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Basílica de São João de Latrão

Catedral do Papa como Bispo de Roma, a mais antiga das quatro basílicas papais maiores.

Basílica de São João de Latrão
Foto: Jean-François Capdet — Wikimedia Commons, CC BY 3.0
Local
Roma
País
Itália
Ano
basílica original inaugurada c. 324; fachada atual de 1735

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Depois de derrotar Maxêncio na batalha da Ponte Mílvia, em 312, o imperador Constantino confiscou as terras da família romana dos Laterani e doou-as ao papa Melquíades para que ali se erguesse a primeira grande basílica cristã pública de Roma, dedicada inicialmente ao Salvador e inaugurada por volta de 324 — mais antiga, portanto, do que a própria Basílica de São Pedro, e sé episcopal de Roma antes mesmo de o Vaticano tornar-se centro do catolicismo. É por essa razão que a inscrição na fachada a proclama «mãe e cabeça de todas as igrejas da cidade e do mundo» (omnium urbis et orbis ecclesiarum mater et caput): tecnicamente, é ali, e não em São Pedro, que se encontra a verdadeira cátedra do bispo de Roma.

Ao longo de quinze séculos, o edifício sofreu e superou sucessivas catástrofes: um terremoto quase o destruiu em 897, e dois grandes incêndios, em 1308 e 1361, obrigaram a reconstruções profundas custeadas pelos papas então residentes em Avinhão, apesar da distância. No século XVII, Francesco Borromini remodelou radicalmente o interior a pedido do papa Inocêncio X, e em 1735 o papa Clemente XII encomendou a Alessandro Galilei a monumental fachada barroca de travertino hoje existente, coroada por quinze estátuas colossais de Cristo e de santos fundadores de ordens religiosas.

Por sua centralidade institucional, a basílica sediou cinco dos concílios ecumênicos da Igreja, os chamados Concílios de Latrão (1123, 1139, 1179, 1215 e 1512-1517) — o quarto deles, em 1215, entre os mais decisivos da Idade Média, definiu a doutrina da transubstanciação eucarística e estabeleceu a obrigatoriedade da confissão e comunhão pascal anuais para todo fiel.

Ao lado da basílica ergue-se a Escada Santa, tradicionalmente identificada com os degraus do pretório de Pôncio Pilatos em Jerusalém, que Jesus teria subido durante sua Paixão e que Santa Helena, mãe de Constantino, teria trazido a Roma; peregrinos ainda hoje sobem seus 28 degraus de joelhos, em sinal de penitência. No alto da escada situa-se a capela do Sancta Sanctorum, antiga capela privada dos papas, que guarda o ícone do «Acheropita», imagem de Cristo tradicionalmente tida como «não feita por mãos humanas».

O complexo do Latrão — basílica, batistério octogonal do século IV (um dos mais antigos ainda em uso) e o antigo Palácio de Latrão — foi residência oficial dos papas por quase mil anos, até a mudança para Avinhão no século XIV e, depois, para o Vaticano. Foi também no Palácio de Latrão que, em 1929, o cardeal Pietro Gasparri e Benito Mussolini assinaram os Pactos de Latrão, que puseram fim à «questão romana», criaram o Estado da Cidade do Vaticano e reconheceram à basílica e a outros edifícios eclesiásticos de Roma um estatuto de extraterritorialidade.

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