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Apologética

Como a Igreja avalia hoje as Cruzadas medievais?

Em 2000, João Paulo II pediu publicamente perdão pelos pecados cometidos por cristãos ao longo da história, incluindo as guerras religiosas — sem negar a complexidade histórica do fenômeno das Cruzadas.

Objeção
As Cruzadas não mostram que a Igreja, na prática, sempre recorreu à violência para se impor?

As Cruzadas (1095-1291) foram uma série de campanhas militares, convocadas por diferentes papas a partir de Urbano II, com objetivos que incluíam retomar Jerusalém e os Lugares Santos do controle muçulmano, responder a pedidos de socorro do Império Bizantino e, em alguns episódios lamentáveis — como o saque de Constantinopla em 1204, na Quarta Cruzada —, degeneraram em violência contra outros cristãos, motivada por interesses políticos e econômicos que já então eram criticados por vozes dentro da própria Igreja.

A Igreja Católica de hoje não trata as Cruzadas como um bloco moralmente uniforme a ser simplesmente aprovado ou condenado por inteiro: reconhece nelas tanto motivações religiosas genuínas (a defesa de peregrinos e de territórios cristãos) quanto graves abusos e excessos de violência incompatíveis com o Evangelho. Em 12 de março de 2000, no chamado "Dia do Perdão" do Grande Jubileu, o Papa João Paulo II presidiu uma celebração pública na Basílica de São Pedro pedindo perdão pelos pecados cometidos por filhos da Igreja ao longo da história, mencionando explicitamente os "métodos de intolerância e mesmo de violência" empregados na defesa da verdade — um gesto sem precedente na frequência com que um papa usou publicamente a expressão "peço perdão".

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