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Arte Sacra · Símbolo 16

A Cruz de Jerusalém

Uma cruz potente central cercada por quatro cruzes gregas menores, ligada ao Reino Latino de Jerusalém, à Ordem do Santo Sepulcro e à devoção às cinco chagas.

A Cruz de Jerusalém

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A Cruz de Jerusalém — também chamada cruz das cinco cruzes, cruz dos cruzados ou, na heráldica, cruz-e-cruzetas (cross-and-crosslets) — é formada por uma cruz potente central, cujas extremidades terminam em pequenas barras transversais, ladeada nos quatro espaços de seus braços por cruzes gregas menores. Sua versão heráldica mais difundida traz as cinco cruzes em ouro sobre campo de prata (às vezes sobre vermelho), sendo o ouro-sobre-prata uma das raras exceções admitidas à regra clássica da heráldica que proíbe metal sobre metal; presume-se que a violação tenha sido deliberada, em razão da santidade especial atribuída a essas armas.

A origem do desenho é objeto de debate entre os estudiosos. Uma tradição historiográfica associa-o a Godofredo de Bulhão, principal chefe da Primeira Cruzada, que teria recusado o título de rei para governar Jerusalém como "Defensor do Santo Sepúlcro"; essa atribuição, porém, não deve ser apresentada como fato comprovado. A documentação heráldica indica que o emblema se consolidou apenas nos séculos XIII e XIV: os selos dos governantes de Jerusalém do século XII não mostram o desenho atual, mas uma representação simplificada da cidade, com a Torre de Davi entre a Cúpula da Rocha e o Santo Sepulcro. O frade franciscano David Grenier, da Custódia da Terra Santa, sustenta que a cruz se originou no cristianismo oriental, entre os séculos V e VI, tendo sido depois adotada pelos cruzados e pelo Reino de Jerusalém (1099–1291). Em armoriais medievais como o Rolo de Camden ela figura como as armas do Reino de Jerusalém em ouro sobre campo de prata. Filipe de Courtenay, que manteve o título de Imperador Latino de Constantinopla entre 1273 e 1283, usou uma forma ampliada em que cada uma das quatro cruzetas era, por sua vez, cercada por outras quatro cruzes menores.

Existem várias leituras simbólicas tradicionais para as cinco cruzes, e elas não se excluem. A mais difundida associa-as às cinco chagas de Cristo: a cruz central representa a ferida do lado aberta pela lança, e as quatro cruzetas, as feridas das mãos e dos pés. Outra vê nas quatro cruzes pequenas os quatro evangelistas em torno de Cristo, indicando a difusão do Evangelho aos quatro cantos da terra; uma terceira lê o conjunto como o Antigo Testamento unido aos quatro Evangelhos.

A cruz tornou-se a insígnia do Patriarcado Latino de Jerusalém e da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, instituição de cavalaria católica cujas origens remontam à Primeira Cruzada e que hoje mantém obras na Terra Santa sob proteção direta da Santa Sé. Também é o emblema usado pela Custódia Franciscana da Terra Santa e figura na bandeira nacional da Geórgia. Peregrinos medievais tatuavam-na no corpo ao visitar os Lugares Santos, costume ainda preservado por algumas famílias cristãs de Jerusalém.

Desde o início do século XXI, o símbolo passou a ser apropriado por grupos de extrema-direita, supremacistas brancos e nacionalistas cristãos, frequentemente associado ao lema "Deus vult". Variantes da cruz foram exibidas, junto à frase, em bandeiras durante o comício neonazista "Unite the Right", em Charlottesville, em 2017. Em novembro de 2024, uma tatuagem da Cruz de Jerusalém no peito de Pete Hegseth, então indicado a secretário de Defesa dos Estados Unidos, gerou polêmica; a Ordem do Santo Sepulcro veio a público esclarecer que, para a imensa maioria dos cristãos, a cruz é sinal da Paixão de Cristo e inspiração de peregrinos, e não um chamado nacionalista.

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