Crisma
A Igreja é santa
A Igreja é santa porque Cristo, seu fundador, é santo, embora seus membros continuem pecadores em caminho de conversão.

- Parágrafos
- CIC 823-829
Tamanho do texto
O Catecismo, nos números 823 a 829, ensina que a Igreja é «indefectivelmente santa» porque une-se a Cristo, seu Esposo, que se entregou por ela «para santificá-la» (Ef 5,25-26), e porque o Espírito Santo a vivifica com a vida de Deus. A santidade não é, pois, uma conquista dos seus membros, mas um dom que vem da união com Cristo. O Concílio Vaticano II retoma exatamente esse ensinamento no capítulo V da constituição Lumen Gentium («A vocação de todos à santidade na Igreja»), ao afirmar: «A nossa fé crê que a Igreja... é indefectivelmente santa. Com efeito, Cristo, Filho de Deus... amou a Igreja como esposa, entregou-Se por ela para a santificar e uniu-a a Si como Seu corpo».
Ao mesmo tempo, a Igreja reconhece em seu seio a presença do pecado: por isso é «ao mesmo tempo santa e sempre necessitada de purificação», caminhando continuamente em penitência e renovação (CIC 827). O número 827 cita Santo Agostinho, que comparou a Igreja a uma rede que recolhe peixes bons e maus, e à era que separa o trigo da palha: o pecado existe nos seus membros, mas não anula a santidade de Cristo que a sustenta. Vale a pena uma precisão histórica frequentemente mal repetida: a expressão «casta meretrix» (literalmente «meretriz casta») é um oximoro cunhado por Santo Ambrósio no seu Comentário ao Evangelho de São Lucas, aplicado à figura de Raab, e não uma designação corrente dos Padres para a Igreja — trata-se, na verdade, de um hapax da literatura patrística, e não da fórmula habitual com que a tradição fala da Igreja.
O mesmo número 827 articula a tensão de modo exato: «Enquanto Cristo, santo e inocente, sem mancha, não conheceu o pecado, mas veio somente expiar os pecados do povo, a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se». Por isso os teólogos falam da Ecclesia semper reformanda — a Igreja que, santa em Cristo, se converte sem cessar nos seus membros.
A santidade da Igreja resplandece de modo eminente em Maria e nos santos. O número 829 afirma que «na pessoa da Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição sem mancha nem ruga que lhe é própria», enquanto os demais fiéis «têm ainda de trabalhar para crescer em santidade»: em Maria, a Igreja é já plenamente santa. Os santos, por sua vez, mostram que a graça de Cristo transforma realmente vidas humanas concretas. É por isso que a catequese de Crisma apresenta a vida dos santos como testemunho de que a santidade não é ideal inatingível, mas caminho aberto a todo batizado — tema que o Concílio formulou ao lembrar que «todos na Igreja, quer pertençam à Hierarquia quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade» (Lumen Gentium, 39).
Continue sua leitura

Fama de Santidade
Beatos e Canonização
Reputação pública e espontânea, entre os fiéis, de que uma pessoa falecida viveu de modo heroico as virtudes cristãs ou morreu mártir — requisito prévio de toda causa.

O Pai-Nosso: primeira petição — «Santificado seja o vosso nome»
Catecismo
O comentário do Catecismo à primeira petição do Pai-Nosso: o pedido de que o nome de Deus seja reconhecido como santo em nós e em todo o mundo, e a ligação dessa santificação ao Batismo.
"Nihil Obstat" para a Abertura da Causa
Beatos e Canonização
Antes de aceitar o pedido de abertura de uma causa, o bispo diocesano deve consultar o Dicastério para as Causas dos Santos e obter seu "nihil obstat" — a confirmação de que Roma não vê impedimento algum. Trata-se de uma declaração negativa de impedimentos, não de uma aprovação positiva da santidade.

A Dispensa do Quinquênio
Beatos e Canonização
Por norma, aguardam-se cinco anos após a morte do candidato antes de apresentar o libelo para abrir sua causa; em casos excepcionais, o Papa dispensa esse prazo e permite que a causa seja aberta quase imediatamente.
