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Cardeais

Jaime Lucas Ortega y Alamino

Cardeal cubano, arcebispo de Havana por quase 35 anos, protagonista do diálogo entre a Igreja Católica e o Estado cubano e mediador das negociações secretas que reataram laços entre Cuba e os Estados Unidos em 2014.

Jaime Lucas Ortega y Alamino
Ordem cardinalícia
Cardeal-presbítero
País
Cuba
Criação
1994
Papa criador
João Paulo II

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Jaime Lucas Ortega y Alamino nasceu em 18 de outubro de 1936 em Jagüey Grande, na província cubana de Matanzas, filho de um operário de usina açucareira que depois se tornou comerciante. Concluiu a educação básica na escola Arturo Echemendía e a secundária no Instituto Superior de Estudios Secundarios de Matanzas, obtendo em 1955 um diploma de artes e ciências. Entrou em 1956 para o Seminário de San Alberto Magno, em Matanzas, dirigido pelos Padres das Missões Estrangeiras de Quebec, ainda sob o governo de Fulgêncio Batista; depois de quatro anos de humanidades e filosofia, foi enviado pela diocese para estudar teologia no Seminário das Missões Estrangeiras em Laval, no Quebec, no Canadá. Retornou a Cuba — já sob o regime revolucionário de Fidel Castro, instaurado em 1959 — e foi ordenado sacerdote em 2 de agosto de 1964, na Catedral de Matanzas, por dom José Maximino Eusebio Domínguez y Rodríguez.

Seu ministério inicial, como vigário coadjutor em Cárdenas, foi interrompido já em 1966: Ortega foi detido e enviado por cerca de oito meses a um dos campos de trabalho forçado conhecidos pela sigla UMAP (Unidades Militares de Ayuda a la Producción), que o governo cubano impunha então a padres, seminaristas, homossexuais, testemunhas de Jeová e outros grupos considerados socialmente indesejáveis ou politicamente suspeitos pelo regime — episódio do qual falou publicamente quase cinquenta anos depois, numa entrevista de 2014, em que afirmou ter sido «uma experiência única na vida de um sacerdote», que o colocou «no meio do povo». Ao fim do internamento, em 1967, foi nomeado pároco de sua cidade natal, Jagüey Grande, onde, como quase todos os sacerdotes cubanos da época, escassos e sobrecarregados, acumulou o cuidado de várias paróquias. Em 1969 tornou-se pároco da Catedral de Matanzas, acumulando a paróquia de Pueblo Nuevo e duas igrejas rurais, além de presidir a Comissão Diocesana de Catequese e de fundar um movimento juvenil com acampamentos de verão e evangelização por meio do teatro. Lecionou ainda teologia moral no Seminário Interdiocesano San Carlos e San Ambrosio, em Havana, durante vários anos.

Nomeado bispo de Pinar del Río pelo papa João Paulo II em 4 de dezembro de 1978 e consagrado em 14 de janeiro de 1979 por dom Mario Tagliaferri, foi promovido em 21 de novembro de 1981 à sé metropolitana de San Cristóbal de Havana, a mais importante do país. Presidiu a Conferência dos Bispos Católicos de Cuba em 1988-1998 e novamente em 2001-2007, foi segundo vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) entre 1995 e 1999 e consultor da Pontifícia Comissão para a América Latina. Foi criado cardeal por João Paulo II no consistório de 26 de novembro de 1994, recebendo o título de cardeal-presbítero dos Santos Áquila e Priscila, e tornou-se assim o segundo cubano da história a receber o barrete cardinalício — o primeiro fora dom Manuel Arteaga y Betancourt, criado por Pio XII em 1946. Participou como eleitor dos conclaves de 2005, que elegeu Bento XVI, e de 2013, que elegeu Francisco.

