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Catedrais e Basílicas

Catedral Metropolitana de Brasília

Catedral circular de Brasília projetada por Oscar Niemeyer, com estrutura de Joaquim Cardozo, símbolo maior da arquitetura moderna brasileira.

Catedral Metropolitana de Brasília
Foto: Donatas Dabravolskas (2015), CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Tipo
Catedral
Cidade
Brasília
País
Brasil
Conclusão
1970 (pedra fundamental em 1958)
Estilo
moderno

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A Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, sé da Arquidiocese de Brasília, foi projetada por Oscar Niemeyer como parte do plano urbanístico da nova capital concebido a seu lado por Lúcio Costa. Dedicada à Virgem Maria sob o título de Nossa Senhora Aparecida — proclamada pela Igreja Rainha e Padroeira do Brasil —, teve sua pedra fundamental lançada em 12 de setembro de 1958, ainda durante a construção acelerada de Brasília sob o governo de Juscelino Kubitschek, mas só foi oficialmente inaugurada e dedicada ao culto em 31 de maio de 1970, uma década depois da inauguração da cidade em 1960. A estrutura, calculada pelo engenheiro e poeta pernambucano Joaquim Cardozo — colaborador de longa data de Niemeyer em diversas obras da capital —, é formada por dezesseis colunas de concreto armado de seção variável, pesando cerca de 90 toneladas cada, que se erguem inclinadas a partir de uma base circular e se cruzam no alto, conferindo ao conjunto sua característica forma de coroa de espinhos ou de mãos postas em oração, conforme a interpretação de cada observador. O número de colunas, contudo, não foi o originalmente imaginado: Niemeyer chegou a propor vinte e uma colunas de quarenta metros de altura, reduzidas depois a dezesseis por razões puramente estéticas — decisão que exigiu de Cardozo o cálculo de um sistema de pilares de geometria complexa e, em alguns trechos, de perfil triangular vazado.

O próprio Niemeyer descreveu a intenção de que a catedral funcionasse “como uma grande escultura, uma ideia religiosa, um momento de oração”, priorizando o impacto plástico e espacial sobre as convenções tradicionais da arquitetura religiosa. No projeto estrutural, Cardozo recorreu a soluções notáveis para a época, como o anel de tração que absorve os esforços horizontais transmitidos pelas colunas, isolado da infraestrutura por placas de neoprene que impedem a transmissão de movimentos — além de um estudo do efeito das cargas de vento sobre os vitrais em interação com os pilares, verificação sofisticada para os padrões técnicos de então. O engenheiro também substituiu a cinta de concreto prevista para o topo por uma laje posicionada mais abaixo, o que garantiu à construção uma silhueta mais limpa. No ponto mais alto repousa uma cruz metálica de doze metros, abençoada pelo papa Paulo VI. Na inauguração de 1970, o espaço entre as colunas foi fechado por vidro incolor; apenas numa reforma de 1987 a artista plástica francesa radicada no Brasil Marianne Peretti — única mulher na equipe original de Niemeyer e Lúcio Costa para a construção de Brasília — substituiu esses painéis por seus vitrais definitivos, dezesseis painéis de vidro pintados à mão em tons de azul, verde, branco e dourado que hoje banham o interior do templo em luz colorida. Numa segunda campanha de restauro, iniciada em 2000, os vitrais foram recuperados com vidros especiais de Milão que receberam película de climatização, permitindo a passagem da luz mas não do calor, e o espelho d'água que abraça o monumento foi novamente impermeabilizado, contribuindo também para a climatização natural do ambiente.

O acesso à nave principal se dá por uma rampa descendente que conduz os visitantes a um átrio subterrâneo antes de emergir no espaço circular abaixo do vitral — um percurso que Niemeyer concebeu como passagem simbólica das trevas à luz. Do teto, três anjos suspensos por cabos de aço pairam sobre os fiéis: o menor tem 2,22 metros e pesa 100 quilos, o médio mede 3,4 metros e pesa 200 quilos, e o maior alcança 4,25 metros e cerca de 300 quilos, todos obra de Alfredo Ceschiatti com a colaboração de Dante Croce, de 1970. Na praça externa, as esculturas em bronze dos Quatro Evangelistas, também de Ceschiatti, recebem os visitantes antes dessa descida, ladeando o acesso ao batistério. O interior da nave, com capacidade para cerca de quatro mil pessoas, é revestido com cerca de 500 toneladas de mármore, e o Caminho da Cruz é obra de Di Cavalcanti. No altar-mor está a mesa da Eucaristia em mármore de Carrara, doada pelo papa Paulo VI, gesto que sublinhou o significado internacional atribuído à jovem arquidiocese de Brasília; sob o altar principal há uma pequena capela acessível por cada um de seus lados. Junto ao altar, uma réplica da imagem de Nossa Senhora Aparecida — cujo original foi encontrado nas águas do Rio Paraíba do Sul no século XVIII — é conservada numa redoma de cristal também projetada por Niemeyer. Do lado externo, um campanário exento de cerca de vinte metros de altura sustenta quatro grandes sinos que marcam as horas e chamam os fiéis às celebrações.

A construção avançou em duas fases bem distintas: entre 1959 e 1960, ainda no ritmo acelerado da inauguração de Brasília, ergueu-se apenas a estrutura das dezesseis colunas de concreto que formam a nave principal, deixando por quase uma década o restante da obra — espelho d'água, batistério, campanário, acabamento interno, sacristia e rampa de acesso — para ser concluído somente entre 1969 e 1970, pouco antes da inauguração oficial. O uso do concreto armado como material estrutural aparente, sem revestimentos que escondessem sua monoliticidade, tornou-se uma das assinaturas do estilo maduro de Niemeyer e rendeu à Catedral Metropolitana estudos acadêmicos recorrentes sobre a relação entre forma estrutural e experiência sensorial da arquitetura religiosa moderna. Além de sede arquidiocesana, a catedral cumpre função cívica: a cerimônia de posse do presidente da República tradicionalmente costuma ter início nela. Reconhecida oficialmente como parte do conjunto urbanístico de Brasília — tombado pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, hoje IPHAN, em 19 de novembro de 1991 —, a catedral integra também a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO concedida à capital brasileira em 1987, reconhecimento ao conjunto arquitetônico modernista da cidade como um dos mais completos e coerentes do século XX. Junto a esse conjunto monumental, foi decisiva para a concessão a Niemeyer do Prêmio Pritzker de arquitetura em 1988, o mais importante da profissão, do qual o arquiteto carioca foi o primeiro latino-americano vencedor.

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Fontes

  • https://catedral.org.br/comunicacao-da-catedral/a-genialidade-de-joaquim-cardozo-na-estrutura-da-catedral
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Catedral_Metropolitana_de_Bras%C3%ADlia
  • https://www.eniopadilha.com.br/arquivos/CatedraldeBrasilia.pdf
  • https://www.fatocentral.org/noticia/1267/brasilia/especial-brasilia/a-joia-de-vidro-e-concreto-a-historia-e-a-arquitetura-da-catedral-de-brasilia.html
  • https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Catedral_Metropolitana_de_Bras%C3%ADlia_-_Bras%C3%ADlia_-_20150603150521.jpg

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