Catecismo · Parte 48
O Pai-Nosso: primeira petição — «Santificado seja o vosso nome»
O comentário do Catecismo à primeira petição do Pai-Nosso: o pedido de que o nome de Deus seja reconhecido como santo em nós e em todo o mundo, e a ligação dessa santificação ao Batismo.

- Parte
- 48
- Parágrafos
- CIC 2807-2815
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O Catecismo comenta a primeira das sete petições do Pai-Nosso nos parágrafos 2807-2815, na Quarta Parte, Seção II, Artigo 3. Antes de tudo observa que, embora o nome de Deus seja santo em si mesmo, «A palavra “santificar” deve ser entendida, aqui, antes de mais, não no seu sentido causativo (só Deus santifica, torna santo), mas sobretudo num sentido estimativo: reconhecer como santo, tratar de um modo santo». Esta invocação é, por isso, também entendida na adoração como louvor e ação de graças. Rezando-a, o crente entra no desígnio de Deus de santificar o seu nome — revelado a Moisés e depois em Jesus — «por nós e em nós, bem como em todas as nações e em cada homem» (n. 2858; cf. Ez 36,23).
O texto apoia-se na tradição patrística. Cita São Cipriano de Cartago (c. 200-258), bispo e mártir, em seu tratado sobre a oração do Senhor: «Por quem poderia Deus ser santificado se é Ele próprio quem santifica? Mas porque Ele mesmo disse: “sede santos, porque Eu sou santo”, nós que fomos santificados no Batismo, pedimos e rogamos para perseverar no que começámos a ser. E isso nós o pedimos todos os dias. Precisamos de uma santificação quotidiana para que, incorrendo em faltas todos os dias, todos os dias sejamos delas purificados por uma santificação assídua. Portanto, oramos para que esta santificação permaneça em nós». O Catecismo sublinha ainda que não dizemos «santificado seja o vosso nome em nós», mas simplesmente «o vosso nome», porque pedimos que seja santificado em todos os homens — como rezava Santo Agostinho, para quem a petição inclui os que ainda hão de crer.
A petição é inseparavelmente ligada à vida e à oração do crente: dela depende que o nome de Deus seja santificado entre as nações. É a primeira das três petições «mais teologais», que têm por objeto a glória do Pai (nn. 2803-2806). O Catecismo recorda que a oração que fazemos ao Pai é nossa se for rezada «em nome» de Jesus, e cita a oração sacerdotal de Cristo: «Pai santo, guarda em teu nome aqueles que Me deste» (Jo 17,11). O Batismo, que nos incorporou a Cristo e nos fez santos, é o fundamento dessa santificação a perseverar; o Catecismo conecta o pedido ao desejo de que a consagração batismal vivifique toda a nossa vida (cf. 1Ts 4,7).
O contexto mais amplo da Quarta Parte explica que São Lucas conservou um texto breve do Pai-Nosso (cinco petições) e São Mateus uma versão mais desenvolvida (sete petições), e que a tradição litúrgica da Igreja reteve o texto de Mateus (Mt 6,9-13; n. 2759). Santo Tomás de Aquino, citado pelo Catecismo (n. 2763), ensina que a Oração Dominical «é a mais perfeita das orações», pois nela «não só pedimos tudo quanto podemos retamente desejar, mas também segundo a ordem em que convém desejá-lo».
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