Catedrais e Basílicas
Catedral de Westminster
Principal igreja católica da Inglaterra e do País de Gales, erguida em Londres em estilo neobizantino para não se confundir com a vizinha Abadia de Westminster anglicana.

- Tipo
- Catedral
- Cidade
- Londres
- País
- Reino Unido
- Conclusão
- 1903 (obra iniciada em 1895); consagrada em 1910
- Estilo
- neobizantino
Tamanho do texto
A Catedral Metropolitana do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo — conhecida simplesmente como Catedral de Westminster — é a sede da Arquidiocese de Westminster e a principal igreja católica da Inglaterra e do País de Gales. Sua história se liga à restauração da hierarquia católica inglesa em 1850, quando o papa Pio IX restabeleceu bispos e arcebispos no país após séculos de perseguição e restrições legais desde a Reforma de Henrique VIII; por isso, a Igreja católica ainda era vista com desconfiança por parte da sociedade britânica da época. O terreno onde o templo se ergue, a poucos passos da Abadia de Westminster anglicana, foi adquirido em 1884 — quando o arcebispo de Westminster era o cardeal Henry Edward Manning — e fora, até 1877, o sítio da prisão de Tothill Fields Bridewell (também chamada Tothill Fields Prison), fechada naquele ano e demolida em 1885; as fundações da antiga prisão foram reaproveitadas na nova construção. Foi o cardeal Herbert Vaughan, terceiro arcebispo de Westminster desde 1892, quem levou adiante o projeto de dotar o catolicismo inglês de uma catedral à altura da capital do império, encomendando-o, sem concurso público, ao arquiteto John Francis Bentley, com uma instrução clara: o novo templo católico não deveria parecer-se com a abadia anglicana, de tradição gótica medieval, para evitar confusão de identidades e competição estilística direta. A decisão de dispensar o concurso e contratar um arquiteto pouco conhecido fora dos círculos católicos gerou protestos de outros arquitetos, mas Vaughan manteve a escolha.
Bentley respondeu com um projeto neobizantino, inspirado sobretudo em São Marcos de Veneza, em San Vitale de Ravena e em Santa Sofia de Constantinopla, numa escolha estética então incomum na Inglaterra, que sugeria um catolicismo romano de raízes anteriores à própria cisão anglicana. Em novembro de 1894 ele partiu para a Itália em busca de referências, passando por Milão, Pavia, Pisa, Nápoles e Roma; não pôde ir a Constantinopla por causa de um surto de cólera. Desagradou-lhe o estilo barroco de São Pedro, e rejeitou a basílica de São Paulo fora dos Muros, preferida por Vaughan — que desejava um estilo paleocristão. Bentley impôs sua versão do bizantino, com a intenção declarada de "desenvolver, na medida do possível, a primeira fase da arquitetura cristã"; Vaughan cedeu no estilo, mas recusou o plano original de duas torres, dizendo que "uma já me bastaria". O resultado foi um grande edifício de tijolo à vista, faixas horizontais de pedra branca de Portland e sem reforços internos de aço — solução mais econômica e veloz, que expôs deliberadamente a textura do material na fachada listrada de vermelho e branco tornada a assinatura visual do templo. Bentley tinha orgulho de ter concebido uma estrutura daquele porte apenas com tijolo, pedra e concreto.
As obras começaram em 1895: a pedra fundamental foi abençoada em 29 de junho daquele ano. O edifício estava arquitetonicamente concluído em 1903, ano de sua abertura ao culto, mas Bentley não viveu para vê-lo pronto, tendo morrido em 1902 — um dos primeiros ofícios celebrados no templo foi justamente o funeral do cardeal Vaughan, que também faleceu pouco depois da abertura. A consagração litúrgica oficial só ocorreu em 28 de junho de 1910, adiada até que a dívida contraída para a construção fosse inteiramente quitada, conforme a norma canônica que reserva a consagração plena a templos livres de encargos financeiros. A fachada é dominada pelo campanário da Torre de Santo Eduardo, com cerca de 87 metros de altura incluindo a cruz — que no topo encerra uma relíquia da Vera Cruz — e um mirante aberto ao público.
O interior conserva um contraste deliberado com a monumentalidade externa. Por decisão de Bentley e de seus sucessores, a decoração em mosaicos bizantinos — um dos elementos mais ambiciosos do projeto — avançou apenas parcialmente ao longo do século XX, financiada exclusivamente por doações específicas para cada capela, de modo que partes do teto e das paredes permanecem ainda em tijolo nu à espera de futuros doadores, num processo que os responsáveis descrevem como propositalmente aberto e sem prazo, à semelhança das catedrais medievais concluídas ao longo de séculos. Entre as áreas já finalizadas destacam-se a Capela do Santíssimo Sacramento e a Capela de Santo André, com mosaicos de rica policromia dourada. A catedral é célebre por sua tradição musical: o cardeal Vaughan fundou, já na inauguração, um coral próprio sob a direção do primeiro mestre de música Richard Runciman Terry, que se tornaria referência internacional na redescoberta e interpretação da polifonia sacra renascentista. Essa tradição é mantida até hoje pela Westminster Cathedral Choir School, escola preparatória católica para meninos que forma os coristas internos: os garotos ensaiam antes e depois das aulas e cantam sete ofícios litúrgicos por semana, mantendo viva uma das poucas tradições de coro masculino de meninos ainda ativas em bases diárias na Europa. A rotina litúrgica inclui vésperas e missa cantada de segunda a sexta-feira, missa em latim aos sábados e missa solene com vésperas e bênção do Santíssimo aos domingos, fazendo da Catedral de Westminster um dos centros de música sacra mais ativos do mundo católico de língua inglesa.
Continue sua leitura

1 Reis
Bíblia
O reinado de Salomão, a construção do Templo de Jerusalém e a divisão do reino em Israel (norte) e Judá (sul).

Salomão
Personagens Bíblicos
Filho e sucessor de Davi, rei célebre por sua sabedoria, construtor do primeiro Templo de Jerusalém.

A Cruz de Santo André
Arte Sacra
A cruz em forma de X (crux decussata), atributo iconográfico do apóstolo André e símbolo nacional da Escócia sob o nome de Saltire.

São Carlo Acutis
Santos
Adolescente ítalo-britânico do início do século XXI, devoto da Eucaristia e criador de um website sobre milagres eucarísticos; primeiro santo "millennial" da Igreja.
