álvarez de Rocha, sendo a igreja consagrada em 1783 — embora a cobertura e a torre esquerda tenham permanecido incompletas por décadas. De planta simples e três naves, com a nave central coberta por abóbada de berço e cúpula sobre o cruzeiro, o templo preserva o caráter sóbrio típico das igrejas coloniais rio-platenses.
O edifício foi palco direto das invasões inglesas de 1806 e 1807: durante a Segunda Invasão, tropas britânicas entrincheiraram-se na torre esquerda da igreja, e as marcas de tiros e de um projétil de canhão disparados pelos defensores portenhos durante a reconquista da cidade permanecem visíveis até hoje na alvenaria da torre. Diz a tradição que Santiago de Liniers, comandante da reconquista, prometera a Frei Gregório Torres que, se Nossa Senhora do Rosário lhe concedesse a vitória, doaria à igreja as bandeiras tomadas dos invasores ingleses; cumprida a promessa, as bandeiras foram entregues em 24 de agosto de 1806 e ainda hoje ficam expostas na nave lateral esquerda, ao lado de estandartes doados mais tarde pelo general Manuel Belgrano, provenientes de batalhas da guerra de independência argentina.
O próprio Belgrano — criador da bandeira argentina e membro da Ordem Terceira Dominicana — pediu em testamento ser sepultado nessa igreja; seu primeiro túmulo foi modesto, mas em 1903 inaugurou-se no átrio um imponente mausoléu, obra do escultor italiano Ettore Ximenes, que se tornou um dos monumentos cívicos mais visitados de Buenos Aires. Elevado à dignidade de basílica menor já no século XX, o templo permanece hoje, ao mesmo tempo, paróquia dominicana ativa, santuário mariano do Rosário e um dos marcos históricos mais carregados de simbolismo patriótico da capital argentina, unindo devoção mariana e memória da independência nacional.
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