Catedrais e Basílicas
Catedral de São Patrício
Sede da Arquidiocese de Nova York, maior catedral católica neogótica dos Estados Unidos, erguida na Quinta Avenida em frente ao Rockefeller Center.
- Tipo
- Catedral
- Cidade
- Nova York
- País
- Estados Unidos
- Conclusão
- 1878 (obra iniciada em 1858)
- Estilo
- neogótico
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A Catedral de São Patrício nasceu da visão de John Hughes, primeiro arcebispo de Nova York e figura central da consolidação do catolicismo — então majoritariamente formado por imigrantes irlandeses e alemães — na cidade do século XIX. Hughes anunciou em 1850 a intenção de erguer uma catedral “à altura da grandeza desta metrópole”, escolhendo para isso um terreno então considerado periférico e afastado do centro urbano, na época ocupado por um cemitério e distante do núcleo comercial de Manhattan — decisão que os jornais da época ironizaram como “a loucura de Hughes”, dado o custo do empreendimento e a localização então pouco valorizada. A pedra fundamental foi lançada em 1858, com projeto do arquiteto James Renwick Jr., nova-iorquino autodidata em arquitetura que já havia projetado a Grace Church e o prédio original do Smithsonian em Washington. As obras avançaram por anos até serem suspensas no início da década de 1860 em razão da Guerra Civil Americana, retomando-se apenas ao final do conflito.
Concluída em 1878 e dedicada solenemente em 25 de maio de 1879, a catedral consumiu na sua construção mais de um milhão de tijolos, revestidos externamente por mármore branco da região. As duas torres gêmeas da fachada principal, com cerca de 100 metros de altura, só foram acrescentadas em 1888, dez anos após a conclusão do corpo principal — um adendo que Renwick já havia previsto no projeto original mas que só se viabilizou financeiramente depois. Concebida em estilo neogótico inspirado nas grandes catedrais francesas e alemãs, com pináculos, rosáceas, contrafortes e gárgulas típicas do repertório gótico europeu, tornou-se, ao ser concluída, a maior catedral católica neogótica da América do Norte, condição que mantém até hoje. Ao seu redor, a residência arquiebiscopal e a reitoria, também projetadas por Renwick, foram acrescentadas no início da década de 1880.
Situada na Quinta Avenida, entre as ruas 50 e 51 de Manhattan, exatamente em frente ao complexo do Rockefeller Center — construído décadas depois da catedral e hoje seu contraponto arquitetônico moderno mais imediato —, a Catedral de São Patrício tornou-se um dos edifícios mais fotografados e reconhecíveis da paisagem urbana nova-iorquina, seu perfil gótico branco destacando-se em meio aos arranha-céus que a cercam. Sede da Arquidiocese de Nova York, é palco regular de grandes celebrações públicas, cerimônias oficiais e funerais de autoridades e figuras públicas americanas — entre eles o funeral do senador Robert F. Kennedy, em 1968, cujo caixão seguiu dali de trem para o sepultamento no Cemitério Nacional de Arlington. Nos meses seguintes aos atentados de 11 de setembro de 2001, a catedral sediou dezenas de funerais e missas em memória de bombeiros e policiais mortos no ataque ao World Trade Center, papel que reforçou seu lugar simbólico na vida cívica da cidade. Tombada como Marco Histórico Nacional e incluída no Registro Nacional de Lugares Históricos dos Estados Unidos em 8 de dezembro de 1976, a catedral passou por uma extensa restauração estrutural entre 2012 e 2015, ao custo de cerca de 177 milhões de dólares, que limpou décadas de poluição acumulada em sua fachada de mármore, restaurou vitrais e revisou por completo o órgão principal e o sistema de iluminação, sem jamais interromper o uso litúrgico contínuo do templo — as obras foram concluídas poucos dias antes da visita do papa Francisco à catedral, em setembro de 2015.
Entre os elementos artísticos mais admirados do interior está a grande rosácea da fachada principal, com quase oito metros de diâmetro, desenhada pelo mestre vitralista americano Charles Connick e composta por cerca de três mil peças de vidro cortadas à mão, considerada uma das obras-primas da vitralística americana do século XX. Abaixo dela funciona o grande órgão da catedral, instalado em 1930 pela empresa Kilgen com 7.855 tubos que variam de pouco mais de um centímetro a quase dez metros de comprimento. Atrás do altar-mor, a Capela de Nossa Senhora, concluída em 1900 segundo desenho de Charles T. Mathews, reúne vitrais ingleses instalados ao longo de duas décadas e meia e uma imagem da Virgem Maria; nas proximidades encontra-se ainda uma Pietà esculpida em 1906 pelo escultor americano William O. Partridge, com dimensões três vezes maiores que a Pietà de Michelangelo na Basílica de São Pedro do Vaticano.
A escolha do estilo neogótico e a escala monumental do projeto de Renwick refletiam a ambição de Hughes de provar, através da arquitetura, que o catolicismo — praticado majoritariamente pelos imigrantes pobres irlandeses e alemães que chegavam então em massa a Nova York — tinha lugar de destaque e permanência na vida da cidade, num contexto de forte preconceito nativista e anticatólico nos Estados Unidos do século XIX. A localização inicialmente ridicularizada como periférica tornou-se, poucas décadas depois, uma das mais valorizadas de Manhattan, e a catedral hoje se ergue cercada por arranha-céus corporativos, formando um contraste visual que resume boa parte da própria história urbana de Nova York — a permanência de um marco religioso do século XIX no coração financeiro e comercial do século XXI.
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