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Ciência e Fé

Angelo Secchi

Padre jesuíta italiano, diretor do Observatório do Colégio Romano e pioneiro da espectroscopia estelar, autor da primeira classificação espectral sistemática das estrelas.

Angelo Secchi
Tipo
Cientista
Área
astronomia
Século
XIX

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Nascido em Reggio Emilia, na Itália, em 28 de junho de 1818, Angelo Secchi ingressou na Companhia de Jesus ainda adolescente, por volta dos quinze anos, revelando desde cedo talento excepcional para a matemática e as ciências físicas ao lado de sua formação filosófica e teológica. Lecionou física e matemática no Colégio Romano (a principal instituição de ensino superior dos jesuítas em Roma) já a partir de 1839, e foi ordenado sacerdote em 12 de setembro de 1847. As convulsões políticas que sacudiram os Estados Papais e boa parte da Itália em 1848, com a proclamação da efêmera República Romana e a expulsão dos jesuítas da cidade, obrigaram-no a deixar Roma. Exilou-se primeiro em Stonyhurst, na Inglaterra, onde conviveu com o astrônomo jesuíta Alfred Weld, e em seguida nos Estados Unidos, lecionando ciências naturais no colégio jesuíta de Georgetown, perto de Washington. Ali encontrou Matthew Fontaine Maury, primeiro diretor do Observatório Naval dos Estados Unidos, que o introduziu às teorias contemporâneas da dinâmica atmosférica e com quem manteria correspondência por muitos anos — contato que despertaria seu interesse duradouro pela meteorologia. De volta à Europa e depois a Roma, tornou-se em 1850 diretor do Observatório do Colégio Romano, aos 32 anos, por recomendação de seu falecido colega Francesco de Vico.

Sua nomeação enfrentou críticas iniciais: como não era conhecido sobretudo como astrônomo, temia-se que fizesse física e não astronomia. Os receios mostraram-se infundados. Em 1853, sob sua direção, o antigo e decadente observatório foi transferido para uma nova instalação no alto da igreja de Santo Inácio (a capela do colégio), onde Secchi trabalhou até o fim da vida. Manteve-se no cargo mesmo depois de 1870, quando a anexação de Roma ao recém-unificado Reino da Itália extinguiu o poder temporal papal: em 1873, o colégio foi declarado propriedade do governo italiano e, quando este tentou tomar também o observatório, Secchi protestou energicamente e ameaçou deixar o posto por ofertas de observatórios estrangeiros. Recusou cargos científicos e dignidades políticas oferecidos pelo governo, por não querer prestar lealdade ao Reino em lugar do Papa; o governo não ousou interferir, e ele continuou como diretor até morrer, em Roma, a 26 de fevereiro de 1878, aos 59 anos.

É considerado um dos fundadores da astrofísica e, mais especificamente, o fundador da espectroscopia estelar: ao acoplar um espectroscópio à ocular de um telescópio, tornou-se o primeiro astrônomo a empreender um levantamento sistemático dos espectros luminosos das estrelas, chegando a reunir, entre 1863 e 1867, cerca de 4.000 espectrogramas estelares. A partir das diferenças observadas nesses espectros, propôs em 1866 um sistema pioneiro de classificação em classes — as “classes de Secchi” —, que originalmente eram quatro e depois foram ampliadas para cinco, com a inclusão de estrelas cujo espectro apresenta linhas de hidrogênio em emissão, como Gama Cassiopeiae. Ao reconhecer as bandas moleculares de radicais de carbono no espectro de certas estrelas, tornou-se também o descobridor das estrelas de carbono, que constituíram uma de suas classes espectrais. Foi ainda um dos primeiros cientistas a afirmar com autoridade que o Sol é uma estrela. Seu esquema classificatório prevaleceu por boa parte da segunda metade do século XIX e abriu caminho para o sistema de classificчação espectral de Harvard, desenvolvido no início do século XX pelas astrônomas do Observatório do Harvard College — entre elas Annie Jump Cannon e Antonia Maury —, cuja sequência de letras (OBAFGKM) ainda hoje é usada pela astronomia moderna.

Entre suas outras contribuições científicas estão a descoberta das espículas solares, finas estruturas de gás em erupção na atmosfera do Sol; o estudo pioneiro da estrutura granular da fotosfera solar; o registro de erupções e manchas solares; e expedições para observar eclipses solares em 1860 e 1870, nas quais demonstrou que a coroa e as proeminências coroais fazem parte do próprio Sol e não são artefatos do eclipse. Foi também o primeiro astrofísico a sugerir que o núcleo solar se encontra em estado gasoso, com a temperatura decrescendo do centro para a superfície. No campo da meteorologia, desenvolveu um meteorógrafo capaz de registrar automaticamente múltiplas variáveis climáticas simultâneas, adotado por diversos observatórios europeus da época, e no campo da hidrologia criou o “disco de Secchi”, ainda hoje utilizado para medir a transparência de corpos d'água: em 1865, realizou uma série de experimentos com discos de tamanhos variados, chegando a usar modelos de até 3,7 metros de diâmetro, para determinar os parâmetros ideais dessa medição. Foi eleito membro da American Philosophical Society (1860) e de academias como a Royal Society e a Académie des Sciences, além de presidir por muitos anos a Accademia dei Nuovi Lincei.

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Fontes

  • https://en.wikipedia.org/wiki/Angelo_Secchi
  • https://it.wikipedia.org/wiki/Angelo_Secchi
  • https://www2.hao.ucar.edu/education/scientists/angelo-secchi-1818-1878
  • https://joachimweise.github.io/post/2020-11-12-classification-stellar-spectra
  • https://www.lindahall.org/about/news/scientist-of-the-day/angelo-secchi-2
  • https://catholicscientists.org/scientists-of-the-past/angelo-secchi

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