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CompêndioCatólico

Arte Sacra · Símbolo 18

A Mitra Episcopal

A cobertura de cabeça fendida em duas pontas, com duas faixas pendentes, usada por bispos e abades como sinal de sua dignidade e autoridade de ensino.

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A Mitra Episcopal

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A mitra (do grego μίτρα, "faixa" ou "turbante", passando ao latim mitra) é o adorno litúrgico de cabeça formado por duas peças rígidas terminadas em ponta — chamadas cornua — com um galão ou círculo sobre a fronte e duas faixas franjadas, as ínfulas ou vittae, que descem sobre as costas. É usada nas celebrações pontificais solenes e, no Ocidente, tornou-se insígnia não só de bispos, mas também de abades mitrados, de cardeais e de quem é canonicamente equiparado a bispo diocesano.

Sua origem é romana: deriva de uma cobertura de cabeça não litúrgica, distintiva do papa, o camelaucum, do qual também se origina a tiara. O camelaucum era usado já no início do século VIII, como atesta a biografia do Papa Constantino I (708–715) no "Liber Pontificalis"; é mencionado ainda na chamada "Doação de Constantino". O Nono Ordo o descreve como feito de material branco e moldado como um capacete, e as moedas dos papas Sérgio III (904–911) e Bento VII (974–983), nas quais São Pedro aparece usando o camelaucum, dão-lhe a forma cônica que é a forma original da mitra. O papa o usava sobretudo nas procissões solenes; no decorrer do século X passou a usá-lo também durante o serviço litúrgico, e daí se desenvolveu a mitra.

A primeira referência escrita à mitra é a bula de 1049 do Papa Leão IX — ele próprio antes bispo de Toul — que, confirmando a primazia da Igreja de Tréveris a seu antigo metropolita Eberardo, concedeu-lhe a "mitra romana" para usá-la segundo o costume de Roma ao exercer os ofícios da igreja. Estima-se que a mitra tenha sido usada primeiro em Roma por volta da metade do século X e fora de Roma pelo ano 1000; as primeiras descrições são de duas miniaturas do início do século XI (uma num registro batismal e outra num pergaminho do Exultet, da catedral de Bari). Entre 1100 e 1150, seu uso já se havia generalizado entre os bispos. Durante o século XI a mitra era um barrete cônico com uma fita em torno da fronte; ao longo do século XII a ponta arredondou-se e depois se fendeu ao centro, formando as duas pontas laterais, até que no fim do século XII as pontas passaram a ser colocadas à frente e atrás, ornadas por um galão vertical, o títulus.

Na Igreja latina desenvolveram-se três classes de mitra. A mitra pretiosa é ricamente decorada, por vezes com pedrarias e bordados em fio de ouro, e se usava nas grandes solenidades. A mitra auriphrygiata, em tecido dourado ou em seda branca com fios de ouro e prata, era própria do Advento e da Quaresma e de certas partes da missa pontifical. A mitra simplex, de damasco de seda branco ou linho, sem ornamento, era usada nos funerais, nos ofícios da Sexta-feira Santa e quando quem a portava não era o celebrante principal; nas pontificais costumavam empregar-se duas mitras, alternadas conforme o momento.

Entre os significados atribuídos às suas partes, as duas pontas simbolizam o conhecimento que o prelado deve ter do Antigo e do Novo Testamento, e as duas ínfulas que pendem às costas representam igualmente os dois Testamentos. O próprio formato pontudo, erguido para o alto, recorda que a autoridade do bispo vem de Deus. A mitra é retirada nos momentos de oração mais direta, como a Oração Eucarística, e, na heráldica eclesiástica católica, desde 1969 seu uso sobre o escudo pessoal do clero foi suprimido, aparecendo hoje apenas em armas corporativas, como as de algumas dioceses.

Fontes

(4)
  • Wikipédia (pt), «Mitra (insígnia)»
  • Enciclopédia Católica (Lírio Católico), verbete «Mitra»
  • Bula do Papa Leão IX (1049) a Eberardo de Tréveris
  • Wikipédia (de), «Mitra» (classes de mitra no rito latino)

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