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Ciência e Fé

Niels Stensen (Nicolau Stenon)

Cientista dinamarquês convertido ao catolicismo, ordenado sacerdote e depois bispo, considerado o pai da estratigrafia e da geologia moderna.

Niels Stensen (Nicolau Stenon)
Tipo
Cientista
Área
geologia / anatomia
Século
XVII

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Niels Stensen — latinizado como Nicolau Stenon (Nicolaus Stenonius) — nasceu em Copenhague em 11 de janeiro de 1638 (1º de janeiro pelo calendário antigo), filho de um ourives luterano. Formou-se em medicina na Universidade de Copenhague e completou sua formação em importantes centros médicos da Europa, entre eles Amsterdã e Leiden, então na vanguarda da anatomia experimental. Já em 1660, ainda estudante em Amsterdã, fez sua primeira grande descoberta anatômica: identificou o ducto excretor da glândula parótida — a maior das glândulas salivares —, hoje conhecido internacionalmente como “ducto de Stenon” em sua homenagem. Suas dissecações revelaram ainda detalhes pioneiros do sistema muscular — para demonstrar que um músculo em contração muda de forma, mas não de volume, usou geometria — e do sistema nervoso, a ponto de ser considerado um dos primeiros a avançar na neurociência; mais tarde, ao ser nomeado Anatomicus Regius em Copenhague (1671), faria a primeira descrição do que hoje se chama de tetralogia de Fallot. Em 1665 fixou-se na Itália, sob proteção do grão-duque da Toscana Ferdinando II de Médici, que o nomeou para um posto hospitalar com amplo tempo para a pesquisa e o integrou à Accademia del Cimento, grupo de investigadores inspirados pelo método experimental e matemático de Galileu.

Na Itália aprofundou-se também no estudo de rochas e fósseis, motivado sobretudo pela investigação da origem de estranhos objetos em forma de dente encontrados no interior de rochas, as “línguas de pedra” (glossopetrae). A crença corrente então era de que se trataria de línguas de serpentes petrificadas por São Paulo quando este esteve na ilha de Malta. Em outubro de 1666, dois pescadores capturaram perto de Livorno um enorme tubarão branco, e o grão-duque ordenou que sua cabeça fosse levada pelo rio Arno até Florença para que Stensen a dissecasse. Ao comparar os dentes do animal com as glossopetrae, Stensen concluiu corretamente que essas pedras eram, na verdade, dentes fossilizados de tubarões antigos — um dos primeiros reconhecimentos científicos claros da natureza orgânica dos fósseis, publicado em 1667 sob o título “Canis carchariae dissectum caput” (“A cabeça de um tubarão dissecada”), que lançou as bases da paleontologia moderna. A partir dessa investigação, publicou em 1669, em Florença, o pequeno mas influente tratado “De solido intra solidum naturaliter contento dissertationis prodromus”, no qual formulou os princípios hoje reconhecidos como fundadores da estratigrafia e da geologia moderna: a lei da superposição (em sequências rochosas não perturbadas, as camadas mais antigas ficam sob as mais recentes), o princípio da horizontalidade original (os sedimentos se depositam originalmente em camadas horizontais) e o princípio da continuidade lateral — os três pilares metodológicos que permitiriam, séculos depois, reconstruir a história geológica da Terra a partir da leitura ordenada de suas rochas. Foi seu último grande trabalho científico.

Em 1667, ainda em plena atividade científica, Stensen converteu-se do luteranismo ao catolicismo em Florença, decisão tomada após intenso estudo teológico pessoal e debates com clérigos católicos e protestantes. A conversão marcou o início de um afastamento progressivo da pesquisa científica ativa e de uma crescente entrega à teologia: no início de 1675 decidiu tornar-se sacerdote, sendo ordenado no Domingo de Páscoa daquele ano. Em 1677 foi nomeado bispo pelo papa Inocêncio XI — titular de Titópolis e vigário apostólico das Missões Nórdicas — e enviado como missionário ao norte da Alemanha e à Escandinávia, região então majoritariamente protestante, onde desempenhou papel ativo na Contrarreforma. Viveu os últimos anos em condições de extrema pobreza voluntária, vendendo seus próprios bens para socorrer os pobres de sua diocese e sofrendo perseguições e privações em seu trabalho pastoral itinerante. Morreu em Schwerin, no norte da Alemanha, em 25 de novembro de 1686 (5 de dezembro pelo calendário novo, data em que hoje é liturgicamente lembrado). Seus restos mortais repousam na Basílica de São Lourenço, em Florença. Beatificado pelo papa João Paulo II em 23 de outubro de 1988 — após um processo de canonização iniciado já em 1938 —, Stensen é hoje lembrado tanto como “pai da estratigrafia” quanto como símbolo, deliberadamente promovido pela Igreja, da compatibilidade entre rigor científico exigente e vida de fé radical; em cidades universitárias do norte da Alemanha, casas de estudantes e instituições católicas levam seu nome.

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Fontes

  • https://en.wikipedia.org/wiki/Nicolas_Steno
  • https://inters.org/files/perrinietal2010_onstensen.pdf
  • https://ucmp.berkeley.edu/history/steno.html
  • https://pure.mpg.de/rest/items/item_3618846/component/file_3621725/content
  • https://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2594-21662024000300896&lng=es&nrm=iso&tlng=en

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