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Catedrais e Basílicas

Catedral de Westminster

Principal igreja católica da Inglaterra e do País de Gales, erguida em Londres em estilo neobizantino para não se confundir com a vizinha Abadia de Westminster anglicana.

Catedral de Westminster
Frank Kovalchek (Alaskan Dude), Wikimedia Commons via Flickr, CC BY 2.0, 2024
Tipo
Catedral
Cidade
Londres
País
Reino Unido
Conclusão
1903 (obra iniciada em 1895); consagrada em 1910
Estilo
neobizantino

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A Catedral Metropolitana do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo — conhecida simplesmente como Catedral de Westminster — é a sede da Arquidiocese de Westminster e a principal igreja católica da Inglaterra e do País de Gales. Sua história se liga à restauração da hierarquia católica inglesa em 1850, quando o papa Pio IX restabeleceu bispos e arcebispos no país após séculos de perseguição e restrições legais desde a Reforma de Henrique VIII; por isso, a Igreja católica ainda era vista com desconfiança por parte da sociedade britânica da época. O terreno onde o templo se ergue, a poucos passos da Abadia de Westminster anglicana, foi adquirido em 1884 — quando o arcebispo de Westminster era o cardeal Henry Edward Manning — e fora, até 1877, o sítio da prisão de Tothill Fields Bridewell (também chamada Tothill Fields Prison), fechada naquele ano e demolida em 1885; as fundações da antiga prisão foram reaproveitadas na nova construção. Foi o cardeal Herbert Vaughan, terceiro arcebispo de Westminster desde 1892, quem levou adiante o projeto de dotar o catolicismo inglês de uma catedral à altura da capital do império, encomendando-o, sem concurso público, ao arquiteto John Francis Bentley, com uma instrução clara: o novo templo católico não deveria parecer-se com a abadia anglicana, de tradição gótica medieval, para evitar confusão de identidades e competição estilística direta. A decisão de dispensar o concurso e contratar um arquiteto pouco conhecido fora dos círculos católicos gerou protestos de outros arquitetos, mas Vaughan manteve a escolha.

Bentley respondeu com um projeto neobizantino, inspirado sobretudo em São Marcos de Veneza, em San Vitale de Ravena e em Santa Sofia de Constantinopla, numa escolha estética então incomum na Inglaterra, que sugeria um catolicismo romano de raízes anteriores à própria cisão anglicana. Em novembro de 1894 ele partiu para a Itália em busca de referências, passando por Milão, Pavia, Pisa, Nápoles e Roma; não pôde ir a Constantinopla por causa de um surto de cólera. Desagradou-lhe o estilo barroco de São Pedro, e rejeitou a basílica de São Paulo fora dos Muros, preferida por Vaughan — que desejava um estilo paleocristão. Bentley impôs sua versão do bizantino, com a intenção declarada de "desenvolver, na medida do possível, a primeira fase da arquitetura cristã"; Vaughan cedeu no estilo, mas recusou o plano original de duas torres, dizendo que "uma já me bastaria". O resultado foi um grande edifício de tijolo à vista, faixas horizontais de pedra branca de Portland e sem reforços internos de aço — solução mais econômica e veloz, que expôs deliberadamente a textura do material na fachada listrada de vermelho e branco tornada a assinatura visual do templo. Bentley tinha orgulho de ter concebido uma estrutura daquele porte apenas com tijolo, pedra e concreto.

As obras começaram em 1895: a pedra fundamental foi abençoada em 29 de junho daquele ano. O edifício estava arquitetonicamente concluído em 1903, ano de sua abertura ao culto, mas Bentley não viveu para vê-lo pronto, tendo morrido em 1902 — um dos primeiros ofícios celebrados no templo foi justamente o funeral do cardeal Vaughan, que também faleceu pouco depois da abertura. A consagração litúrgica oficial só ocorreu em 28 de junho de 1910, adiada até que a dívida contraída para a construção fosse inteiramente quitada, conforme a norma canônica que reserva a consagração plena a templos livres de encargos financeiros. A fachada é dominada pelo campanário da Torre de Santo Eduardo, com cerca de 87 metros de altura incluindo a cruz — que no topo encerra uma relíquia da Vera Cruz — e um mirante aberto ao público.

O interior conserva um contraste deliberado com a monumentalidade externa. Por decisão de Bentley e de seus sucessores, a decoração em mosaicos bizantinos — um dos elementos mais ambiciosos do projeto — avançou apenas parcialmente ao longo do século XX, financiada exclusivamente por doações específicas para cada capela, de modo que partes do teto e das paredes permanecem ainda em tijolo nu à espera de futuros doadores, num processo que os responsáveis descrevem como propositalmente aberto e sem prazo, à semelhança das catedrais medievais concluídas ao longo de séculos. Entre as áreas já finalizadas destacam-se a Capela do Santíssimo Sacramento e a Capela de Santo André, com mosaicos de rica policromia dourada. A catedral é célebre por sua tradição musical: o cardeal Vaughan fundou, já na inauguração, um coral próprio sob a direção do primeiro mestre de música Richard Runciman Terry, que se tornaria referência internacional na redescoberta e interpretação da polifonia sacra renascentista. Essa tradição é mantida até hoje pela Westminster Cathedral Choir School, escola preparatória católica para meninos que forma os coristas internos: os garotos ensaiam antes e depois das aulas e cantam sete ofícios litúrgicos por semana, mantendo viva uma das poucas tradições de coro masculino de meninos ainda ativas em bases diárias na Europa. A rotina litúrgica inclui vésperas e missa cantada de segunda a sexta-feira, missa em latim aos sábados e missa solene com vésperas e bênção do Santíssimo aos domingos, fazendo da Catedral de Westminster um dos centros de música sacra mais ativos do mundo católico de língua inglesa.

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