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Doutrina Social · Princípio 9

Cuidado da Casa Comum

A responsabilidade moral pela criação, entendida como dom recebido de Deus a ser cultivado e guardado, não explorado sem limites; fundamentada sobretudo na encíclica "Laudato Si'" (2015) de Francisco e no conceito de ecologia integral.

Cuidado da Casa Comum
Dietmar Rabich — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

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O princípio do cuidado da "casa comum" foi desenvolvido sobretudo na encíclica "Laudato Si' — sobre o cuidado da casa comum", de Francisco. Datado de 24 de maio de 2015 e publicado oficialmente em 18 de junho do mesmo ano, o texto é a segunda encíclica do pontificado, sucede a "Lumen fidei" (2013) e se estende por seis capítulos e 246 parágrafos, encerrando-se com duas orações. O título retoma a expressão "Louvado sejas" do "Cântico das Criaturas" de São Francisco de Assis. A encíclica ensina que a criação é dom de Deus confiado à humanidade para "cultivar e guardar" (Gn 2,15), não para dominar sem limites.

A crise ecológica é lida como sintoma de uma crise mais profunda, moral e espiritual, ligada à mesma lógica que gera injustiça social. Daí o conceito de "ecologia integral" (expressão cunhada no capítulo quarto, especialmente nos nn. 137-139), que une o cuidado do meio ambiente ao cuidado dos pobres. O ponto central aparece na fórmula "tudo está interligado" (nn. 16, 91 e 138): na exortação, "uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nas discussões sobre o ambiente para escutar tanto o grito da Terra quanto o grito dos pobres" (LS 49). Outra ideia-chave é a "conversão ecológica" (capítulo sexto, nn. 216-221), apresentada como conversão interior e comunitária, e não apenas como mudança técnica de comportamento.

O documento não surge isolado, mas recolhe uma linha anterior do magistério. Já João Paulo II tratara da questão no número 15 da encíclica "Redemptor Hominis" (1979) e no número 37 de "Centesimus Annus" (1991), e Bento XVI o fizera em "Caritas in Veritate" (2009), onde afirma que "o livro da natureza é uno e indivisível". A "Laudato Si'" dialoga ainda com documentos das Igrejas locais, como o texto da CNBB "A Igreja e a Questão Ecológica" (1992) e a declaração dos bispos da República Dominicana de 1987.

O ensinamento teve continuidade no próprio pontificado. Em 4 de outubro de 2023, na festa de São Francisco, Francisco publicou a exortação apostólica "Laudate Deum — sobre a crise climática", apresentada como desdobramento da encíclica e dirigida, em seis capítulos e 73 parágrafos, "a todas as pessoas de boa vontade". Nela o documento afirma explicitamente que "a origem humana — 'antrópica' — da mudança climática já não se pode pôr em dúvida" (n. 11) e adverte contra "certas opiniões ridicularizadoras e pouco racionais" vindas do interior da própria Igreja (n. 14). O cuidado da casa comum foi recebido também no Sínodo para a Amazônia, cujo fruto é a exortação "Querida Amazônia" (2020), e na noção de "ecologia integral" desenvolvida na encíclica "Fratelli Tutti" (2020).

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