Ir para o conteúdo
Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
Acender uma vela

Catecismo · Parte 50

O Pai-Nosso: terceira petição — «Seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu»

O comentário do Catecismo à terceira petição: pedir que a vontade salvífica de Deus se cumpra em nós e no mundo, à imagem da obediência de Cristo no Getsêmani.

O Pai-Nosso: terceira petição — «Seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu»
Parte
50
Parágrafos
CIC 2822-2827

Tamanho do texto

Nos números 2822-2827, o Catecismo comenta a terceira petição do Pai-Nosso. Começa pela afirmação de que a vontade do Pai é salvífica e universal: é vontade de Deus «que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2,3-4), pois Ele «usa de paciência [...], não querendo que ninguém se perca» (2 Pe 3,9). E acrescenta que o mandamento que «resume todos os outros e nos diz toda a sua vontade» é «que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou» (n. 2822).

O texto distingue então dois planos da vontade divina. Há a vontade de Deus «manifestada no mistério da sua vontade, segundo o beneplácito que nele de antemão estabeleceu [...]: instaurar todas as coisas em Cristo» (Ef 1,9-11) — o desígnio eterno de recapitular tudo em Cristo, que pedimos se realize «por completo na terra, como já se cumpre no céu» (n. 2823). E há o cumprimento histórico desse desígnio na vontade humana de Cristo: «Foi em Cristo e pela sua vontade humana que a vontade do Pai se cumpriu perfeitamente e duma vez para sempre» (n. 2824), pois ao entrar no mundo Ele disse: «Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade» (Heb 10,7).

O ponto central da terceira petição é a oração da agonia no Getsêmani. Jesus, que podia dizer «Faço sempre o que é do seu agrado» (Jo 8,29), na hora da Paixão conforma-se totalmente com a vontade do Pai: «Não se faça a minha vontade, mas a tua» (Lc 22,42). O Catecismo vê nesse «sim» o modelo da petição: pedimos que a nossa vontade seja unida à de Cristo para que se cumpra o plano de salvação. Reconhece, porém, a nossa impotência: «Somos radicalmente impotentes para tal, mas unidos a Jesus e com o poder do seu Espírito Santo, podemos entregar-Lhe a nossa vontade e decidir escolher o que o seu Filho sempre escolheu» (n. 2825). «Aderindo a Cristo, podemos tornar-nos um só espírito com Ele e assim cumprir a sua vontade; desse modo, ela será feita na terra como no céu.»

A última parte refere-se ao discernimento e à dimensão eclesial e universal da petição. É pela oração que «podemos discernir qual é a vontade de Deus e obter perseverança para a cumprir» (n. 2826), pois não se entra no Reino «por palavras, mas fazendo a vontade do meu Pai que está nos céus» (Mt 7,21). E o Catecismo sublinha que a petição é feita em comunhão com a Igreja, «com a santíssima Mãe de Deus e com todos os santos», e que seu alcance é cósmico, não individualista — como diz a citação patrística recolhida no n. 2827: Jesus «não diz 'seja feita a vossa vontade' em mim ou em vós, mas 'em toda a terra': para que dela seja banido o erro e nela reine a verdade, o vício seja destruído e a virtude refloresça, e para que a terra deixe de ser diferente do céu». Nessa linha, o Comentário do Catecismo rompe com qualquer leitura de pura resignação passiva: trata-se de um discernimento ativo e amoroso, unindo a oração dos fiéis ainda na terra ao «sim» já pleno dos santos no Céu.

Temas relacionados

Cada tema abre a busca por ele em todas as categorias do acervo.

Fontes

  • Catecismo da Igreja Católica, Quarta Parte, Seção II, Artigo 3, nn. 2822-2827 (texto oficial, Santa Sé)
  • 1 Tm 2,3-4; 2 Pe 3,9; Ef 1,9-11; Heb 10,7; Lc 22,42; Mt 7,21
  • Santo Agostinho, Carta 130 a Proba (comentário às petições do Pai-Nosso)

Continue sua leitura

← Todas as entradas de Catecismo