Como arcebispo de Havana, conduziu com notável cautela o relacionamento entre a Igreja e um Estado oficialmente ateu, sustentando um diálogo direto e discreto com as autoridades que, ao longo das décadas, foi abrindo pequenos e graduais espaços de liberdade religiosa. Datam desse esforço medidas concretas, como a reintrodução do feriado de Natal, suspenso em Cuba desde 1968 para não interromper a colheita da cana: a pedido do próprio João Paulo II, feito a Fidel Castro no Vaticano no outono de 1996, Castro anunciou em 13 de dezembro de 1997 o restabelecimento do feriado já naquele ano, gesto que precedeu a visita papal. Essa visita histórica de João Paulo II a Cuba, em janeiro de 1998 — a primeira de um papa ao país, de 21 a 26 daquele mês — contou com a articulação pessoal de Ortega junto ao governo, abrindo caminho para as duas visitas papais seguintes, também articuladas por ele: a de Bento XVI, em março de 2012, e a de Francisco, em setembro de 2015.

Em seus últimos anos à frente da arquidiocese, teve papel hoje amplamente reconhecido como interlocutor de bastidores nas negociações secretas que levaram ao anúncio surpreendente do restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos, em 17 de dezembro de 2014, após mais de cinco décadas de ruptura. O próprio Ortega narrou o processo em detalhe no livro «Encuentro, diálogo y acuerdo. El papa Francisco, Cuba y Estados Unidos» (2017): Francisco confiou-lhe duas cartas — uma destinada a Raúl Castro e outra a Barack Obama —, que estiveram em suas mãos desde 25 de junho de 2014, e cuja entrega em mãos a Obama decorreu sob absoluto sigilo; interpelado pela revista «Espacio Laical», que lhe pediu para publicar os textos, respondeu: «Yo era la carta» («Eu era a carta»). As conversas, iniciadas em 2013, prosseguiram no Canadá, com o coronel Alejandro Castro Espín, filho de Raúl, à frente da delegação cubana e Ricardo Zúñiga à frente da americana, até a assinatura do acordo no Vaticano; a data do anúncio foi escolhida como homenagem ao aniversário do papa Francisco. Ortega defendia publicamente maior liberdade religiosa e civil para os cubanos e criticava, ao mesmo tempo, o embargo econômico norte-americano contra a ilha, posição que o expôs a críticas tanto de setores mais conservadores do exílio cubano — que o acusavam de excessiva acomodação ao regime — quanto, ocasionalmente, de dissidentes internos que desejavam dele posições mais confrontacionais. Ainda sob sua liderança, foi inaugurado em 2011, no antigo edifício do seminário de San Carlos e San Ambrosio onde lecionara décadas antes, o Centro Cultural Padre Félix Varela, que passaria a abrigar também, a partir de 2012, a revista «Espacio Laical». Apresentou sua renúncia como arcebispo de Havana em 18 de outubro de 2011, por limite de idade; a renúncia foi aceita por Francisco em 26 de abril de 2016, sendo sucedido pelo camagüeyano Juan de la Caridad García Rodríguez. Ortega morreu em Havana em 26 de julho de 2019, aos 82 anos, sendo lembrado como a figura eclesiástica mais influente da Igreja cubana em várias gerações.

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Fontes

  • Sala Stampa della Santa Sede, 'Ortega y Alamino Card. Jaime Lucas'
  • Wikipédia (pt/es), 'Jaime Lucas Ortega y Alamino'
  • Vatican News, 'Há 25 anos, a pedido de João Paulo II, dia de Natal voltava a ser feriado em Cuba' (2022)
  • Jaime Ortega, 'Encuentro, diálogo y acuerdo. El papa Francisco, Cuba y Estados Unidos' (2017), citado em Tierras de América e Miami Herald
  • BBC Mundo, 'Muere el cardenal Jaime Ortega, figura clave en el acercamiento entre Cuba y Estados Unidos' (2019)
  • Catholic News Service / Catholic Periodical, 'Cardenal Jaime Ortega, voz de los pobres de Cuba, muere a los 82 años' (2019)

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