Arte Sacra · Símbolo 19
O Pálio
Faixa de lã branca em forma de "Y", usada pelo papa e por arcebispos metropolitanos como sinal do ministério pastoral e da comunhão com a Sé de Roma.

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O pálio — do latim pallium, "manto de lã" — é uma estreita faixa de lã branca colocada sobre os ombros, por cima da casula. Hoje tem a forma de "Y", com duas tiras pendentes à frente e atrás, decorada com seis cruzes de seda preta — uma em cada extremidade que desce sobre o peito e sobre as costas, e quatro no anel que repousa sobre os ombros — e guarnecida, à frente e atrás, com três alfinetes (acicula) que recordam os três cravos da cruz de Cristo. As pontas são rematadas com seda preta, para lembrar as patas escuras do cordeiro que o pastor carrega sobre os ombros.
Originalmente, o pálio era a tira de pano enrolada nos ombros usada por todos os bispos, como se vê na iconografia de santos como Santo Ambrósio, Santo Atanásio e São João Crisóstomo; na arte paleocristã, Cristo e os apóstolos eram representados com esse manto. Foi somente a partir do século IX que ele assumiu o formato atual de "Y" e se tornou prerrogativa dos arcebispos metropolitanos, como símbolo da jurisdição que exercem em comunhão com a Santa Sé. O primeiro registro conhecido de sua concessão formal data de 6 de novembro de 513, quando o papa Símaco o entregou a São Cesário de Arles — o qual, em 11 de junho de 514, seria também nomeado vigário pontifício para a Gália e a Espanha.
A confecção do pálio conserva um ritual que atravessa os séculos. Dois cordeiros brancos, criados pelos monges trapistas da Abadia das Tre Fontane, em Roma, são apresentados e abençoados na memória de Santa Inês, em 21 de janeiro — a escolha do dia não é casual: Agnus, "cordeiro", ecoa o nome da mártir romana, traspassada na garganta como se matavam os cordeiros. Desde 1644 os animais são abençoados na Basílica de Santa Inês Fora dos Muros, na Via Nomentana, e depois levados ao papa; um leva flores brancas, símbolo da virgindade da santa, e outro flores vermelhas, símbolo de seu martírio. A lã é então tecida e costurada pelas monjas de clausura do Mosteiro de Santa Cecília, em Trastevere, e os pálios ficam depositados junto ao túmulo de São Pedro, sob o altar da Confissão, antes de serem entregues.
O rito de entrega passou por mudanças recentes. Em 1983, São João Paulo II instituiu a prática de impor pessoalmente o pálio aos novos arcebispos metropolitanos na solenidade de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho. Em 2015, o papa Francisco alterou o costume: passou a abençoar os pálios em Roma, mas confiou a imposição ao núncio apostólico na própria arquidiocese, como sinal do vínculo do arcebispo com a Igreja local. Em junho de 2025, porém, o Escritório das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice anunciou que o papa Leão XIV voltaria a impor pessoalmente os pálios na festa dos apóstolos, em Roma — restauração que ocorreu na celebração de 29 de junho daquele ano, diante dos novos metropolitanos.
O Código de Direito Canônico determina que todo arcebispo metropolitano solicite o pálio ao papa no prazo de três meses após a nomeação ou consagração, pois "o pálio significa o poder que o metropolita, em comunhão com a Igreja romana, exerce por direito em sua própria província". O sinal, portanto, é ao mesmo tempo jurídico e pastoral: na missa de início de seu pontificado, em 24 de abril de 2005, Bento XVI explicou que a lã do cordeiro representa "a ovelha perdida, a doente, a fraca, que o pastor põe sobre os ombros para conduzi-la às águas da vida".
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