Santuários
Basílica de São Pedro
A principal igreja da cristandade católica, erguida sobre o túmulo tradicional de São Pedro no Vaticano.

- Local
- Cidade do Vaticano
- País
- Vaticano
- Ano
- basílica constantiniana c. 319-329; atual reconstruída entre 1506 e 1626
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A primeira basílica de São Pedro foi erguida entre cerca de 319 e 329 por ordem do imperador Constantino, sobre o Vaticano, colina à margem direita do Tibre onde funcionara o circo de Nero e onde a tradição mais antiga situa o martírio e o sepultamento do apóstolo Pedro, crucificado de cabeça para baixo por volta do ano 64 ou 67. Os construtores enfrentaram um desafio de engenharia considerável — foi preciso escavar e aterrar parte da encosta e nivelar um cemitério romano pagão preexistente — precisamente para que o altar da nova igreja ficasse posicionado diretamente sobre o túmulo venerado do apóstolo, sinal de que o local do sepulcro, e não a conveniência arquitetônica, ditou toda a planta do edifício.
Quinze séculos depois, a antiga basílica constantiniana encontrava-se em avançado estado de deterioração estrutural, e o papa Júlio II decidiu, em 1506, demoli-la e reconstruí-la por completo, lançando a pedra fundamental de um projeto confiado ao arquiteto Donato Bramante, que concebeu uma planta em cruz grega coroada por uma imensa cúpula. A obra, que se estenderia por mais de um século sob doze papas diferentes, passou por sucessivos arquitetos — Rafael, Fra Giocondo, Antonio da Sangallo, o Jovem — até que, em 1547, já com 71 anos, Michelangelo assumiu a direção dos trabalhos, simplificou o projeto de volta à planta centralizada de Bramante e redesenhou a cúpula que se tornaria o símbolo mais reconhecível de Roma; morreu em 1564 sem vê-la concluída, tarefa que coube a Giacomo della Porta e Domenico Fontana, que a completaram em 1590. Carlo Maderno prolongou depois a nave para o formato de cruz latina e ergueu a fachada atual, dando por encerrada a construção em 1626 — exatos 1.300 anos após a dedicação da basílica original.
Entre 1656 e 1667, Gian Lorenzo Bernini completou o conjunto com a monumental colunata elíptica da Praça de São Pedro, concebida como os «braços maternos da Igreja» que acolhem os fiéis, o baldaquino de bronze sobre o altar-mor — parte do metal, segundo tradição controversa, retirado do pórtico do Panteão — e a Cátedra de São Pedro no abside. A basílica guarda ainda a «Pietà» de Michelangelo (1499), única obra que o artista assinou, esculpida quando tinha apenas 24 anos.
A confirmação arqueológica da tradição sobre o túmulo de Pedro veio apenas no século XX: a partir de 1939, o papa Pio XII autorizou escavações sob a basílica que revelaram uma necrópole romana dos séculos I a IV, com um pequeno monumento do século II (o «trófeo de Gaio») erguido exatamente no ponto indicado pela tradição como sepultura do apóstolo. Em 1968, o papa Paulo VI anunciou que ossadas encontradas junto a esse monumento eram, com razoável probabilidade, atribuíveis a Pedro.
Maior igreja do mundo católico em área interna e uma das quatro basílicas papais maiores de Roma, São Pedro é hoje palco das principais celebrações do papa — canonizações, ordenações episcopais, a missa de Natal e a bênção «urbi et orbi» — e da apresentação de cada novo pontífice na loggia central da fachada após sua eleição no Vaticano.
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