Ciência e Fé
Francesco Maria Grimaldi
Sacerdote jesuíta italiano (1618-1663) que descobriu e nomeou a difração da luz, abrindo caminho para a teoria ondulatória, e que, com o confrade Giovanni Battista Riccioli, fez medições pioneiras da gravidade e do relevo lunar.

- Tipo
- Cientista
- Área
- Óptica e astronomia
- Século
- século XVII
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Francesco Maria Grimaldi nasceu em Bolonha a 2 de abril de 1618, filho de Paride Grimaldi e Anna Cattani. Após a morte do pai, ingressou na Companhia de Jesus em 1632 e foi ordenado sacerdote. Ensinou humanidades e, mais tarde, matemática e astronomia no colégio jesuíta de Bolonha, dedicando-se à investigação experimental até falecer na mesma cidade, a 28 de dezembro de 1663, aos 45 anos, depois de oito dias de febre.
A sua contribuição mais célebre é a descoberta do fenômeno da difração da luz. Num quarto escurecido, fazendo entrar um estreito feixe de luz solar por uma pequena abertura e observando as sombras projetadas numa tela por objetos de formas variadas, Grimaldi notou que dentro da zona de sombra apareciam franjas tênues de luz e, na zona iluminada, franjas tênues de sombra. Concluiu que a luz, ao atravessar o orifício, não se propagava em linha rigorosamente retilínea, mas tomava a forma de um cone. Foi ele próprio quem cunhou o termo "difração" e quem mediu com cuidado o número, a intensidade e a coloração dessas franjas.
Tais observações, publicadas postumamente em 1665 na obra "Physico-mathesis de lumine, coloribus et iride, aliisque annexis" (Bolonha, tipografia do herdeiro de Vittorio Benacci, à custa de Girolamo Bernia), foram o único livro que Grimaldi publicou. No texto, ele discutia se a luz seria uma substância ou um acidente e defendia que a cor estaria associada a ondulações de um fluido sutil. Ainda que a explicação teórica só viesse com Thomas Young e Augustin-Jean Fresnel no início do século XIX, o trabalho de Grimaldi serviu de base documental para a teoria ondulatória — Christiaan Huygens usou-o como evidência de que a luz era uma onda. O livro inclui um breve elogio fúnebre de Grimaldi escrito por Riccioli.
Além da óptica, Grimaldi trabalhou em estreita colaboração com o confrade Giovanni Battista Riccioli: juntos foram dos primeiros a obter medições acuradas da aceleração da gravidade na superfície terrestre e a elaborar mapas do relevo da Lua, batizando acidentes selenográficos com nomes hoje consagrados. Em sua honra, a cratera lunar Grimaldi e o asteroide 129743 Grimaldi receberam o seu nome. A sua trajetória ilustra como a observação rigorosa e o ministério sacerdotal puderam coexistir na ciência do século XVII.
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