Arte Sacra · Símbolo 17
O Báculo Pastoral
O cajado de metal com a ponta recurvada que o bispo carrega, insígnia e sinal de sua missão de pastor do rebanho confiado aos seus cuidados.

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O báculo (em latim baculus) é a insígnia episcopal que representa o ofício do bispo como pastor da porção do povo de Deus confiada a seus cuidados, à semelhança do cajado com que os pastores conduzem as ovelhas. Também chamado crosier ou crosse, recebeu ao longo da história vários nomes — pedum, ferula, cambuta, combula, crocia, virga pastoralis — e no Oriente é designado paterissa. Quanto à origem do objeto, as fontes divergem: alguns autores traçam uma afinidade com o lituus, a vara curva dos áugures romanos; outros o consideram adaptação dos bastões de apoio em viagem e, nas igrejas, usados antes da introdução dos assentos (Catalani, Pont. Rom., Proleg. xx); outros ainda o ligam ao próprio cajado do pastor. Desde data muito remota tornou-se uma das principais insígnias do ofício episcopal.
Não é fácil determinar quão cedo ele passou ao uso litúrgico. Nos primeiros textos dos Padres a palavra pode ser tomada literal ou metaforicamente (como em 1 Cor 4,21), e não se pode estabelecer se designa já um ornamento eclesiástico. Há báculos encontrados nas catacumbas, datados do século IV, mas não se estabeleceu seu caráter cerimonial. O uso litúrgico provavelmente remonta ao século V, sendo mencionado numa carta do Papa Celestino I (morto em 432) aos bispos de Vienne e Narbona. A primeira referência inequívoca a ele como instrumento litúrgico costuma ser atribuída ao Concílio de Toledo de 633 — o IV Concílio de Toledo, reunido pelo rei visigodo Sisenando e presidido por Isidoro de Sevilha — embora persista certa imprecisão sobre o cânon exato em que a menção aparece.
Os estudiosos distinguem três formas antigas de báculo. A mais remota era uma vara de madeira dobrada ou curvada na parte superior e pontiaguda na extremidade inferior, conhecida como pedum. A segunda trazia, em lugar da curvatura, um pomo frequentemente encimado por uma cruz, e chamava-se ferula ou cambuta, às vezes usada pelos papas. A terceira tinha no topo uma crux decussata, ou T grego, com os braços da cruz por vezes tão torcidos que representavam duas serpentes opostas; era a crocia, levada por abades e bispos no rito oriental e de que deriva a forma ocidental atual, em cajado de pastor. O material original era em regra madeira de cipreste, muitas vezes revestida ou incrustada de ouro e prata; posteriormente fizeram-se báculos de marfim maciço, ouro, prata e metal esmaltado. Entre as peças preservadas cita-se o báculo de São Malo, bispo do século VI, conservado na catedral de Bruges.
Os séculos XI e XII testemunham ornamentação elaboradíssima na cabeça do báculo: a empunhadura amiúde terminava em um dragão traspassado por uma cruz ou em outra figura alegórica, enquanto rica decoração floral preenchia a curva. No século XIII, os espaços entre as espirais recebiam temas religiosos e estatuetas de santos; nas peças góticas, o pomo era engastado em pedras preciosas. Um exemplo é o báculo francês de Limoges (c. 1260-1290), em cobre dourado e esmalte champlevé, cuja voluta representa a Anunciação e cujo nó traz seis escudos heráldicos, com três serpentes caindo pela haste.
Liturgicamente o bispo porta o báculo nas celebrações pontificais solenes, por direito em sua própria diocese e por privilégio fora dela; prelados inferiores também o usam quando têm o privilégio de exercer funções pontificais. Recebe-o no rito de ordenação episcopal, quando o ordenante profere a fórmula do Pontifical Romano: «Accipe baculum pastoralis officii; et sis in corrigendis vitiis pie sæviens, judicium sine ira tenens, in fovendis virtutibus auditorum animos mulcens, in tranquillitate severitatis censuram non deserens» — «Recebe o báculo do ofício pastoral; sê piedosamente severo na correção dos vícios, exercendo o juízo sem ira, amansando com o incentivo à virtude a alma dos que te ouvem, e não abandonando, na tranquilidade, a censura da severidade». A tradição interpreta simbolicamente cada parte: a ponta inferior, aguçada, para estimular os indolentes; a haste reta do meio, para significar o governo justo; e a extremidade superior, recurvada, para atrair e reconduzir as almas. Segundo a formulação atribuída a Inocêncio III, o bispo deve «esporear os preguiçosos, sustentar os fracos, reunir os dispersos».
A orientação da voluta também distinguia a autoridade: o bispo voltava-a para o povo sobre o qual se estendia sua jurisdição, enquanto o abade a voltava para trás, indicando que seu governo alcançava apenas sua comunidade. O báculo abacial é ainda menor que o episcopal e, na presença do bispo, cobre-se com um véu (panniculus). Quando o bispo não segura o báculo, ele é confiado a um cerimoniário, o «portador do báculo», que pode usar sobre os ombros um véu em forma de xale, o vimpa, para segurá-lo sem tocá-lo com as mãos nuas. O papa, por sua vez, não usa o báculo comum: nas aparições antigas ele aparece com o crosier, mas o uso desapareceu por volta do século XI — Inocêncio III (m. 1216) atesta que já não prevalecia — e hoje o pontífice emprega a ferula, encimada por um crucifixo. Alguns simbolistas explicam a ausência do báculo no papa pela lenda de que São Pedro teria entregado seu bastão a um discípulo para ressuscitar um morto.
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