Arte Sacra · Símbolo 14
A Cruz de Santo André
A cruz em forma de X (crux decussata), atributo iconográfico do apóstolo André e símbolo nacional da Escócia sob o nome de Saltire.

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A cruz de Santo André é uma cruz em forma de X, tecnicamente chamada crux decussata (do latim decussare, "cortar em forma de X", referência à décima letra romana). Ela é o atributo iconográfico tradicional do apóstolo André, irmão de Pedro, e fundador, segundo a tradição, da Igreja de Bizâncio — donde sua veneração como patriarca e padroeiro do Oriente cristão e do Patriarcado de Constantinopla.
Há aqui uma controvérsia histórica que convém registrar com clareza. Os textos mais antigos sobre o martírio de André — os Atos de André, texto apócrifo do século II, conhecido por nós sobretudo através da compilação de Gregório de Tours — descrevem que ele teria sido atado, e não pregado, a uma cruz latina comum, e não a uma cruz em X. A tradição da cruz em forma de X desenvolveu-se posteriormente: conta-se que André teria pedido esse formato por se julgar indigno de morrer numa cruz idêntica à de Cristo. A iconografia familiar que hoje o mostra atado à cruz em X não parece ter sido padronizada antes do fim da Idade Média. A tradição situa seu martírio em Patras, na Acaia (Grécia), por volta do ano 60.
A associação da cruz em X à Escócia tem origem lendária, ligada à Batalha de Athelstaneford, tradicionalmente datada de 832, no atual East Lothian. Segundo o relato, Óengus (Angus) II, rei dos pictos, à frente de forças de pictos e escoceses, teria visto no céu azul a formação de uma nuvem em forma de sautor branco — o X do martírio de André — e, prometendo ao santo o patronato da Escócia em caso de vitória, venceu os anglos comandados por Æthelstan. A narrativa chega-nos por cronistas tardios, como Walter Bower e George Buchanan, e deve ser tratada como lenda. Historicamente, a iconografia do martírio em X aparece pela primeira vez na Escócia por volta de 1180, no reinado de Guilherme I, e reaparece em selos do fim do século XIII, inclusive um dos Guardiões da Escócia, de 1286. A Declaração de Arbroath (1320) invoca a conversão da Escócia por Santo André, "o primeiro a ser apóstolo".
Como símbolo, o sautor branco sobre fundo azul é, segundo a tradição, uma das bandeiras mais antigas da Europa. A referência textual mais antiga à Cruz de Santo André como bandeira encontra-se no Livro de Horas de Viena, de c. 1503, onde ela aparece como sautor branco sobre fundo vermelho; o uso do fundo azul na Escócia remonta ao menos ao século XV, com a primeira ilustração de uma bandeira nesse formato no Register of Scottish Arms, de Sir David Lyndsay of the Mount, c. 1542. A Cruz de Santo André é uma das três cruzes que compõem a bandeira do Reino Unido. A mesma figura, sob a forma da Cruz de Borgonha, difundiu-se ainda na heráldica do Império Espanhol. Fora do âmbito nacional, a cruz em X também é chamada de cruz de Santa Tecla e, por associação à sua forma em T aparentada, às vezes confundida na devoção popular com a cruz de Santo Antônio.

