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Santuários

Santuário de Nossa Senhora de Lourdes

Um dos maiores centros de peregrinação e de relatos de cura do mundo católico, no sul da França.

Santuário de Nossa Senhora de Lourdes
Foto: Dennis G. Jarvis (2014) — Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0
Local
Lourdes
País
França
Ano
1858 (aparições); basílicas erguidas entre 1876 e 1958

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Bernadette Soubirous nasceu em 1844 em Lourdes numa família muito pobre, que àquela altura vivia numa antiga cela de prisão desativada, o «cachot». Em 11 de fevereiro de 1858, aos 14 anos, Bernadette, então recolhendo lenha às margens do rio Gave junto com a irmã e uma amiga, viu numa reentrância rochosa da gruta de Massabielle uma jovem senhora vestida de branco, com uma faixa azul na cintura, rosas douradas nos pés e um terço nas mãos.

A aparição repetiu-se dezoito vezes entre fevereiro e julho daquele ano. Numa delas, a senhora pediu a Bernadette que cavasse o chão da gruta; do local brotou um fio de água barrenta que logo se tornou uma fonte perene, hoje associada a milhares de relatos de cura física e espiritual — dos quais o Bureau Médico Internacional de Lourdes, após rigorosa avaliação científica e canônica ao longo de mais de um século, reconheceu formalmente apenas cerca de setenta como inexplicáveis pela medicina. Em 25 de março, festa da Anunciação, a senhora revelou seu nome no dialeto occitano local: «Que soy era Immaculada Concepciou» («Eu sou a Imaculada Conceição») — frase de peso teológico que a jovem, sem instrução alguma, dificilmente conheceria por conta própria, uma vez que o dogma da Imaculada Conceição fora proclamado por Pio IX havia apenas quatro anos, em 1854.

As autoridades civis locais reagiram com desconfiança — o comissário de polícia Jacomet chegou a interrogar Bernadette na tentativa de fazê-la se contradizer —, e a própria hierarquia eclesiástica adotou inicialmente cautela. O bispo de Tarbes nomeou uma comissão canônica que investigou o caso por quatro anos antes de declarar, em 1862, que as aparições mereciam crédito e autorizar oficialmente o culto a Nossa Senhora de Lourdes.

Bernadette entrou em 1866, aos 22 anos, para a congregação das Irmãs da Caridade de Nevers, onde viveu de modo discreto e sofrido, agravada por asma crônica e tuberculose óssea, até morrer em 1879, aos 35 anos. Seu corpo foi exumado por três vezes ao longo do processo de canonização e encontrado em notável estado de conservação — hoje exposto numa urna de vidro em Nevers, com uma máscara de cera cobrindo rosto e mãos, conforme esclarecimento da própria Igreja sobre o estado da relíquia. Foi canonizada em 1933 pelo papa Pio XI.

Em torno da gruta ergueram-se, ao longo de décadas, sucessivas basílicas: a Basílica Superior da Imaculada Conceição, consagrada em 1876; a Basílica do Rosário, de 1889; e a monumental Basílica Subterrânea de São Pio X, inaugurada em 1958, com capacidade para 25 mil pessoas, uma das maiores estruturas eclesiásticas do mundo. O santuário recebe hoje entre quatro e seis milhões de peregrinos por ano — muitos doentes ou com deficiência, em busca das piscinas de água da fonte —, e é palco todas as noites de procissões marianas com velas que se tornaram famosas em todo o mundo católico. A rigorosa metodologia de verificação médico-teológica desenvolvida em Lourdes tornou-se, desde então, modelo de referência para a análise de curas atribuídas a intercessão sobrenatural em outros santuários.

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