Catedrais e Basílicas
Basílica de São Tomé
Uma das apenas três igrejas do mundo erguidas sobre o túmulo de um apóstolo, na Índia, onde a tradição situa o martírio de São Tomé.
- Tipo
- Basílica menor
- Cidade
- Chennai
- País
- Índia
- Conclusão
- 1896 (reconstrução da atual edificação)
- Estilo
- neogótico
Tamanho do texto
Segundo a tradição dos cristãos de São Tomé da Índia — comunidade que remonta, segundo sua própria memória histórica, aos primeiros séculos do cristianismo —, o apóstolo Tomé desembarcou na costa do Malabar, no sudoeste da Índia, por volta do ano 52, onde teria fundado sete comunidades cristãs ainda hoje reverenciadas por aquela Igreja. De acordo com essa mesma tradição, Tomé teria posteriormente atravessado o subcontinente até a costa oriental, na região da atual Chennai (antiga Madras), onde pregou e foi martirizado por volta do ano 72, atravessado por uma lança enquanto orava numa gruta próxima — hoje também um local de peregrinação conhecido como Monte de São Tomé. Seu corpo teria sido sepultado no local onde hoje se ergue a Basílica de São Tomé, em Mylapore, tornando o templo uma das únicas três igrejas no mundo edificadas diretamente sobre o túmulo de um dos Doze Apóstolos, ao lado da Basílica de São Pedro em Roma, sobre o túmulo de Pedro, e da Catedral de Santiago de Compostela, na Espanha, associada à tradição do sepultamento de Tiago Maior.
A presença cristã em Mylapore atravessou séculos sem qualquer vínculo com a Europa: registros históricos indicam que, já nos séculos IX e X, viajantes árabes chamavam a cidade de Betumah (“cidade de Tomé”), e que comunidades de cristãos nestorianos vindos da Pérsia mantinham ali um centro de culto. O próprio Marco Polo, em viagem ao Oriente entre 1254 e 1324, visitou o local e registrou em seus relatos a existência de uma pequena capela erguida sobre o túmulo do apóstolo, então já objeto de veneração havia gerações tanto por cristãos locais quanto por muçulmanos e hindus da região, que reconheciam a santidade do lugar independentemente de sua própria tradição religiosa. Quando os portugueses chegaram à costa de Coromandel no início do século XVI, à procura das relíquias do apóstolo mencionadas em relatos medievais europeus, encontraram a antiga capela já em ruínas; reconstruíram-na em 1523 como igreja de pedra, dando início à presença católica organizada na região sob a esfera de influência do Padroado português no Oriente.
A edificação que hoje se vê, de estilo neogótico e torre branca de cerca de 47 metros de altura visível do mar, resulta de uma reconstrução ampla realizada entre 1893 e 1896 já sob administração britânica da província de Madras, quando a antiga igreja portuguesa foi substituída por um templo maior, de inspiração europeia, mas erguido sobre as mesmas fundações históricas. O papa Pio XII elevou o templo à dignidade de basílica menor em 1956, reconhecimento renovado e ampliado ao longo do século seguinte com sucessivas visitas de autoridades eclesiásticas internacionais. Um dos elementos mais visitados do complexo é a cripta subterrânea, à qual se desce por uma escadaria estreita e onde os peregrinos podem se aproximar do local tradicionalmente identificado como o túmulo do apóstolo, marcado por uma imagem de São Tomé e por relíquias associadas à lança de seu martírio; ao lado, um pequeno museu guarda achados arqueológicos da região, incluindo moedas romanas antigas encontradas em escavações próximas, indício de rotas comerciais entre o Império Romano e a costa indiana já nos primeiros séculos da era cristã. A basílica permanece hoje um dos principais destinos de peregrinação cristã da Ásia, recebendo fiéis de tradições católica, ortodoxa síria e protestante, todos reivindicando alguma ligação histórica com a evangelização de Tomé no subcontinente indiano.
A reconstrução neogótica atual, consagrada solenemente em 1º de abril de 1896 pelo bispo Henry Reed da diocese de Madras, deu à basílica sua torre branca hoje visível a longa distância a partir do mar, historicamente também utilizada como ponto de referência por navegadores que se aproximavam da costa de Coromandel. No museu anexo ao templo, os visitantes podem observar relíquias associadas à tradição da morte do apóstolo, entre elas uma lança apontada pela devoção local como o instrumento de seu martírio, além de peças arqueológicas recuperadas na região ao longo do século XX. Em fevereiro de 1986, o papa João Paulo II visitou a basílica durante sua viagem à Índia — até hoje o único pontífice romano a peregrinar até o túmulo de Tomé em Mylapore —, gesto que reforçou junto à Igreja universal o reconhecimento da antiguidade e da importância da tradição cristã indiana ligada ao apóstolo.
Os dezesseis vitrais e trinta e quatro painéis de vidro colorido que iluminam o interior do templo foram encomendados ao histórico ateliê Mayer & Company, de Munique, na Alemanha, e incluem, num arco em destaque atrás do altar-mor, a cena mais associada à identidade do apóstolo: o episódio evangélico em que Tomé, incrédulo diante do anúncio da Ressurreição, toca com o dedo a chaga do costado de Cristo antes de professar sua fé. Além da lança do martírio, o acervo de relíquias da basílica inclui também restos ósseos atribuídos ao próprio apóstolo, preservados numa capela subterrânea moderna, ao lado de relíquias de São Francisco Xavier e de São Bartolomeu Apóstolo, reunindo num mesmo espaço testemunhos materiais de diferentes momentos da evangelização asiática.
Continue sua leitura

São Tomé Apóstolo
Santos
Um dos Doze Apóstolos, célebre pela dúvida diante da Ressurreição e pela profissão de fé "Meu Senhor e meu Deus"; a tradição situa sua missão na Índia.

São Francisco Xavier
Santos
Cofundador da Companhia de Jesus, missionário na Índia, no Sudeste Asiático e no Japão, considerado padroeiro das missões católicas.

Santa Teresa de Calcutá
Santos
Religiosa albanesa, fundadora das Missionárias da Caridade, dedicada aos mais pobres entre os pobres em Calcutá, Índia; ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.
Milagre Eucarístico de Chirattakonam
Milagres Eucarísticos
Hóstia exposta em adoração desenvolveu a imagem de um rosto semelhante ao de Cristo coroado de espinhos, na Índia, em 2001.
