Catedrais e Basílicas
Basílica de Nossa Senhora da Paz de Iamussucro
Maior igreja cristã do mundo em área construída, erguida na capital administrativa da Costa do Marfim por iniciativa do presidente Félix Houphouët-Boigny e consagrada pelo papa João Paulo II em 1990.

- Tipo
- Basílica menor
- Cidade
- Yamoussoukro
- País
- Costa do Marfim
- Conclusão
- 1989 (consagrada em 1990)
- Estilo
- neorrenascentista, inspirado em São Pedro do Vaticano
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A Basílica de Nossa Senhora da Paz (em francês, Basilique Notre-Dame de la Paix) é uma basílica menor católica erguida em Yamoussoukro, capital administrativa da Costa do Marfim desde março de 1983. Não é, contudo, a catedral da diocese local: esse papel cabe à vizinha Catedral de Santo Agostinho, a menos de três quilômetros de distância, sede do bispo de Yamoussoukro — distinção frequentemente ignorada pelo público. Foi construída entre 10 de agosto de 1985 — data da colocação e bênção da primeira pedra — e 1989, por iniciativa pessoal de Félix Houphouët-Boigny, presidente do país desde a independência em 1960, que decidiu transformar sua cidade natal na nova capital em substituição a Abidjan. Houphouët-Boigny escolheu pessoalmente os arquitetos — o libanês-marfinense Pierre Fakhoury e o francês Patrick Hauthuille — e determinou que o templo se inspirasse na Basílica de São Pedro do Vaticano, insistindo, ao mesmo tempo, em que a superasse em dimensões. A cúpula, com cerca de 90 metros de diâmetro, tem mais que o dobro da de São Pedro (41 metros), embora assentada sobre base mais baixa, de modo que a altura final — 158 metros, coroada por uma grande cruz — é ligeiramente superior à do modelo romano.
A obra mobilizou milhares de trabalhadores da região sob supervisão de técnicos e engenheiros europeus, reunindo 24 empresas na execução. O complexo ocupa cerca de 130 hectares, com terraplenagem de 800 mil metros cúbicos e fundações de 156 estacas de concreto. A esplanada elíptica de acesso, com cerca de 30 mil metros quadrados, é cercada por 128 colunas de 21 metros de altura. O financiamento saiu diretamente dos cofres pessoais de Houphouët-Boigny, mas o custo real nunca foi divulgado com precisão: estimativas variam de 175 milhões a 600 milhões de dólares, e não há consenso documental sobre a alegação, muito difundida, de que a cifra superior equivaleria ao dobro de toda a dívida externa do país — versão que fontes mais recentes consideram não confirmada pelos dados originais. O contraste entre o gigantismo do projeto e a pobreza generalizada tornou a basílica, desde a construção, um símbolo controverso, criticada dentro e fora do país como monumento de vaidade pessoal de um chefe de Estado, num momento em que a Costa do Marfim enfrentava crise econômica e fiscal, com cidades sem água encanada e doenças se alastrando. A imprensa internacional a apelidou de "basílica na selva".
O papa João Paulo II consagrou o templo em 10 de setembro de 1990, após receber formalmente a basílica como presente de Houphouët-Boigny em nome da Igreja Católica. A consagração veio com uma condição explícita: a construção, ao lado da basílica, de um hospital para a população local, como contrapartida social ao vulto do investimento religioso. O hospital, porém, teve sua construção paralisada durante a guerra civil e as crises político-militares marfinenses de 2002 a 2011, só sendo concluído em 2014 e aberto em janeiro de 2015, ao custo de cerca de 21,3 milhões de euros. A basílica é atualmente administrada por padres palotinos poloneses, a um custo anual estimado em 1,5 milhão de dólares, e abriga, ao lado do templo, dois edifícios idênticos — um refeitório e uma residência reservada às visitas papais, usada apenas uma vez.
Arquitetonicamente, o edifício reproduz em escala ampliada elementos centrais de São Pedro do Vaticano, com cúpula, colunata e vasta praça de acesso; internamente, recebeu cerca de 8.400 metros quadrados de vitrais contemporâneos, encomendados ao ateliê France Vitrail International, de Paris — o maior pedido de vitrais já feito no mundo, com cerca de cinco mil tonalidades de vidro —, além de mármore importado da Itália, Espanha e Portugal, em revestimento que soma cerca de 700 mil metros quadrados. Entre as figuras retratadas nos vitrais está o próprio presidente Houphouët-Boigny, representado ajoelhado diante de Jesus, gesto que reforçou as críticas ao caráter monumental e personalista do projeto. A capacidade total é de cerca de 18 mil pessoas — aproximadamente 7 mil sentadas na nave e 11 mil de pé —, bem menos que as 60 mil de São Pedro; ainda assim, a basílica registra, na maior parte do ano, congregações de apenas algumas centenas de fiéis, enchendo-se sobretudo em grandes datas litúrgicas como a Páscoa e o Natal. Passadas mais de três décadas de sua consagração, o templo segue sendo descrito como um dos mais vazios do planeta no calendário litúrgico comum — um contraste que o tornou objeto recorrente de estudo sobre os limites entre devoção, monumentalidade arquitetônica e poder político pessoal na África pós-colonial.
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