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Catedrais e Basílicas

Hagia Sophia (Santa Sofia, Constantinopla)

A 'Igreja da Santa Sabedoria', catedral da Constantinopla bizantina, concluída por Justiniano em 537 e maior catedral do mundo por quase mil anos; sua cúpula inaugurou o uso pleno da pendente e é considerada o marco máximo da arquitetura bizantina.

Hagia Sophia (Santa Sofia, Constantinopla)
Tipo
Igreja histórica
Cidade
Istambul
País
Turquia
Conclusão
537
Estilo
Bizantino (com acréscimos otomanos)

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A Hagia Sophia (em grego, 'Santa Sabedoria', título que designa o próprio Cristo, segunda pessoa da Trindade; em turco, Ayasofya) ergue-se no bairro de Fatih, em Istambul, sobre o sítio onde se sucederam três igrejas desde o século IV. A primeira, dedicada em 360 no reinado de Constâncio II, e a segunda, de 415, foram destruídas por incêndios; após a revolta de Nika, em 532, o imperador Justiniano I decidiu construir um templo sem precedentes. Confiou o projeto a dois homens formados como mecanikoi — teóricos da geometria e da mecânica, e não mestres pedreiros comuns: Antêmio de Tralles, autor de tratados sobre cônicas, e Isidoro de Mileto, editor de Arquimedes. A obra foi erguida em apenas cerca de cinco anos, de 532 a 537.

O grande feito técnico da Hagia Sophia é a cúpula central assentada sobre pendentes — o recurso geométrico em forma de triângulo curvo que faz a transição de uma base quadrada para o círculo da cúpula, transmitindo o peso às quatro grandes pilastras. Com diâmetro de aproximadamente 31 a 33 metros e coroa a cerca de 55 metros do piso, a cúpula tem na base uma coroa de quarenta janelas que faz parecer flutuar sobre a luz. A estrutura original, de tijolo e argamassa sobre pedra, sofreu colapsos: a primeira cúpula, demasiado rasa, desabou após um terremoto em 558 e foi refeita por Isidoro o Jovem entre 558 e 562, ganhando a forma atual mais alta e com nervuras. O edifício mede cerca de 82 metros de comprimento por 73 de largura, e reúne materiais de todo o império. A decoração interna de ouro, mármores e mosaicos valeu-lhe a fama de ter 'mudado a história da arquitetura'.

Como catedral da Constantinopla bizantina e sede do patriarcado ecumênico, a Hagia Sophia foi o templo central da cristandade grega de 537 até 1453, salvo a interrupção de 1204 a 1261, quando os cruzados latinos da Quarta Cruzada impuseram ali um culto católico. Pela quase mil anos permaneceu a maior catedral do mundo, até ser superada pela conclusão da Catedral de Sevilha, já no início do século XVI. Nela ocorriam as grandes liturgias imperiais; o poeta Paulo o Silencioso compôs uma célebre descrição (ekphrasis) para a sua rededicação em 562.

Após a queda de Constantinopla em 1453, Maomé II converteu o templo em mesquita, acrescentando-lhe minaretes e elementos islâmicos, e os mosaicos figurativos foram gradualmente cobertos com reboco ou cal. Em 1934 um decreto do governo de Mustafa Kemal Atatürk encerrou o uso religioso; a Hagia Sophia abriu como museu em 1935, quando os mosaicos bizantinos voltaram a ser revelados. Em 10 de julho de 2020 o Conselho de Estado turco anulou aquele decreto e um novo decreto presidencial reabriu o edifício ao culto muçulmano, com as primeiras orações realizadas em 24 de julho de 2020 — decisão contestada por autoridades cristãs e pela UNESCO. O conjunto integra, desde 1985, o Patrimônio Mundial 'Áreas Históricas de Istambul'.

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Fontes

  • Wikipedia (EN), 'Hagia Sophia' - dados de construção, arquitetos, cúpula, status religioso e UNESCO
  • New World Encyclopedia, 'Hagia Sophia' - maior catedral do mundo por quase mil anos até Sevilha
  • Völkerrechtsblog, 'Turning Hagia Sophia into a mosque (again)' (2020) - decisão do Conselho de Estado turco de 10/07/2020 e reabertura ao culto
  • gcatholic.org, verbete 'Hagia Sophia, Istanbul' - catálogo como antiga catedral e sítio do Patrimônio Mundial

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