Santuários
Basílica de São Paulo Fora dos Muros
Erguida sobre o túmulo tradicional de São Paulo Apóstolo, a quarta das basílicas papais maiores de Roma.

- Local
- Roma
- País
- Itália
- Ano
- basílica original do século IV; reconstruída após o incêndio de 1823 e consagrada em 1840
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O apóstolo Paulo, segundo a tradição, foi decapitado em Roma por volta dos anos 64-67, durante a perseguição de Nero, e sepultado num terreno à beira da Via Ostiense, fora do perímetro das muralhas da cidade. Sobre esse local, venerado desde então, Constantino mandou erguer uma primeira e modesta basílica, ampliada ao longo do século IV pelos imperadores Valentiniano II, Teodósio I, Arcádio e Honório até tornar-se um dos maiores templos cristãos então existentes — construção que, por seguir de perto a orientação do túmulo apostólico e das vias e diques do Tibre já existentes no terreno, teve de resolver desafios estruturais e de alinhamento pouco comuns para a época.
Diferentemente da antiga Basílica de São Pedro, demolida na Renascença para dar lugar ao templo atual, São Paulo Fora dos Muros conservou por mais de 1.400 anos praticamente intacta sua planta e estrutura de origem tardo-antiga, tornando-se a mais fiel testemunha arquitetônica do que teriam sido as grandes basílicas constantinianas de Roma — até a noite de 15 para 16 de julho de 1823, quando um incêndio, causado pela negligência de um operário que reparava a cobertura de chumbo do telhado, destruiu quase por completo o edifício e boa parte de seu acervo de arte paleocristã, bizantina, renascentista e barroca. Segundo relato popular, ainda hoje repetido mas de veracidade discutida pelos historiadores, os cardeais teriam ocultado a notícia da tragédia do papa Pio VII, então agonizante, para não lhe abreviar os últimos dias.
A reconstrução, que buscou reproduzir com a maior fidelidade possível a planta e a decoração anteriores ao incêndio, contou com doações de soberanos e comunidades católicas de todo o mundo — do vice-rei do Egito ao imperador do Brasil —, testemunho do prestígio universal do santuário; a nova basílica foi consagrada em 1840 pelo papa Gregório XVI, e o grande quadripórtico de entrada só ficaria pronto em 1928.
Um dos elementos mais conhecidos do interior é a série ininterrupta de medalhões em mosaico com o retrato de cada papa da história, tradição que remontaria ao papa Leão Magno, no século V, e que teve de ser inteiramente refeita depois do incêndio de 1823; uma lenda medieval, ainda hoje repetida por guias turísticos, afirma que o mundo terminará quando não houver mais espaço na basílica para o retrato de um novo papa. A basílica guarda ainda antigas portas de bronze bizantinas do século XI, doadas por um rico comerciante de Amalfi e fundidas por artesãos de Constantinopla, danificadas mas preservadas depois do incêndio.
Por sua dedicação ao «Apóstolo dos Gentios», a basílica é também palco tradicional de celebrações ecumênicas, entre elas a cerimônia de encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, celebrada todos os anos em 25 de janeiro, festa da Conversão de São Paulo.
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