Catecismo · Parte 49
O Pai-Nosso: segunda petição — «Venha a nós o vosso Reino»
O comentário do Catecismo à segunda petição do Pai-Nosso: o pedido pela vinda definitiva do Reino de Deus, já presente mas ainda por consumar, e o «Maranathá» da Igreja.

- Parte
- 49
- Parágrafos
- CIC 2816-2821
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O Catecismo comenta a segunda petição do Pai-Nosso nos parágrafos 2816-2821, na Quarta Parte, Seção II, Artigo 3. Começa por notar que, no Novo Testamento, o mesmo termo grego «basileia» pode traduzir-se por realeza (nome abstrato), reino (nome concreto) ou reinado (nome de ação), o que já indica a riqueza e a ambiguidade da expressão «Reino de Deus». O Reino está diante de nós: aproximou-se no Verbo encarnado, foi anunciado ao longo de todo o Evangelho e veio na morte e ressurreição de Cristo; vem desde a santa Ceia e, na Eucaristia, está no meio de nós. Virá, porém, na glória, quando Cristo o entregar a seu Pai. O Catecismo acolhe aqui a interpretação de que o próprio Reino pode significar o Cristo em pessoa, «a Quem todos os dias desejamos que venha e cuja Vinda queremos que aconteça depressa», pois, como Ele é a nossa ressurreição, assim «pode ser Ele próprio o Reino de Deus, porque n'Ele reinaremos».
Esta petição é identificada com o «Maranathá», o clamor do Espírito e da Esposa: «Vem, Senhor Jesus!» (1Cor 16,22; Ap 22,20). O Catecismo observa que, mesmo sem o dever imposto por esta oração, teríamos espontaneamente soltado este grito, com pressa de abraçar o objeto da nossa esperança. Aí reside a tensão escatológica central: o Reino já está presente na graça e na Eucaristia, mas ainda não chegou à plenitude — o «já» e o «ainda não» da teologia do Reino.
O texto acentua também a dimensão moral e o discernimento. Cita Rm 14,17 — «O Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo» — e observa que só um coração puro pode dizer com confiança «Venha a nós o vosso Reino»; é preciso ter aprendido com Paulo a dizer: «Que o pecado não impere mais em vosso corpo mortal» (Rm 6,12). Os cristãos devem, por discernimento no Espírito, distinguir entre o crescimento do Reino de Deus e o progresso da cultura e da sociedade, sem separar uma coisa da outra: a vocação do homem à vida eterna não suprime, antes reforça, o dever de aplicar as energias e os meios recebidos do Criador ao serviço da justiça e da paz neste mundo (n. 2820).
O Catecismo lembra que esta petição é feita e atendida na oração de Jesus, presente e eficaz na Eucaristia, e que, entre as sete petições, esta — como as demais — é sustentada pela oração de Cristo. O Compêndio do Catecismo (n. 590) resume: a Igreja pede a vinda final do Reino pelo regresso de Cristo na glória, mas reza também para que o Reino cresça «já hoje», graças à santificação dos homens no Espírito e ao empenho pela justiça e pela paz. No fundo, o comentário recolhe uma controvérsia da teologia moderna sobre a natureza do Reino — entre as leituras que sublinham a sua dimensão futura e as que a acentuam presente — e resolve-a na doutrina de que o Reino veio com Cristo, permanece no mistério da Igreja e se consumará na glória.
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