Arte Sacra · Símbolo 15
O Tau
A letra em forma de T adotada por São Francisco de Assis como assinatura e símbolo pessoal, hoje distintivo da espiritualidade franciscana.
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A cruz tau — também chamada cruz de Santo Antônio, cruz de São Francisco ou cruz egípcia — é uma cruz cristã em forma de T, modelada sobre a letra grega tau (τ) e a última letra do alfabeto hebraico. Seu significado bíblico mais difundido vem do livro de Ezequiel: Deus manda um enviado marcar com um "T" na fronte os que gemem e suspiram pelas abominações de Jerusalém, para que sejam poupados do castigo (Ez 9,3-6). Na Antiguidade cristã, a forma já era interpretada como símbolo da cruz: o chamado estaurograma — ligadura das letras tau e rho, do grego ΣΤΑΥΡΟΣ ("cruz") — abreviava a palavra "cruz" nos mais antigos manuscritos do Novo Testamento, como os papiros P66, P45 e P75. O tau também foi associado à salvação, quer pela identificação com o sinal de Ezequiel, quer pela semelhança com Moisés de braços abertos em Êxodo 17,11; Santo Antônio do Egito já o levava em seu manto.
O uso franciscano do tau remonta ao próprio Francisco de Assis, que o adotava como assinatura e selo pessoal, desenhando-o à mão em suas cartas e escritos. Duas influências diretas costumam ser apontadas. A primeira foram os antonianos — comunidade religiosa fundada em 1095, dedicada a cuidar de leprosos, que trazia uma grande cruz tau pintada no hábito; Francisco tinha relações estreitas com eles, por trabalharem no leprosário de Assis e no Hospital de São Brás, em Roma. A segunda, e mais forte, foi o IV Concílio de Latrão, inaugurado pelo papa Inocêncio III em 11 de novembro de 1215. Segundo os primeiros biógrafos e a tradição franciscana, Inocêncio III abriu o concílio com uma homilia construída sobre Ezequiel 9,4, exortando os ouvintes a serem marcados com o tau; historiadores geralmente admitem que Francisco estava presente à assembleia. Circulou a tradição de que o papa teria encerrado exortando os presentes a serem "campeões do Tau".
Os primeiros biógrafos relatam que Francisco amava e venerava o tau "porque representa a cruz e significa uma verdadeira penitência"; santiguava-se com esse sinal, preferia-o a qualquer outro, pintava-o nas paredes das celas, recomendava-o na pregação e o desenhava como firma em todas as suas cartas, "como se toda a sua preocupação fosse gravar o sinal do tau, segundo o dito profético, sobre as frentes dos homens". O tema da penitência e da conversão contínua perpassa seus escritos, como a Carta aos Fiéis (c. 1209-1215), exortação sobre os que fazem e os que não fazem penitência. Como sinal, o tau assumiu para Francisco o sentido de certeza de salvação, de universalidade da salvação e de conversão permanente. Na tradição iconográfica, os três nós por vezes representados no tau ou no cordão franciscano lembram os três votos religiosos: pobreza, obediência e castidade.
Depois de Francisco, o tau consolidou-se como símbolo distintivo dos franciscanos, em hábitos, colares, capelas e brasões, e permanece em uso pela Ordem dos Frades Menores e pela Ordem Franciscana Secular, cujos membros o trazem como pino ou medalha. A liturgia e a piedade preservaram-no igualmente como sinal de bênção — o papa Inocêncio III teria usado o gesto do tau para abençoar — e a sua associação a Ezequiel o tornou, em contextos escatológicos, sinal de eleição e de proteção dos justos, ecoado no Apocalipse (7,2-4), onde os servos de Deus são assinalados na fronte.
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