Catedrais e Basílicas
Catedral Primada de América
Primeira catedral erguida nas Américas, na Zona Colonial de Santo Domingo, elevada a sé metropolitana e primaz do continente pela bula Super Universas (1546).

- Tipo
- Catedral
- Cidade
- Santo Domingo
- País
- República Dominicana
- Conclusão
- 1541 (obra iniciada em 1512)
- Estilo
- gótico-renascentista com elementos barrocos
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Com nome oficial de Santa Igreja Catedral Basílica Metropolitana de Nossa Senhora Santa Maria da Encarnação — mas popularmente conhecida como Santa María la Menor —, a Catedral Primada de América é a mais antiga catedral católica em funcionamento contínuo no Novo Mundo. Sua origem remonta à bula Romanus Pontifex, de 8 de agosto de 1511, pela qual o papa Júlio II criou a diocese de Santo Domingo — a primeira das Américas —, cidade fundada por Nicolás de Ovando em 1502, após o primeiro assentamento europeu ter sido destruído por um furacão. Uma primeira catedral modesta começou a ser erguida em 12 de maio de 1512, com paredes de palha e madeira, e a pedra fundamental foi lançada pelo segundo bispo, Alessandro Geraldini. Os planos, porém, foram inteiramente revistos a partir de 1520, com a chegada desse mesmo bispo humanista, que impulsionou a construção do edifício atual, erguido essencialmente entre 1521 e 1537 sob direção do arquiteto sevilhano Luis de Moya e depois de Rodrigo de Liendo, com intervenções de Alonso González, inspirado na Catedral de Sevilha. As obras foram consagradas em 1541 pelo bispo Alonso de Fuenmayor, que a dedicou a Nossa Senhora da Encarnação. O resultado é uma arquitetura híbrida, que combina o gótico tardio das abóbadas nervuradas com elementos platerescos, renascentistas e herrerianos — um dos primeiros exemplos de arquitetura religiosa europeia erguidos em solo americano e referência direta para catedrais posteriores em todo o continente. O templo mede cerca de 54 metros de comprimento por 23 de largura, com teto de aproximadamente 16 metros.
Em 12 de fevereiro de 1546, atendendo a pedido do rei Carlos I de Espanha (o imperador Carlos V), o papa Paulo III, pela bula Super Universas, elevou a sede de Santo Domingo à categoria de arquidiocese, ao mesmo tempo em que criava os três primeiros arcebispados do Novo Mundo — Santo Domingo, México e Lima. Santo Domingo foi então honrada como sé primaz das Índias, com as dioceses sufragâneas de La Concepción de la Vega, Porto Rico, Cuba, Coro (Venezuela), Santa Marta e Cartagena (Colômbia), Honduras e a abadia da Jamaica; Nova Orleans seria designada sufragânea em 12 de setembro de 1554. Esse título de Catedral Primaz das Américas foi posteriormente ratificado, segundo a tradição documental, pela bula Divinis Praeceptis. A dignidade de Basílica Menor só viria muito mais tarde, em 14 de julho de 1920, quando o papa Bento XV, pelo breve Non Sine Secreto, concedeu ao templo o título.
A catedral guarda cerca de quatorze capelas laterais, muitas custeadas por famílias nobres da colônia e adornadas com altares esculpidos em madeira e mármore, além de túmulos de administradores coloniais. Entre as controvérsias que marcaram sua história está um episódio dramático: no verão de 1586, o corsário inglês Francis Drake — agindo sob patrocínio da rainha Isabel I, que o financiara para "castigar o Rei de Espanha nas suas Índias" — invadiu e ocupou Santo Domingo. Informada da chegada da frota em 10 de janeiro, a população fugiu levando ouro e joias; após desembarcar em Haina em 11 de janeiro, a expedição de 23 navios e cerca de 2.300 homens instalou seu quartel-general dentro da própria catedral, que também serviu de depósito e prisão. Os ingleses saquearam a cidade, incendiaram navios e só a abandonaram em 10 de fevereiro de 1586, após receberem 25.000 ducados de resgate, levando ainda os sinos das igrejas, a artilharia das fortalezas, couros, açúcar e embarcações.
Outra disputa histórica de grande repercussão gira em torno de Cristóvão Colombo. Em setembro de 1877, durante escavações na catedral, foi descoberta uma urna de chumbo cuja tampa trazia a inscrição "Ilustre y Esdo Varon Dn Cristóbal Colón"; os restos teriam sido trazidos da Espanha ainda no século XVI pela vice-rainha María de Toledo, filha do Almirante. Transferidos a Havana em 1795, quando o Tratado de Basileia cedeu Santo Domingo à França, e levados depois à Catedral de Sevilha em 1898, os restos de Colombo permaneceram guardados no templo dominicano — a partir do final do século XIX num mausoléu de mármore do escultor catalão Pedro Carbonell — até serem transladados, em 1992, para o monumental Faro a Colombo, inaugurado em 6 de outubro daquele ano com a presença do papa João Paulo II. A questão de saber se os restos autênticos do Almirante ficaram em Santo Domingo ou em Sevilha permanece aberta: em 2006, a Universidade de Granada confirmou por análise de DNA mitocondrial que os restos de Sevilha eram autênticos, mas as autoridades dominicanas não permitiram que o mesmo estudo fosse feito com os do Faro a Colombo. O templo recebeu ainda três visitas papais — João Paulo II em 1979, 1984 e 1992, quando presidiu ali a IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano.
Situada no coração da Cidade Colonial de Santo Domingo — o primeiro assentamento europeu permanente das Américas, fundado por Bartolomeu Colombo em 1496 e reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial em 1990 —, a catedral permanece sede da Arquidiocese de Santo Domingo e um dos principais monumentos históricos vivos do continente americano, tendo sido submetida a trabalhos de restauração de fachada, coberturas e contrafortes em programas de conservação de patrimônio.
Fontes
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