Ritos Orientais
Rito Siro-Malancarês
Igreja indiana de Kerala de rito siríaco ocidental (antioqueno), nascida do Movimento de Reunião liderado por Mar Ivanios em 1930 e elevada a Igreja Arquiepiscopal Maior em 2005.

- Família litúrgica
- Antioquena (Siríaca Ocidental)
- Região
- Índia (Kerala)
Tamanho do texto
A Igreja Siro-Malancarês, sediada em Kerala, na Índia, compartilha com a Siro-Malabar a mesma herança apostólica atribuída à pregação de São Tomé (segundo a tradição, chegado à costa do Malabar no ano 52), mas adota a liturgia siríaca ocidental, de tradição antioquena — a mesma família litúrgica da Igreja Siríaca e da Maronita. Essa ligação com o Ocidente sírio consolidou-se sobretudo a partir do século XVII, quando parte dos cristãos de São Tomé entrou em comunhão com o patriarcado siríaco-ortodoxo de Antioquia para resistir à latinização imposta pelos missionários portugueses do Padroado. Essa comunidade veio a constituir a Igreja Ortodoxa Síria Malancar, da qual descendem tanto a Igreja Siro-Malancarês quanto a Igreja Malancar (jacobita) ainda hoje separada de Roma.
A origem da Igreja Católica Siro-Malancarês está no chamado Movimento de Reunião. Em 1926, o sínodo episcopal da "Nova Partido" (Bava Kakshi), reunido em Parumala, delegou ao metropolita Geevarghese Mar Ivanios (1882-1953) a negociação direta com a Santa Sé, condicionando a união à preservação integral das antigas tradições litúrgicas e disciplinares da Igreja do Malancar. Após longas tratativas, a sessão plenária da Congregação para as Igrejas Orientais, de 4 de julho de 1930, aprovou a comunhão. Em 20 de setembro de 1930, na capela episcopal de Quilon, Mar Ivanios, seu bispo auxiliar Jacob Mar Theophilos, o padre John Kuzhinapurath (OIC), o diácono Alexandre (OIC) e o leigo Chacko Kilileth fizeram sua profissão de fé e foram recebidos na plena comunhão por Dom Aloysius Maria Benziger, bispo de Quilon, delegado pela Santa Sé para o ato.
A Hierarquia foi estabelecida por Pio XI. Uma primeira provisão canônica, o documento *Magnum Nobis* (11 de fevereiro de 1932), organizou a administração dos fiéis reunidos; em três visitas ao papa naquele ano (26 de abril, 2 e 11 de maio), Mar Ivanios recebeu o pálio (2 de maio). Por fim, a constituição apostólica *Christo Pastorum Principi*, de 11 de junho de 1932, erigiu a hierarquia da Igreja, criando a Eparquia Metropolitana de Trivandrum (Tiruvanantapuram) e a Eparquia de Tiruvalla como sua sufragânea. A primeira foi inaugurada em 11 de maio de 1933, com Mar Ivanios entronizado primeiro metropolita; a segunda, em 6 de novembro de 1933, tendo Mar Theophilos como primeiro bispo. A reunião atraiu adesões posteriores, como as dos metropolitas Joseph Mar Severios (1937) e Thomas Mar Dioscoros (1939).
Mar Ivanios governou até sua morte, em 15 de julho de 1953, estando sepultado na Catedral de Santa Maria, em Pattom (Tiruvanantapuram), onde também repousam os restos do arcebispo Benedict Mar Gregorios e do primeiro católico de rito próprio, Cyril Baselios. A Igreja cresceu de cerca de 65.588 fiéis em 1950 para 183.490 em 1970 e mais de 400.000 em doze eparquias na Índia e na diáspora. Em 10 de fevereiro de 2005, João Paulo II elevou-a à condição de Igreja Arquiepiscopal Maior, equiparando seu chefe ao título de Catholicos — usado pela Igreja desde então, com sé na Catedral de Santa Maria, em Pattom. Basiléos Cleemis (Thottunkal) foi eleito segundo arcebispo maior e entronizado em 5 de março de 2007; a Igreja mantém ainda eparquias fora da Índia, como a dos Estados Unidos e Canadá e a de Gurgaon. A liturgia é celebrada segundo o rito malancar (siríaco ocidental), com o Qurbana no idioma litúrgico sírio e o uso da *Peshitta* como Escritura própria.

