Catedrais e Basílicas
Catedral da Sé de São Paulo
Catedral Metropolitana de São Paulo, um dos maiores templos neogóticos do mundo, erguida no marco zero da cidade e palco de episódios centrais da vida cívica brasileira.

- Tipo
- Catedral
- Cidade
- São Paulo
- País
- Brasil
- Conclusão
- 1954 (obra iniciada em 1913)
- Estilo
- neogótico
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Oficialmente Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção e São Paulo, a Catedral da Sé ocupa, desde o século XVI, o terreno onde se ergueu a primeira igreja matriz da vila de São Paulo de Piratininga, construída por volta de 1589 no local cuja terra, segundo a tradição, teria sido doada pelo cacique Tibiriçá. Elevada à condição de sé episcopal em 1745, a igreja foi substituída em 1764 por uma nova catedral de estilo barroco, que duraria até ser demolida em 1911. Já sob a arquidiocese criada em 1908, Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de São Paulo, decidiu erguer no lugar uma catedral compatível com o crescimento acelerado da cidade no início do século XX. O projeto coube ao engenheiro alemão radicado no Brasil Maximilian Emil Hehl, que concebeu um edifício predominantemente neogótico — ainda que a cúpula, de inspiração renascentista italiana, sobre a cruzaria, introduza uma nota estilística híbrida incomum entre as grandes catedrais neogóticas do mundo. As obras começaram em 1913 e avançaram lentamente por mais de quatro décadas, financiadas em parte por campanhas de arrecadação junto à comunidade católica paulistana.
A inauguração, ainda com as torres inacabadas, ocorreu em 25 de janeiro de 1954, coincidindo deliberadamente com as celebrações do quarto centenário da fundação de São Paulo. As torres gêmeas, de 92 metros de altura cada, só ficariam prontas em 1969. Com 111 metros de comprimento, 46 metros de largura e cúpula elevando-se a cerca de 30 metros sobre a cruzaria, a catedral tem capacidade para abrigar cerca de oito mil fiéis e é considerada um dos maiores templos neogóticos do mundo, ao lado de referências como as catedrais de Colônia e Milão. Na construção foram empregadas mais de 800 toneladas de mármores raros, e os capitéis internos foram decorados com motivos da fauna e da flora brasileiras — ramos de café, abacaxis e tatus —, num programa que busca unir a narrativa cristã à memória local.
O interior recebeu cerca de 750 metros quadrados de vitrais de manufatura italiana e nacional, distribuídos por naves, capelas e rosáceas. O órgão de tubos, fabricado sob encomenda na Itália entre 1953 e 1954 pela firma Balbiani & Rossi (Balbiani Vegezzi-Bosi), em Milão e Turim, chegou ao Brasil pelo porto de Santos e foi instalado no entorno do altar-mor, sendo inaugurado cerca de dez meses após a abertura da catedral. Com cinco teclados, 124 registros e aproximadamente 11.000 tubos, é descrito como um dos maiores órgãos da América Latina; danificado, permaneceu sem uso por mais de duas décadas, e um projeto de restauro, viabilizado pela Lei Rouanet e que inclui a remessa das peças à oficina Mascioni, no norte da Itália, foi posto em marcha para devolver-lhe a sonoridade. Sob o piso da catedral, uma grande cripta sob o altar-mor reúne os túmulos de todos os bispos e arcebispos de São Paulo e de figuras da história paulista abrangidas por exceções à regra: o cacique Tibiriçá, líder indígena da tribo Guaianás que primeiro acolheu os jesuítas no planalto de Piratininga, o padre Diogo Antônio Feijó, que exerceu a regência do Império do Brasil na menoridade de Dom Pedro II, e o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, inventor luso-brasileiro pioneiro dos experimentos com balões de ar quente no início do século XVIII.
A praça e a catedral tornaram-se, ao longo do século XX, palco de episódios centrais da história política brasileira. Durante a ditadura militar, o cardeal-arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, à frente da arquidiocese a partir de 1970, transformou a Sé em espaço de acolhimento a manifestações ecumênicas em defesa dos direitos humanos. Em outubro de 1975, celebrou na catedral o histórico culto ecumênico em memória do jornalista Vladimir Herzog, morto sob tortura no regime, ato conduzido ao lado do rabino Henry Sobel e do reverendo Jaime Wright, num dos maiores gestos de resistência civil daquele período. Já em 25 de janeiro de 1984, aniversário da cidade, a Praça da Sé recebeu um dos maiores comícios do movimento Diretas Já, que reivindicava eleições diretas para presidente ao final do regime militar — reunindo, segundo estimativas, entre 300 mil e 400 mil pessoas, com a presença das principais lideranças nacionais oposicionistas, artistas e representantes da sociedade civil, consolidando o entorno da catedral como palco simbólico da redemocratização do país. O templo passou por ampla reforma entre 2000 e 2002, quando se encontraram dentro do próprio edifício as plantas originais de 1912, o que permitiu uma restauração fiel da construção. Sede da Arquidiocese de São Paulo — hoje governada pelo cardeal Dom Odilo Pedro Scherer — e situada exatamente no marco zero da cidade, na Praça da Sé, a catedral permanece um dos pontos de referência urbanos e religiosos mais reconhecíveis do Brasil.
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