Ir para o conteúdo
Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
Acender uma vela

Devoções

O Mês de Maria (maio mariano)

Tradição de dedicar todo o mês de maio a homenagens especiais à Virgem Maria, com terço diário e coroação de imagens.

Origem
Consolidada devocionalmente a partir do século XVI, com impulso de São Filipe Neri em Roma

Tamanho do texto

As primeiras referências a um mês inteiro dedicado à Mãe de Jesus remontam ao século XII, na Igreja oriental, onde esse mês era originalmente agosto. No Ocidente, a associação de maio a Maria bebeu de associações culturais mais antigas com a chegada da primavera no hemisfério norte — o próprio mês já era, na Roma antiga, ligado a divindades da fertilidade e do florescimento —, mas consolidou-se como prática devocional cristã organizada apenas ao final do século XVI e ao longo do XVII, no contexto do fortalecimento geral da devoção mariana promovido pela Contrarreforma católica.

Em Roma, o papel de São Filipe Neri (1515-1595), fundador da Congregação do Oratório, foi decisivo para dar à prática uma forma concreta e pedagógica: incentivava os jovens a ornamentar imagens de Maria com flores, cantar louvores à Mãe de Deus e praticar atos de virtude à sua imitação durante o mês, chegando a compor um pequeno programa com cânticos e a recitação de ladainhas diante de uma imagem da Virgem em cada um dos dias — germe da prática que, séculos depois, se tornaria comum em paróquias do mundo inteiro.

A consolidação teológica e devocional mais sistemática veio no século XVIII, com a publicação, em Verona, no ano de 1725, do livro «Il mese di Maria» («O mês de Maria»), de autoria jesuítica, que propôs um roteiro estruturado de meditações diárias para os trinta e um dias de maio. A obra teve grande circulação e foi decisiva para espalhar a prática como devoção popular organizada, e não apenas como costume local restrito a algumas confrarias ou oratórios. A partir do ano 1800, o costume do mês mariano de maio se estabeleceu de modo mais amplo na Europa e nas Américas, espalhando-se gradualmente também a países de missão.

Já no século XX, a devoção recebeu um impulso institucional expressivo do papa Paulo VI, que, em plena celebração do Concílio Vaticano II, publicou em 29 de abril de 1965 a encíclica «Mense Maio», dedicada a pedir que os fiéis do mundo todo intensificassem, durante o mês de maio — sobretudo pela recitação do Rosário —, a oração pela paz mundial, pelas necessidades da Igreja e pelo bom êxito do Concílio então em curso, numa época marcada pela Guerra Fria. O gesto reforçou, num momento de particular relevância eclesial, o caráter de intercessão coletiva que o mês mariano já carregava havia séculos.

Hoje, muitas paróquias rezam diariamente o terço em maio diante de um altar preparado com uma imagem de Nossa Senhora, e é costume realizar a «Coroação de Maria», em que uma coroa de flores é colocada sobre sua imagem como sinal de sua realeza espiritual entre os santos — celebração que costuma reunir de modo especial as crianças da catequese e ocorre, conforme o costume local, no primeiro domingo do mês ou em outra data festiva de maio.

A escolha de maio, e não de outro mês, também é lida por alguns autores espirituais como um símbolo natural feliz: assim como a primavera no hemisfério norte é o tempo do florescimento da natureza depois do inverno, maio se tornou o mês em que a Igreja celebra Maria como a «flor» mais bela da criação e aquela que, ao gerar Cristo, fez florescer para o mundo a própria salvação — leitura simbólica que, embora não seja o fundamento histórico da escolha do mês, ajudou a arraigar a devoção na sensibilidade popular ao longo dos séculos.

Temas relacionados

Cada tema abre a busca por ele em todas as categorias do acervo.

Fontes

  • ACI Digital, «Por que maio é o mês de Maria?»
  • Instituto Teológico Franciscano, «Maio, Mês de Maria: História e Espiritualidade»
  • Paulo VI, Carta Encíclica «Mense Maio» (1965)

Continue sua leitura

← Todas as entradas de Devoções